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Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2025

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
vu218045
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - AOp III ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

Longe de mim querer matar você de inveja, mas dias atrás cravei os dentes numa coxinha de camarão com requeijão. Numa, não; em três. E saiba que o “inha”, aí, não é diminutivo, é tratamento carinhoso, da parte de quem por 13 anos esteve privado dessa rechonchuda maravilha.

 

Bobagem minha: para morrer de inveja, você precisaria saber o que vem a ser uma coxinha de camarão com requeijão. Falo da legítima, da única, que existiu em Belo Horizonte durante pouco mais de 20 anos, até desaparecer, no ano de 1998.

 

Nunca me conformei com o sumiço do pitéu com que me regalei décadas a fio, toda vez que minhas papilas gustativas visitavam a capital mineira. Alguns meses atrás, numa crônica que publiquei, escrevi logo no título: “Saudade da coxa de requeijão.” Na última linha, joguei sem maior esperança uma garrafa ao mar: “Tem por aí alguma pessoa que faz?”

 

Pois não é que apareceu uma? E não qualquer pessoa: ninguém menos que Thereza Oliveira, a inventora da supracitada perdição gastronômica. De Tiradentes, para onde se mudou faz uns anos, ela ergueu um dedo, olha eu aqui!, e deixou no ar a tentação: que eu fosse aplacar a saudade da coxinha de camarão com requeijão.

 

Quis a sorte que recentemente me viesse convite para lançar um livro ali, e quando escrevi a Thereza para dizer que estava a caminho, ela anunciou a coincidência: eu ia me hospedar ao lado de seu charmoso mocó tiradentino − num alto de morro onde de uns anos para cá se construíram várias casas “antigas”. Lá fui bater, salivando, mal pus a mala na pousada.

 

Além de três formidáveis coxas de requeijão, Thereza me serviu a história do fabuloso salgado por ela concebido. Seu irmão Pedro morava no Rio e, nas confeitarias, achava constrangedor ter que pedir um monte de salgadinhos para matar a fome − será que não dava para fazer um salgadão? Thereza, primeiro, foi de peito de frango, que teve a ideia inédita de revestir de requeijão − até que lhe viesse a ideia melhor ainda de trocar o frango pelo camarão.

 

(Humberto Werneck. Esse inverno vai acabar, 2011. Adaptado

Assinale a alternativa cujo trecho apresenta palavra empregada em sentido figurado.
  1. A“... dias atrás cravei os dentes numa coxinha de camarão com requeijão.”
  2. B“... que existiu em Belo Horizonte durante pouco mais de 20 anos, até desaparecer, no ano de 1998.”
  3. C“Alguns meses atrás, numa crônica que publiquei, escrevi logo no título...”
  4. D“... quando escrevi a Thereza para dizer que estava a caminho, ela anunciou a coincidência ...”
  5. E“Thereza me serviu a história do fabuloso salgado por ela concebido...”
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GabaritoE — “Thereza me serviu a história do fabuloso salgado por ela concebido...”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Denotação e conotação: o sentido figurado no texto

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que uma palavra — o verbo "servir" — está empregada em sentido figurado (conotativo): Thereza não "serviu" a história como se serve um prato de comida; ela contou, narrou a história. As demais alternativas usam as palavras em sentido literal (denotativo), com seu significado dicionarizado, próprio do contexto.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique o trecho em que há palavra em sentido figurado. Isso é uma questão de conotação: a palavra foge do seu sentido literal e ganha um novo significado, dependente do contexto. O oposto é a denotação, quando a palavra é usada com seu sentido próprio, dicionarizado. A banca quer que você perceba quando o autor transfere o sentido de uma palavra para outro campo — aqui, o verbo "servir" (ação de oferecer alimento) é transferido para o ato de contar uma história.

O texto: onde mora a resposta

O texto narra a redescoberta de uma coxinha de camarão com requeijão, criada por Thereza Oliveira. No último parágrafo, o autor escreve:

"Thereza me serviu a história do fabuloso salgado por ela concebido."

Aqui, "servir" não significa "colocar à mesa", mas sim "contar, relatar". A história não é um alimento que se serve; é uma narrativa que se compartilha. Essa transferência de sentido é a conotação. Nas outras alternativas, os verbos e expressões são usados em seu sentido literal, sem transferência.

A técnica: como reconhecer conotação

Para reconhecer conotação, pergunte: a palavra pode ser entendida literalmente no contexto? Se sim, é denotação. Se não, é conotação. No caso de "servir a história", não há como servir uma história como se serve comida — logo, é figurado. Já em "cravei os dentes numa coxinha", a expressão é literal: o autor realmente mordeu a coxinha. A banca adora colocar expressões que parecem metafóricas (como "cravei os dentes") mas que, no contexto, são literais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... dias atrás cravei os dentes numa coxinha de camarão com requeijão."

Aqui, "cravei os dentes" é literal: o autor realmente mordeu a coxinha. Não há transferência de sentido. A expressão pode parecer figurada, mas no contexto é denotativa. Erro: extrapolação — a banca tenta fazer você achar que é metáfora, mas o texto confirma a ação real.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... que existiu em Belo Horizonte durante pouco mais de 20 anos, até desaparecer, no ano de 1998."

"Desaparecer" aqui é literal: a coxinha deixou de ser vendida. Não há sentido figurado. Erro: contradiz o texto — a palavra é usada em seu sentido próprio, sem transferência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Alguns meses atrás, numa crônica que publiquei, escrevi logo no título..."

"Escrevi" é literal: o autor realmente escreveu o título. Não há conotação. Erro: tangencia — a palavra é usada em seu sentido dicionarizado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... quando escrevi a Thereza para dizer que estava a caminho, ela anunciou a coincidência ..."

"Anunciou" é literal: Thereza comunicou a coincidência. Não há transferência de sentido. Erro: contradiz o texto — a palavra é usada em seu sentido próprio.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Thereza me serviu a história do fabuloso salgado por ela concebido."

Aqui, "serviu" é figurado: Thereza não serviu a história como se serve comida; ela contou a história. Essa transferência de sentido (de alimento para narrativa) é a conotação. É a única alternativa com sentido figurado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca "cravei os dentes" (A) que parece metáfora, mas é literal no contexto. A chave é testar se a palavra pode ser entendida literalmente.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar conotação, pergunte: "isso pode acontecer de verdade?" Se não, é figurado. "Servir história" não pode; "cravar dentes em coxinha" pode.

Gabarito: letra E — a única com palavra em sentido figurado.

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