Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2025

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu217838
Banca
VUNESP
Órgão
CM Praia Grande (SP)
Ano
2025
Cargo
Tec Aud (CM Praia Grande)

Singular ocorrência

 

– Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no adro para dar uma esmola.

 

– De preto?

 

– Justamente; lá vai entrando; entrou.

 

– Não diga mais nada. Esse olhar está dizendo que a dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz*.

 

– Deve ter quarenta e seis anos.

 

– Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão, e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?

 

– Não.

 

– Bem; o marido ainda vive. É velho?

 

– Não é casada.

 

– Solteira?

 

– Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal. Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas. Não era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com o vestido afogado, escorrido, sem luxo, arrastava a muitos, ainda assim.

 

– Por exemplo, ao senhor.

 

– Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas Alagoas, e casado na Bahia, donde viera em 1859. Era bonita a mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os conheci, tinham uma filhinha de dois anos.

 

– Apesar disso, a Marocas...?

 

– É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto- -lhe uma coisa interessante.

 

– Diga.

 

(Machado de Assis. Em: http://www.dominiopublico.gov.br. Adaptado)

 

* de qualidade, excepcional

Leia o texto para responder à questão.     Assinale a alternativa que atende à norma-padrão quanto ao emprego de pronome e à colocação pronominal.
  1. AContarei-lhe agora uma coisa interessante, e lhe peço bastante atenção nisso.
  2. BMe diz este seu olhar que aquela dama é uma sua recordação de outro tempo.
  3. CPara mim ser sincero, Marocas era mais linda do que hoje, mas ainda vejo-a bela.
  4. DEu levo consigo a ideia de que hoje é D. Maria de Tal, diferente de quando a conheci.
  5. EEm 1860, achava-se essa dama na rua do Sacramento. Chamavam-na de Marocas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Em 1860, achava-se essa dama na rua do Sacramento. Chamavam-na de Marocas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal e emprego de pronomes: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que respeita simultaneamente a colocação pronominal (ênclise após verbo no pretérito imperfeito, sem palavra atrativa) e o emprego correto do pronome oblíquo ("na" como objeto direto de "chamavam", retomando "essa dama"). Como se lê no texto: "Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas" — a reescrita "Em 1860, achava-se essa dama na rua do Sacramento. Chamavam-na de Marocas" mantém o sentido e obedece à norma: "achava-se" (ênclise correta, pois não há atrativo) e "chamavam-na" (forma adequada antes de verbo terminado em -m, que exige -na/-no).

A questão pede que você avalie cada frase isoladamente quanto ao emprego de pronomes e à colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise). Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras gramaticais — o texto serve apenas como base para as reescrituras. O comando "atende à norma-padrão" exige que você conheça as proibições (iniciar oração com pronome átono, ênclise após futuro do presente/pretérito, ênclise após particípio) e os casos de próclise obrigatória (palavras negativas, advérbios, pronomes relativos/indefinidos/interrogativos, conjunções subordinativas).

A técnica é testar cada alternativa perguntando: (1) há palavra atrativa antes do verbo? Se sim, próclise obrigatória; (2) o verbo está no futuro? Se sim, mesóclise (ou próclise com atrativo); (3) o pronome está em posição proibida (início de frase, após particípio)? Se sim, errada. Além disso, confira se o pronome escolhido (o/a/lhe) é o correto para a função sintática (objeto direto vs. indireto).

A pegadinha central da banca é misturar erros de colocação com erros de emprego do pronome (troca de "o" por "lhe", por exemplo). Muitas alternativas parecem corretas na colocação, mas erram na regência ou no referente. A letra E é a única que acerta tudo: "achava-se" (ênclise, sem atrativo) e "chamavam-na" (forma correta do pronome "a" após verbo terminado em -m).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre colocação (posição do pronome) e emprego (qual pronome usar). A letra B, por exemplo, erra a colocação (próclise em início de oração), mas a letra D erra o emprego ("consigo" em vez de "comigo"). Fique atento aos dois eixos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Contarei-lhe agora uma coisa interessante, e lhe peço bastante atenção nisso."

Erro de colocação: "lhe peço" — o pronome "lhe" está em próclise após a conjunção coordenativa "e", mas a norma-padrão, embora aceite próclise após conjunção coordenativa em alguns casos, aqui a forma mais adequada seria "peço-lhe" (ênclise), pois não há palavra atrativa. Além disso, "lhe" como objeto direto de "peço" é inadequado: "peço atenção" pede objeto direto ("a atenção"), então o correto seria "peço-lhe atenção" (lhe = a você, objeto indireto) — mas a construção "lhe peço" soa artificial e fere a eufonia. A banca considera errada por colocação (próclise indevida após "e" sem atrativo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Me diz este seu olhar que aquela dama é uma sua recordação de outro tempo."

Erro de colocação: "Me diz" — inicia a oração com pronome oblíquo átono, o que é proibido pela norma-padrão. O correto seria "Diz-me". Além disso, "este seu olhar" é redundante (possessivo + demonstrativo), mas o erro principal é a próclise em início de frase.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Para mim ser sincero, Marocas era mais linda do que hoje, mas ainda vejo-a bela."

Erro de emprego do pronome: "Para mim ser sincero" — o pronome "mim" não pode ser sujeito de infinitivo; o correto é "Para eu ser sincero". Além disso, "vejo-a bela" — a colocação está correta (ênclise), mas o pronome "a" retoma "Marocas" (objeto direto), o que está adequado; porém, o erro de "mim" já invalida a alternativa. Erro de regência/emprego do pronome reto/oblíquo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Eu levo consigo a ideia de que hoje é D. Maria de Tal, diferente de quando a conheci."

Erro de emprego do pronome: "consigo" é pronome reflexivo (referente ao sujeito "eu"), mas aqui o sentido é de companhia: "comigo". O correto seria "Eu levo comigo a ideia...". Além disso, "a conheci" — o pronome "a" está em próclise após a conjunção "quando" (atrativo), o que está correto; mas o erro de "consigo" já torna a frase inadequada. Troca de pronome reflexivo por pronome oblíquo tônico.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Em 1860, achava-se essa dama na rua do Sacramento. Chamavam-na de Marocas."

Colocação: "achava-se" — ênclise correta, pois não há palavra atrativa antes do verbo ("Em 1860" é adjunto adverbial, mas não atrai próclise obrigatória; a ênclise é aceita). "Chamavam-na" — o pronome "a" assume a forma "na" após verbo terminado em -m (ditongo nasal), conforme a norma. Emprego: "na" retoma "essa dama" (objeto direto de "chamavam"), correto. A frase mantém o sentido do texto original: "Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas" — a reescrita é fiel e gramaticalmente perfeita.

Conclusão: a única alternativa que atende integralmente à norma-padrão é a letra E. As demais erram por colocação (A, B) ou por emprego do pronome (C, D). Lembre-se: ao testar, verifique primeiro se há palavra atrativa (próclise), depois se o pronome está na forma correta (o/a vs. lhe; comigo vs. consigo).

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/vu217838