Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2025
Português›Outras Questões de Semântica
Código
vu218013
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Guararapes
Ano
2025
Cargo
PEBI (Guararapes)
Espaços públicos. Públicos?
O surgimento das cidades, a partir de 10 mil anos atrás, é um marco civilizatório. Jericó é tida como provável primeira cidade concebida da História. Praças, ruas, prédios públicos, hoje temos Jericós espalhadas pelo mundo, democratizando as estruturas urbanas, colocando o coletivo à disposição de todos, permitindo o usufruto do bem comum.
Porém… a privatização do espaço público vem sendo um dos grandes problemas nas cidades brasileiras. É o que está acontecendo com o Parque Villa-Lobos, em São Paulo, que está sofrendo um processo de privatização indevida e altamente prejudicial aos cidadãos. Muito dinheiro público foi gasto para tornar o espaço limpo, muito talento foi necessário para urbanizá-lo, muito tempo para que pudesse atrair pássaros...
Até que o parque foi entregue a uma empresa privada.
Supostamente para melhorar o que já era bom. As mudanças foram rápidas. Algumas evidentes: falta de manutenção, espaços apenas podendo ser utilizados por pagantes, poluição visual com propagandas de empresas particulares etc.
Moral da história? Traição ao próprio sentido e objetivo das cidades. Não foi para isso que Jericó e outras cidades foram criadas. Temos ou não governantes com função de fazer com que os espaços públicos sejam, de fato, públicos?
Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo. No 2o parágrafo, o termo “porém” estabelece relação de
Aconclusão entre as ideias de democratização e de privatização do espaço público.
Boposição entre as ideias de espaço coletivo e de privatização do espaço público.
Cadição entre as ideias de usufruto do bem comum e da situação do parque paulistano.
Dexplicação entre as ideias da democratização do coletivo e da privatização do parque.
Ealternância entre as ideias de usufruto do espaço público e de privatização indevida.
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GabaritoB — oposição entre as ideias de espaço coletivo e de privatização do espaço público.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O conectivo "porém" e a relação de oposição
Gabarito: letra B. O termo "porém" estabelece relação de oposição entre a ideia de espaço coletivo (democratização, usufruto do bem comum) e a privatização do espaço público, como se lê no 2º parágrafo: "Porém… a privatização do espaço público vem sendo um dos grandes problemas nas cidades brasileiras". O conectivo marca a quebra de expectativa: o texto vinha exaltando o coletivo e, de repente, introduz a ideia contrária — a privatização.
O comando é direto: pede a relação semântica que o conectivo "porém" instaura entre as ideias do 2º parágrafo. Não se trata de inferir nada além do texto, mas de reconhecer o valor do conectivo coordenativo adversativo. "Porém" é conjunção coordenativa adversativa, ou seja, seu papel é contrapor ideias, e não somar, concluir, explicar ou alternar. A resposta mora na função do conectivo e no conteúdo que ele articula.
No texto, o 1º parágrafo celebra o surgimento das cidades e a democratização das estruturas urbanas: "colocando o coletivo à disposição de todos, permitindo o usufruto do bem comum". O 2º parágrafo abre com "Porém…" e imediatamente apresenta o contraponto: "a privatização do espaço público vem sendo um dos grandes problemas". O conectivo sinaliza que o que vem a seguir contraria o que foi dito antes. É a estrutura clássica da oposição: ideia positiva (coletivo, bem comum) × ideia negativa (privatização, problema).
A técnica para resolver: identifique o que vem antes e o que vem depois do conectivo. Se o antes e o depois são ideias que se chocam, a relação é de oposição. Se o depois apenas acrescenta, é adição; se conclui, é conclusão; se explica, é explicação; se alterna, é alternância. Aqui, o choque é evidente: "coletivo à disposição de todos" versus "privatização indevida e altamente prejudicial aos cidadãos".
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o nome da relação para confundir. "Oposição" é o valor semântico de "porém"; as demais alternativas citam relações que existem em outros conectivos (conclusão, adição, explicação, alternância), mas não neste. O candidato que decora a lista de conjunções sem entender o efeito no texto erra.
A alternativa afirma que "porém" estabelece conclusão entre democratização e privatização. Errado: conclusão é o valor de conectivos como "portanto", "logo", "assim". O texto não conclui nada com "porém"; ele contrapõe a ideia de democratização à de privatização. A relação é de choque, não de fechamento de raciocínio.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta. O texto diz: "colocando o coletivo à disposição de todos, permitindo o usufruto do bem comum" (1º parágrafo) e, em seguida, "Porém… a privatização do espaço público vem sendo um dos grandes problemas" (2º parágrafo). O "porém" marca a oposição entre o espaço coletivo (bem comum) e a privatização (problema). É a relação adversativa típica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "porém" estabelece adição entre usufruto do bem comum e situação do parque. Errado: adição é o valor de "e", "além disso", "também". O texto não soma as ideias; ele as contrapõe. O usufruto do bem comum é a ideia positiva que a privatização vem contrariar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "porém" estabelece explicação entre democratização do coletivo e privatização do parque. Errado: explicação é o valor de "pois", "porque", "já que". O texto não explica a privatização com o "porém"; ele apenas a introduz como contraponto à democratização.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "porém" estabelece alternância entre usufruto do espaço público e privatização indevida. Errado: alternância é o valor de "ou", "ora… ora", "já… já". O texto não alterna entre as duas ideias; ele as opõe diretamente. A privatização não é uma possibilidade que se alterna com o usufruto; é o problema que contraria o usufruto.
Conclusão: a questão testa o reconhecimento do valor semântico do conectivo "porém". A regra de ouro: todo conectivo tem uma função; "porém" é adversativo e, portanto, estabelece oposição. Ao ver "porém", "mas", "contudo", "todavia", "entretanto", procure a ideia que contraria a anterior — é ela que a banca quer que você identifique.