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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217884
Banca
VUNESP
Órgão
HCFAMEMA
Ano
2025
Cargo
Tec (HC-FAMEMA)
   Comunicavam-se nascimentos em pequenos anúncios no jornal. Crianças andavam de bicicleta no meio da rua, não havia condomínios fechados. Sabíamos os números de telefone de cor – de avós, primos, amigos. Pagávamos as contas com dinheiro vivo, a não ser valores maiores, quando usávamos cheque. Se não quiséssemos que o cheque fosse descontado no caixa do banco, fazíamos dois riscos no canto da folha e quem o recebia era obrigado a depositá-lo, o que nos dava tempo até a compensação.

   Telefonávamos para conversar e combinar encontros. Enviavam-se cartas pelo correio, que chegavam ao destino semanas depois. E usava-se o telegrama para notícias urgentes. “Pai hospital volte logo.” Suprimiam-se preposições, pronomes: se pagava por palavra.

   Viajar de avião era um evento. Serviam farta comida e bebida durante os voos. Fumava-se dentro da cabine. Aos 13, meninos e meninas já tinham dado sua primeira tragada. Saída de colégio era um fumódromo. Festivais de música e torneios esportivos eram patrocinados por fabricantes de cigarros.

   Parece mentira, mas há documentos, testemunhos, sobreviventes: era assim mesmo. Quem viveu isso lembra com saudade, mas sem perder o juízo: voltar no tempo, nem pensar. Evoluímos. Se antes varríamos para baixo do tapete os preconceitos e a alienação, hoje temos informação instantânea e escutamos a voz de todos, graças à revolução digital. Seria maravilhoso se fizéssemos bom uso dessa conexão progressista, mas o ser humano é craque em estragar tudo. Por ganância e irresponsabilidade de alguns, ficará cada vez mais difícil perceber o que parece mentira e o que parece verdade. Já que a desinformação produz ainda mais poder e dinheiro, seremos transformados em consumidores de falsidades e habitaremos um planeta sem alma, totalmente manipulado. Crise mundial de confiança. E a solidão se expandirá.

   Não sou de fazer drama, mas dá vontade de enviar um telegrama para aqueles poucos cujo telefone ainda sei de cor: “Faça as malas embarque imediato montanhas.”


(Martha Medeiros. Telegrama para você. Disponível em: https://oglobo.globo.com, 26.01.2025. Adaptado) 
Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo:   É correto afirmar que, na descrição que a autora faz da vida de antigamente, se observa
  1. Apraticidade, dada a facilidade de se comunicar sem preposições e pronomes, o que torna a mensagem que se quer transmitir mais clara.
  2. Bposicionamento crítico, já que há certa ironia em se enaltecer o patrocínio de um evento esportivo por uma marca de cigarro.
  3. Csaudosismo, mas com o reconhecimento de que houve avanços que impedem o desejo de que certas atitudes do passado retornem.
  4. Dtransparência, pois os sentimentos, mesmo os ruins, estavam expostos e eram discutidos abertamente pela sociedade.
  5. Econexão das pessoas, que, mesmo conscientes dos males do cigarro, se reuniam para fumar e socializar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — saudosismo, mas com o reconhecimento de que houve avanços que impedem o desejo de que certas atitudes do passado retornem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Saudosismo e avanços: a tese do texto

Gabarito: letra C. A questão pede que se identifique o que se observa na descrição que a autora faz da vida de antigamente. A alternativa correta é a C, pois o texto expressa saudosismo — "Quem viveu isso lembra com saudade" — mas, ao mesmo tempo, reconhece que houve avanços que tornam indesejável o retorno ao passado: "voltar no tempo, nem pensar. Evoluímos." Essa dupla perspectiva é a tese central do texto, e a alternativa C a sintetiza com precisão.

O comando "É correto afirmar que, na descrição que a autora faz da vida de antigamente, se observa" pede uma compreensão global — ou seja, exige que o candidato identifique a tese que organiza a descrição, não apenas um detalhe isolado. A banca quer que o aluno perceba o movimento argumentativo do texto: a autora descreve o passado com nostalgia, mas logo pondera que não deseja voltar a ele, porque reconhece os avanços da sociedade.

No texto, a autora descreve costumes antigos (anúncios de nascimento, cartas, telegramas, fumo em locais públicos, etc.) com um tom de lembrança afetiva. No entanto, no parágrafo central, ela explicita sua posição:

"Quem viveu isso lembra com saudade, mas sem perder o juízo: voltar no tempo, nem pensar. Evoluímos."

Essa passagem é a chave da questão: ela une os dois polos — a saudade do passado e a consciência de que houve evolução. A alternativa C capta exatamente essa síntese: "saudosismo, mas com o reconhecimento de que houve avanços que impedem o desejo de que certas atitudes do passado retornem."

A técnica para resolver é: localize a tese (a ideia central que o autor defende) e verifique se a alternativa a parafraseia sem acrescentar nada. A tese não é "o passado era melhor" nem "o passado era pior", mas "o passado desperta saudade, porém não devemos voltar a ele porque evoluímos". Qualquer alternativa que exagere um dos polos ou introduza uma ideia nova estará errada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a supressão de preposições e pronomes tornava a mensagem "mais clara". O texto diz apenas que se suprimiam esses elementos "se pagava por palavra" — ou seja, a razão era econômica, não de clareza. Não há nenhuma menção a clareza ou facilidade de comunicação. A alternativa extrapola ao atribuir uma finalidade que o texto não menciona.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: opinião embutida. A alternativa fala em "ironia" ao enaltecer o patrocínio de evento esportivo por marca de cigarro. O texto apenas descreve o fato: "Festivais de música e torneios esportivos eram patrocinados por fabricantes de cigarros." Não há tom irônico explícito; a autora não faz juízo de valor sobre esse patrocínio. A alternativa acrescenta uma opinião (a ironia) que não está no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Fundamentação: A alternativa sintetiza a tese do texto. O trecho decisivo é:

"Quem viveu isso lembra com saudade, mas sem perder o juízo: voltar no tempo, nem pensar. Evoluímos."

Aqui há saudosismo ("lembra com saudade") e reconhecimento de avanços ("Evoluímos") que impedem o desejo de retorno ("voltar no tempo, nem pensar"). A alternativa C é uma paráfrase fiel dessa passagem, sem acrescentar nem suprimir nada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que os sentimentos "estavam expostos e eram discutidos abertamente". O texto, ao contrário, diz que se "varríamos para baixo do tapete os preconceitos e a alienação" — ou seja, havia ocultação, não exposição. A alternativa contradiz o texto ao inverter o sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que as pessoas se reuniam para fumar "conscientes dos males do cigarro". O texto descreve o hábito de fumar como algo comum, mas não menciona qualquer consciência dos males. A alternativa extrapola ao introduzir uma informação que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a descrição nostálgica e a tese crítica: o texto não é apenas saudosista, mas pondera os avanços. As alternativas erradas ou exageram um polo (A, D, E) ou acrescentam opiniões (B).

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a tese, procure a frase que resume a posição do autor — geralmente em parágrafos de abertura ou conclusão. Aqui, o trecho "voltar no tempo, nem pensar. Evoluímos" é a chave.

Conclusão: a alternativa C é a única que capta a dupla perspectiva do texto: saudade do passado, mas reconhecimento dos avanços. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou acrescentam opiniões. Gabarito: letra C.

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