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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu217964
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Osasco
Ano
2025
Cargo
ACS ( )

E se todo mundo realmente tivesse uma alma gêmea, que fosse uma pessoa aleatória em qualquer lugar do mundo?

 

Resposta: seria um pesadelo. Vamos supor que sua alma gêmea fosse determinada ao nascer. Você não sabe nada sobre a pessoa, quem é ou onde está, mas – como diz o clichê – vocês se reconhecerão num cruzar de olhares. Logo de cara, isso rende algumas perguntas. Para começar, será que sua alma gêmea ainda estaria viva? Uns 100 bilhões de humanos já existiram, mas só 7 bilhões estão vivos no momento.

 

Se fôssemos emparelhados aleatoriamente, 90% de nossas almas gêmeas estariam mortas há muito tempo. E isso seria horrível. Mas, peraí, fica pior.

   

Um argumento bem simples demonstra que não devemos nos limitar aos seres humanos do passado, pois também temos que incluir um número incontável de seres humanos do futuro. Pois veja só: se nossa alma gêmea pode estar no passado remoto, então também pode ser possível encontrar almas gêmeas no futuro distante. Então vamos supor que vocês vivam na mesma época. Além disso, para não sermos desagradáveis, ela está na mesma faixa etária que você. Considerando a restrição de faixa etária, a maioria da humanidade teria uma reserva de aproximadamente meio bilhão de combinações possíveis.

 

As chances de se deparar com seu par perfeito seriam absurdamente pequenas. O número de estranhos com os quais estabelecemos contato visual por dia varia de quase zero (no caso de introvertidos ou gente que mora em cidades pequenas) a muitos milhares (como um policial na Times Square), mas vamos supor que todo dia você troque olhares com uma média de poucas dezenas de gente que nunca viu. (Eu sou bastante introvertido, então no meu caso a estimativa é bem generosa.) Se 10% deles estão próximos da sua idade, isso daria 50 mil pessoas numa vida. Dado que você tem 500 milhões de almas gêmeas em potencial, quer dizer que só encontraria o verdadeiro amor em uma vida a cada 10 mil.

 

(Randall Munroe, E se? Respostas científicas para perguntas absurdas. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     Ao responder à pergunta “E se todo mundo realmente tivesse uma alma gêmea, que fosse uma pessoa aleatória em qualquer lugar do mundo?” com a frase “Seria um pesadelo”, o autor refere-se ao fato de que, de acordo com seus cálculos, caso houvesse uma alma gêmea única para cada ser humano,
  1. Aas pessoas não poderiam ser predestinadas umas às outras ao nascer.
  2. Bas almas gêmeas não poderiam compartilhar a mesma faixa etária.
  3. Cos seres humanos passariam a encontrar meio bilhão de pessoas por dia.
  4. Das possibilidades de encontrá-la em uma vida seriam ínfimas.
  5. Eo número de pessoas vivas teria de passar de 7 para 100 bilhões.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — as possibilidades de encontrá-la em uma vida seriam ínfimas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a improbabilidade de encontrar a alma gêmea

Gabarito: letra D. O autor conclui que, se houvesse uma alma gêmea única e aleatória, as possibilidades de encontrá-la em uma vida seriam ínfimas — é exatamente o que ele demonstra com os cálculos finais: "só encontraria o verdadeiro amor em uma vida a cada 10 mil". A alternativa D é a paráfrase fiel dessa conclusão, enquanto as demais ou extrapolam os dados ou contradizem o que o texto afirma.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede que você identifique o que o autor afirma ao responder "Seria um pesadelo". Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está explícita no texto, apenas reescrita com outras palavras. Não se trata de deduzir algo além do que está escrito — basta localizar a passagem que sustenta a ideia e comparar com as alternativas. A técnica é: achar a paráfrase (reescritura fiel) da ideia central.

O texto: do absurdo ao cálculo

O autor parte de uma hipótese absurda (alma gêmea aleatória) e a submete a um raciocínio lógico-matemático. Ele mostra que, mesmo com restrições favoráveis (mesma época, mesma faixa etária), o número de combinações possíveis é enorme ("meio bilhão de combinações possíveis") e o número de encontros ao longo da vida é pequeno ("50 mil pessoas numa vida"). A conclusão é direta:

"Dado que você tem 500 milhões de almas gêmeas em potencial, quer dizer que só encontraria o verdadeiro amor em uma vida a cada 10 mil."

Essa é a tese do parágrafo final e a base da alternativa correta. O autor não diz que as pessoas não podem ser predestinadas (A), nem que as almas gêmeas não compartilham faixa etária (B), nem que se encontrariam meio bilhão de pessoas por dia (C), nem que o número de vivos precisaria mudar (E). Ele apenas calcula a probabilidade ínfima de encontrar o par.

A técnica: teste cada alternativa contra o texto

Para cada alternativa, pergunte: o texto autoriza esta afirmação? Se a resposta exigir acrescentar algo que não está escrito, é extrapolação — e extrapolar é errar, mesmo que a frase soe plausível. A alternativa correta é a única que reescreve uma ideia presente no texto, sem adicionar nem suprimir nada.

  1. 1Identificar a tese/conclusão
  2. 2Buscar a paráfrase fiel
  3. 3Testar cada alternativa
  4. 4Rejeitar contradição/extrapolação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor supõe exatamente o contrário: "Vamos supor que sua alma gêmea fosse determinada ao nascer". A predestinação é a premissa do raciocínio, não algo negado. A alternativa inverte a hipótese inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que, para "não sermos desagradáveis", a alma gêmea "está na mesma faixa etária que você". Ou seja, o autor admite a possibilidade de compartilharem a mesma faixa etária — é uma restrição que ele mesmo impõe ao cálculo. A alternativa nega justamente o que o texto estabelece.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto fala em "meio bilhão de combinações possíveis" (reserva de almas gêmeas em potencial), não em número de pessoas encontradas por dia. A alternativa troca o conceito de "combinações possíveis" por "pessoas encontradas", distorcendo o dado. O texto, aliás, estima que se trocam olhares com "poucas dezenas de gente" por dia — bem longe de meio bilhão.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel da conclusão. O texto termina com o cálculo: "só encontraria o verdadeiro amor em uma vida a cada 10 mil". Isso significa exatamente que as possibilidades de encontrá-la em uma vida seriam ínfimas (muito pequenas). A alternativa usa "ínfimas" como sinônimo de "a cada 10 mil" — uma reescritura correta, sem acrescentar nem tirar nada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona que "uns 100 bilhões de humanos já existiram, mas só 7 bilhões estão vivos no momento" para ilustrar o problema de a alma gêmea poder estar morta. Ele não propõe que o número de vivos precise mudar para 100 bilhões. A alternativa inventa uma solução que o autor não sugere — é uma extrapolação clássica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa números reais do texto (7 bilhões, 100 bilhões, meio bilhão) para criar distratores que parecem plausíveis, mas que distorcem o papel desses números no raciocínio. O número que importa para a conclusão é o "a cada 10 mil" — é nele que você deve se ancorar.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a conclusão do texto (geralmente no último parágrafo) e procure a alternativa que a parafraseia. Desconfie de alternativas que usam números do texto de forma solta, sem respeitar o contexto em que aparecem.

Gabarito: letra D. A resposta está na passagem final: "só encontraria o verdadeiro amor em uma vida a cada 10 mil" — ou seja, as possibilidades são ínfimas. As demais alternativas ou contradizem o texto (A e B) ou extrapolam os dados (C e E).

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