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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2025

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu217990
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Guararapes
Ano
2025
Cargo
ADE (Guararapes)

Crianças condenadas à estagnação

 

A probabilidade de um brasileiro nascer pobre e morrer pobre é alta. Menos de 2% das crianças cujos pais estão entre os 50% mais pobres do País alcançarão a renda dos 10% mais ricos. E o mais provável é que 66% delas ainda estejam na mesma faixa dos ascendentes quando chegarem à fase adulta da vida.

 

Essas projeções são do recém-lançado Atlas da Mobilidade Social do Brasil, do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS). O estudo sobre mobilidade intergeracional traça um cenário bastante desolador, haja vista que a imobilidade social no País parece ser a regra.

 

De acordo com o estudo, a mobilidade social é ainda difícil para as crianças do sexo feminino, negras e do Norte do País. Aliás, nos Estados dessa região, quase 80% das crianças cujos pais estão na metade mais pobre da população permanecerão nessa mesma situação na vida adulta.

 

Tudo isso indica que o Brasil desonrou compromissos firmados com o seu povo por meio da Constituição federal de 1988, que afirma que “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” são objetivos fundamentais da República. E é essa mesma Constituição que diz aos brasileiros que a criança é uma prioridade absoluta.

 

O ideal seria o país investir na primeira infância – inclusive para impedir que essas crianças, uma vez tornadas adultas, venham a depender, como os pais, de mais programas sociais. É nessa fase da vida que os estímulos adequados impactam a fase adulta, em educação, saúde, trabalho, renda, violência e redução da desigualdade. Apesar disso, o Brasil não alcançou nem mesmo a meta de colocar 50% das crianças de zero a 3 anos na creche. No ano passado, só cerca de 40% delas estavam matriculadas.

 

Se o País não cuida bem das crianças menores, tampouco cuida das maiores, dos adolescentes e dos jovens. Os indicadores de educação apontam que a qualidade do ensino brasileiro é baixa, com desempenho pífio em avaliações nacionais e internacionais. E o ensino profissionalizante não é uma prioridade.

 

O Brasil terá de fazer escolhas para romper esse ciclo. Se nada mudar, o País e milhões dos seus cidadãos estarão condenados a futuro algum.

 

(Opinião. Em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 20.06.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão abaixo.   Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de regência verbal e nominal.
  1. ATudo isso indica que o Brasil se esqueceu dos compromissos firmados com o seu povo, que tem o anseio por uma vida sem pobreza e marginalização.
  2. BTudo isso indica que o Brasil esqueceu dos compromissos firmados com o seu povo, que tem o desejo por uma vida sem pobreza e marginalização.
  3. CTudo isso indica que o Brasil esqueceu os compromissos firmados com o seu povo, que tem a aspiração em uma vida sem pobreza e marginalização.
  4. DTudo isso indica que o Brasil esqueceu dos compromissos firmados com o seu povo, que tem o sonho a uma vida sem pobreza e marginalização.
  5. ETudo isso indica que o Brasil se esqueceu dos compromissos firmados com o seu povo, que tem a pretensão com uma vida sem pobreza e marginalização.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Tudo isso indica que o Brasil se esqueceu dos compromissos firmados com o seu povo, que tem o anseio por uma vida sem pobreza e marginalização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que respeita simultaneamente a regência verbal — o verbo esquecer-se exige a preposição de (esquecer-se de algo) — e a regência nominal — o substantivo anseio rege a preposição por (anseio por algo). As demais alternativas erram ao usar o verbo esquecer sem o pronome se com preposição (B, C, D) ou ao empregar preposição inadequada após o substantivo (C, D, E).

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa que atende à norma-padrão de regência verbal e nominal. Isso significa que você deve verificar duas coisas ao mesmo tempo:

  • Regência verbal: a relação entre o verbo e seu complemento (exige preposição ou não?);

  • Regência nominal: a relação entre um nome (substantivo, adjetivo, advérbio) e seu complemento (qual preposição ele rege?).

A banca não quer que você apenas entenda o texto; quer que você aplique a norma culta da língua. Por isso, a resposta não está no conteúdo do texto, mas na estrutura gramatical das frases.

O texto e a regência

O texto fala sobre a imobilidade social no Brasil e a necessidade de investir na primeira infância. No 4º parágrafo, há a passagem:

"Tudo isso indica que o Brasil desonrou compromissos firmados com o seu povo por meio da Constituição federal de 1988"

A questão reescreve essa ideia, trocando desonrou por esqueceu ou se esqueceu. Aí está o ponto central: o verbo esquecer tem duas construções possíveis na norma-padrão:

  • Esquecer algo (transitivo direto, sem preposição): "esqueci o livro".

  • Esquecer-se de algo (pronominal, com preposição de): "esqueci-me do livro".

A forma "esqueceu dos" (sem o pronome se) é incorreta — o verbo não admite a preposição de sem o pronome. Portanto, as alternativas B, C e D, que usam "esqueceu dos", já estão erradas.

Além disso, a questão também cobra a regência nominal do substantivo que acompanha "vida sem pobreza e marginalização". Cada alternativa usa um substantivo diferente:

  • A: "anseio por uma vida" — correto, pois anseio rege a preposição por.

  • B: "desejo por uma vida" — correto, pois desejo também rege por.

  • C: "aspiração em uma vida" — incorreto, pois aspiração rege a (aspiração a algo).

  • D: "sonho a uma vida" — incorreto, pois sonho rege de ou com (sonho de algo, sonho com algo).

  • E: "pretensão com uma vida" — incorreto, pois pretensão rege a (pretensão a algo).

A técnica que decide

Para resolver questões de regência, o método é:

  1. Identifique o verbo e veja se ele é transitivo direto, indireto ou pronominal. No caso, esquecer-se é pronominal e exige de.

  2. Identifique o nome (substantivo, adjetivo) e veja qual preposição ele rege. Consulte a regência nominal de cada palavra.

  3. Teste cada alternativa substituindo o verbo e o nome, verificando se a preposição está correta.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem corretas porque usam o verbo "esquecer" de forma comum na fala coloquial ("esqueceu dos"), mas que fogem à norma-padrão. Além disso, a banca troca o substantivo para testar se você conhece a regência nominal de cada um.

Regência verbal: esquecer
  • 1Esquecer algo (sem preposição)
    • Transitivo direto
  • 2Esquecer-se de algo (pronominal)
    • Exige preposição "de"
  • 3"Esqueceu dos" (sem pronome)
    • Incorreto na norma-padrão
  • 4Regência nominal: substantivos
    • Anseio
      • por
    • Desejo
      • por
    • Aspiração
      • em (correto: a)
    • Sonho
      • a (correto: de/com)
    • Pretensão
      • com (correto: a)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A usa "se esqueceu dos" — forma pronominal correta com a preposição de — e "anseio por" — regência nominal correta, pois anseio exige por. A frase atende plenamente à norma-padrão de regência verbal e nominal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B usa "esqueceu dos" — sem o pronome se, o verbo esquecer não admite a preposição de. A forma correta seria "esqueceu os compromissos" (transitivo direto) ou "se esqueceu dos compromissos" (pronominal). O erro é de regência verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C usa "esqueceu os" — sem o pronome, o verbo é transitivo direto, então "esqueceu os compromissos" seria aceitável. Porém, o erro está na regência nominal: "aspiração em" é incorreto; o correto é "aspiração a" (aspiração a uma vida). A banca troca a preposição para testar seu conhecimento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D usa "esqueceu dos" — mesmo erro de regência verbal da alternativa B. Além disso, "sonho a" é incorreto; o correto é "sonho de" ou "sonho com" (sonho de uma vida, sonho com uma vida). A banca acumula dois erros: regência verbal e nominal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E usa "se esqueceu dos" — regência verbal correta. Porém, "pretensão com" é incorreto; o correto é "pretensão a" (pretensão a uma vida). O erro está na regência nominal.

Conclusão

A única alternativa que acerta tanto a regência verbal quanto a nominal é a letra A. Para questões de regência, lembre-se: verifique sempre a preposição exigida pelo verbo e pelo nome. A banca adora trocar a preposição ou omitir o pronome para confundir. Treine com listas de regência nominal e verbal para fixar as preposições corretas.

Gabarito: letra A

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