Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218015
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Guararapes
Ano
2025
Cargo
PEBI (Guararapes)
Espaços públicos. Públicos?
O surgimento das cidades, a partir de 10 mil anos atrás, é um marco civilizatório. Jericó é tida como provável primeira cidade concebida da História. Praças, ruas, prédios públicos, hoje temos Jericós espalhadas pelo mundo, democratizando as estruturas urbanas, colocando o coletivo à disposição de todos, permitindo o usufruto do bem comum.
Porém… a privatização do espaço público vem sendo um dos grandes problemas nas cidades brasileiras. É o que está acontecendo com o Parque Villa-Lobos, em São Paulo, que está sofrendo um processo de privatização indevida e altamente prejudicial aos cidadãos. Muito dinheiro público foi gasto para tornar o espaço limpo, muito talento foi necessário para urbanizá-lo, muito tempo para que pudesse atrair pássaros...
Até que o parque foi entregue a uma empresa privada.
Supostamente para melhorar o que já era bom. As mudanças foram rápidas. Algumas evidentes: falta de manutenção, espaços apenas podendo ser utilizados por pagantes, poluição visual com propagandas de empresas particulares etc.
Moral da história? Traição ao próprio sentido e objetivo das cidades. Não foi para isso que Jericó e outras cidades foram criadas. Temos ou não governantes com função de fazer com que os espaços públicos sejam, de fato, públicos?
Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo. O autor do texto defende que as cidades
Acarecem de fiscalização dos governantes para regular espaços privatizados.
Bdevem seguir um modelo adequado de privatização para seus espaços.
Csão amparadas por políticas públicas adequadas para a sua preservação.
Dperdem seu propósito de existir com a privatização de espaços públicos.
Edevem equilibrar o usufruto do bem comum com a privatização de espaços.
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GabaritoD — perdem seu propósito de existir com a privatização de espaços públicos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A tese do autor: a privatização trai o propósito das cidades
Gabarito: letra D. O autor defende que as cidades perdem seu propósito de existir com a privatização de espaços públicos, como se lê no trecho final: "Moral da história? Traição ao próprio sentido e objetivo das cidades". A alternativa D é a única que parafraseia essa tese central, enquanto as demais ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o que o texto afirma.
O comando pede compreensão — "O autor do texto defende que as cidades" —, ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia explícita no texto, sem deduções nem acréscimos. Não se trata de inferir algo implícito, mas de localizar a tese que o autor sustenta ao longo do artigo.
O texto é um artigo de opinião (dissertativo-argumentativo). O autor parte de um fato histórico (o surgimento das cidades, com Jericó como marco) para estabelecer o propósito original das cidades: "colocando o coletivo à disposição de todos, permitindo o usufruto do bem comum". Em seguida, apresenta o problema: a privatização do espaço público, exemplificada pelo Parque Villa-Lobos, que foi "entregue a uma empresa privada" e passou a ter "espaços apenas podendo ser utilizados por pagantes". A conclusão é a tese: essa privatização é uma "Traição ao próprio sentido e objetivo das cidades". A pergunta retórica final — "Temos ou não governantes com função de fazer com que os espaços públicos sejam, de fato, públicos?" — reforça a indignação e a defesa de que o espaço público deve permanecer público.
A técnica que decide a questão é simples: a tese mora na conclusão. O autor não defende privatização alguma (elimina B e E), não pede fiscalização específica (elimina A) e não elogia políticas públicas (elimina C). Ele afirma que a privatização contraria a razão de existir das cidades. A alternativa D é a única que captura exatamente esse juízo de valor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que parecem razoáveis no mundo real (fiscalizar, privatizar bem, equilibrar), mas que extrapolam o texto — o autor não discute modelos de privatização nem políticas de preservação; ele condena a privatização como traição ao propósito das cidades.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não afirma que as cidades carecem de fiscalização dos governantes para regular espaços privatizados. O autor até questiona: "Temos ou não governantes com função de fazer com que os espaços públicos sejam, de fato, públicos?", mas essa pergunta é retórica e expressa indignação, não uma proposta de "fiscalização" como solução. A alternativa acrescenta uma ideia (fiscalização como remédio) que o texto não defende.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O autor é contra a privatização, chamando-a de "privatização indevida e altamente prejudicial aos cidadãos". Defender que as cidades "devem seguir um modelo adequado de privatização" é o oposto da tese. O texto não admite nenhuma forma de privatização como aceitável; ele a condena em bloco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O autor denuncia a falta de políticas públicas adequadas: o parque foi privatizado, há "falta de manutenção" e "espaços apenas podendo ser utilizados por pagantes". Afirmar que as cidades "são amparadas por políticas públicas adequadas para a sua preservação" inverte o diagnóstico do texto, que mostra justamente o abandono do espaço público.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase fiel da tese. O autor conclui: "Moral da história? Traição ao próprio sentido e objetivo das cidades". A privatização do espaço público faz a cidade perder seu propósito de existir, que era "permitir o usufruto do bem comum". A alternativa D reescreve essa ideia sem acrescentar nem suprimir nada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não defende um "equilíbrio" entre usufruto do bem comum e privatização. O autor é categórico: a privatização é uma traição ao sentido das cidades. A ideia de equilíbrio é uma construção do candidato, não uma posição do autor.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "o autor defende", procure a tese na introdução ou na conclusão. Aqui, a conclusão — "Traição ao próprio sentido e objetivo das cidades" — é a chave. Teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?