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Questão de Português — Crase — VUNESP 2025

PortuguêsCrase
Código
vu217842
Banca
VUNESP
Órgão
CM Praia Grande (SP)
Ano
2025
Cargo
Tec Aud (CM Praia Grande)

Na educação, a pandemia não acabou

 

Com a edição de 2023 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), pela primeira vez foi possível analisar em detalhes o efeito da pandemia sobre o desempenho de alunos do ensino básico. Um levantamento do Todos pela Educação revelou que em 2023 a aprendizagem média dos estudantes ainda não tinha voltado aos patamares de 2019. Projetando-se a trajetória ascendente, não é impossível que hoje já tenha voltado. Mas o ritmo lento preocupa.

 

O estudo buscou ainda enquadrar o impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas. Nessa perspectiva, houve avanço relevante, mas longe de suficiente, no porcentual de estudantes com níveis de aprendizagem considerados “adequados” conforme os critérios do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes.

 

Os índices de sucesso se mostraram decrescentes à medida que se avança nas etapas da educação básica. Entre os alunos do 5º ano, por exemplo, em 20 anos o porcentual com nível de aprendizado adequado em português cresceu de 21% para 55% e, em matemática, de 11% para 43%. No caso dos alunos do 9º ano, as elevações foram menos expressivas: de 15% para 36% em português e de 9% para 16% em matemática. No ensino médio, a elevação em português foi a menor dos três níveis: 13 pontos porcentuais (de 19% para 32%). Em matemática, houve retrocesso – de 5,8% para 5,2%.

 

Assim, é possível distinguir dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: em termos de estágios, a formação no ensino médio; em termos de disciplinas, a formação em matemática. Nesse último caso, o tamanho do problema é evidenciado pelo desempenho das escolas particulares. Em geral, alunos do ensino privado têm resultados gerais razoavelmente próximos dos de seus pares nos países desenvolvidos e superiores aos de seus conterrâneos nas escolas públicas. Na matemática, a defasagem é geral: pior nas escolas públicas, mas ainda assim muito ruim nas escolas privadas.

 

(Editorial. Disponível em:

https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.05.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     O emprego do acento indicativo da crase atende à norma-padrão em:
  1. ADe acordo com um levantamento do Todos pela Educação, a aprendizagem média dos estudantes ainda não tinha chegado à atingir aos patamares de 2019.
  2. BQuando se compara o desempenho dos alunos de escolas públicas à de escolas privadas, estes estão melhores, mas ainda assim o desempenho destes é muito ruim.
  3. CEntre os alunos do 5º ano, por exemplo, em 20 anos o porcentual com nível de aprendizado adequado em português foi à 55%, melhor do que o porcentual em matemática.
  4. DOs índices de sucesso se mostraram decrescentes conforme se progride à etapas da educação básica, segundo um levantamento do Todos pela Educação.
  5. EO estudo dedicou-se ainda à compreensão do impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O estudo dedicou-se ainda à compreensão do impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo feminino

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que o acento grave é obrigatório e correto, pois o verbo "dedicar-se" exige a preposição "a" e o substantivo "compreensão" admite o artigo feminino "a": dedicar-se a + a compreensão = dedicar-se à compreensão. As demais alternativas ou usam crase antes de verbo (proibido), ou antes de palavra masculina (proibido), ou em locução adverbial que não a admite, ou antes de pronome demonstrativo sem a devida fusão.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a frase em que o acento indicativo da crase está empregado conforme a norma-padrão. Isso significa que você deve analisar cada alternativa e verificar se o "à" (ou "às") ali presente é justificado pela fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos como "aquele", "aquela"). Não basta a palavra ser feminina: é preciso que o termo anterior exija a preposição "a" e que o termo seguinte admita o artigo feminino. Se faltar um desses dois elementos, a crase é proibida.

A técnica: o teste dos dois "as"

Para decidir se há crase, aplique o teste clássico: troque a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se na troca aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o" ou "a" sem acento, não há. Exemplo: "dedicar-se à compreensão" → "dedicar-se ao estudo" (aparece "ao", logo há crase). Já "chegar a atingir" → "chegar a alcançar" (não aparece "ao", pois "atingir" é verbo, e antes de verbo a crase é proibida).

Outro ponto crucial: a crase nunca ocorre antes de verbo no infinitivo, antes de palavra masculina, e antes de pronomes de tratamento (exceto senhora, senhorita, madame, dona). Também é facultativa antes de nomes próprios femininos e possessivos femininos, mas isso não aparece nas alternativas.

Aplicando ao texto-base

O texto-base fala sobre o impacto da pandemia na educação, mas a questão de crase não depende do conteúdo — ela testa a aplicação da regra em frases que reescrevem trechos do texto. Por isso, a resposta se prova pela análise gramatical de cada alternativa, não pela interpretação do texto. A alternativa E, por exemplo, reescreve o trecho "O estudo buscou ainda enquadrar o impacto da pandemia" como "O estudo dedicou-se ainda à compreensão do impacto", e é exatamente aí que a crase é correta.

1Requisitos
Termo anterior exige preposição "a"
Termo seguinte admite artigo "a"
2Proibições
Antes de verbo
Antes de palavra masculina
Antes de número
Singular antes de plural
3Teste da troca
Trocar por palavra masculina
Aparece "ao" → há crase
Não aparece "ao" → sem crase
Crase (fusão a + a)
LEVELsoulevel.com.br
Crase (fusão a + a): Requisitos (Termo anterior exige preposição "a", Termo seguinte admite artigo "a"); Proibições (Antes de verbo, Antes de palavra masculina, Antes de número, Singular antes de plural); Teste da troca (Trocar por palavra masculina, Aparece "ao" → há crase, Não aparece "ao" → sem crase)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"a aprendizagem média dos estudantes ainda não tinha chegado à atingir aos patamares de 2019"

Aqui a crase está antes de verbo ("atingir"). A regra é clara: crase proibida antes de verbo, pois não há artigo antes de verbo. O correto seria "chegado a atingir" (sem acento). A banca tenta confundir com a regência de "chegar" (que pede "a"), mas o complemento é um verbo, não um substantivo feminino. Erro: crase antes de verbo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"o desempenho dos alunos de escolas públicas à de escolas privadas"

Aqui o "à" está antes de "de" (preposição). A crase só ocorre se houver fusão da preposição "a" com o artigo "a" ou com o pronome demonstrativo "a". No caso, "à de" só seria correto se houvesse um substantivo feminino oculto (ex.: "à [escola] de escolas privadas"), mas não há. O correto seria "a de escolas privadas" (sem acento), pois "a" é apenas preposição exigida por "comparar" (comparar algo a algo). Erro: crase indevida antes de pronome relativo/preposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"o porcentual com nível de aprendizado adequado em português foi à 55%"

Aqui o "à" está antes de um número (55%). Números não admitem artigo feminino "a" no sentido de "atingir a 55%". O correto seria "foi a 55%" (sem acento), pois "a" é apenas preposição exigida por "foi" (ir a algum lugar/patamar). Erro: crase antes de palavra que não admite artigo feminino.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"conforme se progride à etapas da educação básica"

Aqui o "à" está antes de "etapas" (plural). A regra: se a palavra é plural e o artigo "as" é obrigatório, a crase seria "às". Mas o verbo "progredir" exige a preposição "a" e "etapas" admite o artigo "as", então o correto seria "às etapas". A alternativa usa "à" (singular) antes de palavra plural, o que é erro de concordância e de crase. Erro: crase no singular antes de palavra plural.

Alternativa E — ✅ Correta

"O estudo dedicou-se ainda à compreensão do impacto da pandemia"

Aqui a crase é obrigatória e correta. O verbo "dedicar-se" exige a preposição "a" (quem se dedica, dedica-se a algo). O substantivo "compreensão" é feminino e admite o artigo "a". Portanto: dedicar-se a + a compreensão = dedicar-se à compreensão. Aplicando o teste: "dedicar-se ao estudo" (aparece "ao", confirmando a crase). Correta.

Conclusão

A questão testa o domínio da regra de ouro da crase: só há crase quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos). Antes de verbo, antes de masculino, antes de número e em casos de singular/plural inadequado, a crase é proibida. A alternativa E é a única que respeita todos os requisitos.

NÃO CAIA NESSA!

Na hora da prova, aplique o teste da troca por palavra masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "a" ou "o" sem acento, não há. E desconfie sempre de crase antes de verbo — é a pegadinha mais comum.

Gabarito: letra E

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