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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217932
Banca
VUNESP
Órgão
CM Tatuí
Ano
2025
Cargo
Ana Leg ( )

Chuvas e constelações

 

Um tema pouco veiculado na literatura etnológica brasileira é o calendário das atividades de subsistência de um grupo indígena – os Desâna, do rio Tiquié –, determinado pelo aparecimento de certas constelações. O conhecimento empírico dos Desâna divide o clima da região em certo número de “verões”, alguns muito curtos, outros mais longos, entremeados por chuvas, estas anunciadas pelas constelações.

 

A ambas – constelações e chuvas – estão associados os ciclos econômicos naturais: início, amadurecimento e término das safras de frutas; ocorrência de piracemas; safras de insetos, como a maniuara e a saúva, de grande importância alimentar.

 

Às referidas mudanças climáticas vincula-se também o ciclo agrícola, pois a queima das roças é feita nas estiagens.

 

O ano dos indígenas Desâna começa em outubro, quando surge no poente a constelação “Iluminação da jararaca” (añá siñoliru). A pesada chuva que ela anuncia também tem esse nome. Logo surgem, uma em seguida à outra, as constelações que completam a figura da cobra: a “Cabeça de jararaca” (añá dihpuro puiró) e o “Corpo de jararaca” (añá dëhpë puiro). É época de fazer a limpeza do solo e a derrubada das árvores para abrir novas roças.

 

Em janeiro vem o “verão do abiu” (kané were: abiu, verão), que dura cinco dias. É quando essa fruta começa a escassear. Vem em seguida o “verão do ingá” (mené were: ingá, verão), também assinalado pelo término da safra dessa fruta de vagem comprida. Esse verão dura de oito a 15 dias, tempo dedicado à queima da roça aberta na mata virgem derrubada em outubro. Quando acaba esse verão, no fim de janeiro, começa a chuva “Fêmur de tatu”, anunciada pela constelação do mesmo nome (pamo ngoá dëhka).

 

As observações climáticas dos Desâna contradizem a noção de que, na região, há apenas duas estações: seca e chuvosa, ou “verão” e “inverno”. Também superam outra classificação simplista, que só distingue no solo amazônico a terra firme, a campina e a várzea. Disso se conclui que o conhecimento indígena dos fenômenos climáticos deve ser considerado para a compreensão da etnoecologia da Amazônia.

 

(Berta Ribeiro e Tolamãn Kenhíri. Chuvas e Constelações: Calendário econômico dos índios Desâna.

Disponível em: https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=chuvas-e-constelacoes)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     Com base no texto, é correto afirmar que a observação das constelações feita pelos Desâna
  1. Aleva em consideração estrelas que não foram ainda descobertas pelos cientistas, que estão atrasados em seus conhecimentos astronômicos.
  2. Bé bastante conhecida entre os etnólogos, os quais se esforçam por divulgar as descobertas desse grupo indígena a respeito do cosmos.
  3. Cestabelece relações com animais como a jararaca e o tatu, visto que estes apresentam grande relevância para a economia deste grupo.
  4. Destá ligada à necessidade de conhecer as condições climáticas de seu território e os consequentes ciclos econômicos e agrícolas.
  5. Efaz com que se crie uma explicação mitológica para a chegada das chuvas, cujo ciclo eles desconhecem.
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GabaritoD — está ligada à necessidade de conhecer as condições climáticas de seu território e os consequentes ciclos econômicos e agrícolas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Observação das constelações pelos Desâna: clima, economia e agricultura

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única inteiramente sustentada pelo texto: a observação das constelações pelos Desâna está ligada à necessidade de conhecer as condições climáticas do território e os consequentes ciclos econômicos e agrícolas. O texto afirma que "o conhecimento empírico dos Desâna divide o clima da região em certo número de 'verões'... entremeados por chuvas, estas anunciadas pelas constelações" e que "a ambas – constelações e chuvas – estão associados os ciclos econômicos naturais" e "às referidas mudanças climáticas vincula-se também o ciclo agrícola". A alternativa D é uma paráfrase fiel dessa cadeia: constelações → chuvas/verões → ciclos econômicos e agrícolas.

O comando pede uma questão de compreensão/recorrência — "é correto afirmar" —, ou seja, a resposta deve ser uma reescritura fiel de uma informação explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. O método é localizar a passagem que autoriza a afirmação e testar cada alternativa perguntando: "o texto diz isto, ou exige que eu acrescente algo de fora?".

O texto tem uma estrutura clara: apresenta o calendário dos Desâna (tema), mostra como as constelações anunciam chuvas e verões (desenvolvimento) e conclui que esse conhecimento deve ser considerado para a etnoecologia da Amazônia (tese). A resposta mora na relação explícita entre constelações, clima e ciclos — exatamente o que a alternativa D resume.

A armadilha central da questão é a extrapolação: várias alternativas acrescentam informações que o texto não traz (estrelas não descobertas, divulgação por etnólogos, relevância econômica dos animais, explicação mitológica). A banca oferece afirmações que "soam" plausíveis, mas que não estão ancoradas em nenhuma passagem. O critério decisivo é: a alternativa D se apoia em trechos literais; as demais exigem imaginação ou conhecimento de mundo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fatos que parecem verdadeiros (como a relevância da jararaca e do tatu), mas que o texto não afirma. A alternativa D é a única que se limita a parafrasear o que está escrito.

  1. 1Constelações anunciam chuvas/verões
  2. 2Clima determina ciclos econômicos
  3. 3Clima determina ciclo agrícola
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a observação "leva em consideração estrelas que não foram ainda descobertas pelos cientistas, que estão atrasados em seus conhecimentos astronômicos". O texto não menciona estrelas não descobertas nem faz qualquer juízo sobre o atraso dos cientistas. Isso é uma extrapolação — acrescenta uma crítica que o autor não externou. O texto apenas descreve o calendário dos Desâna, sem compará-lo ao conhecimento astronômico científico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a observação "é bastante conhecida entre os etnólogos, os quais se esforçam por divulgar as descobertas desse grupo indígena". O texto diz exatamente o contrário: "Um tema pouco veiculado na literatura etnológica brasileira é o calendário das atividades de subsistência de um grupo indígena". A palavra "pouco veiculado" contradiz "bastante conhecida". Isso é uma contradição com o texto — a alternativa inverte o sentido do trecho original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a observação "estabelece relações com animais como a jararaca e o tatu, visto que estes apresentam grande relevância para a economia deste grupo". O texto menciona a jararaca e o tatu apenas como nomes de constelações ("Iluminação da jararaca", "Fêmur de tatu"), não como animais de relevância econômica. A economia dos Desâna está ligada a frutas, piracemas e insetos (maniuara e saúva), não a esses animais. Isso é uma extrapolação — o texto não afirma que jararaca e tatu têm relevância econômica; a alternativa confunde o nome das constelações com animais economicamente importantes.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a observação "está ligada à necessidade de conhecer as condições climáticas de seu território e os consequentes ciclos econômicos e agrícolas". Isso é uma paráfrase fiel de três passagens:

"o conhecimento empírico dos Desâna divide o clima da região em certo número de 'verões'... entremeados por chuvas, estas anunciadas pelas constelações"

"A ambas – constelações e chuvas – estão associados os ciclos econômicos naturais"

"Às referidas mudanças climáticas vincula-se também o ciclo agrícola"

A alternativa D resume exatamente essa cadeia: as constelações anunciam as condições climáticas (verões e chuvas), e essas condições determinam os ciclos econômicos (safras, piracemas) e agrícolas (queima das roças). Não há acréscimo nem restrição — é a ideia central do texto reescrita com outras palavras.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a observação "faz com que se crie uma explicação mitológica para a chegada das chuvas, cujo ciclo eles desconhecem". O texto não menciona explicação mitológica nem diz que os Desâna desconhecem o ciclo das chuvas. Pelo contrário, o texto mostra que eles conhecem o ciclo: sabem quando as chuvas chegam (anunciadas pelas constelações) e quando os verões ocorrem. Isso é uma contradição — o texto afirma o conhecimento, a alternativa nega. Além disso, a ideia de "explicação mitológica" é uma extrapolação — o texto descreve o calendário como conhecimento empírico, não como mito.

Conclusão: a questão cobra compreensão literal. A alternativa D é a única que se limita a parafrasear o que o texto afirma, sem extrapolar, contradizer ou acrescentar opiniões. As demais ou invertem o sentido (B, E), ou acrescentam informações ausentes (A, C). O método para acertar: grife as relações explícitas entre constelações, clima e ciclos no texto e teste cada alternativa contra essas passagens.

Gabarito: letra D

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