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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218056
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - ASA III ( )

A tirana

 

Quem a vê, tão velhinha, tão honesta de aparência, não sabe o que ali se esconde. Casou, teve filhos e lhe vieram netos,(e) e sobre a descendência ela se repastou no gozo de mandar. Só queria dar ordens. Se um filho gostava de Maria, seria com Joana que haveria de casar, mesmo porque um filho não tinha o direito de gostar senão de quem ela gostasse. Se outro queria estudar Medicina, deveria estudar Direito.

 

Se a filha não queria engordar – ela a trataria especialmente a mingau de fubá e macarronada. Afinal, ela dera vida e criara todos eles, e agora chegara o seu momento. Sua casa era um quartel;(a) ela gozava a delícia de implantar a disciplina mais feroz.

 

Durante anos conseguiu ser mais adulada e festejada do que um ministro em viagem pelo interior. Depois, com os novos elementos, com os estranhos entrando na família, começou a derrocada do império.(c) Primeiro foi a nora que não se quis desfazer de uma mobília de estimação e debandou de casa. O marido da fugitiva ainda se demorou uns dias em companhia da mãe, sem ter coragem de quebrar aquela disciplina que já lhe entrara pelos confins da consciência. Mas, certa manhã, à hora do café, ele não apareceu. Era a Revolução.(e) Pouco a pouco foram imitando o rebelde.(b) O filho, que fora obrigado a estudar Direito, largou a profissão e se permitiu ter negócios sem nenhum visto materno. A filha, que era engordada como peru de Natal, arranjou emprego(c) e passou a almoçar tranquilamente as suas saladas.(b)

 

Os filhos e os netos se arranjaram, como puderam,(d) fora de suas vistas. A senhora ficou sozinha em seu palacete.(a) Agora, o dinheiro sobrava, o espaço sobrava.(d)

 

(Dinah Silveira de Queiroz. Quadrante 1. Editora do Autor, 1962. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     Na crônica, a autora emprega diferentes recursos. Entre eles estão ideias baseadas em comparações e toques de comicidade que contribuem para dar leveza à narrativa.   Assinale a alternativa cujos trechos do texto exemplificam, correta e respectivamente, esses recursos.
  1. ASua casa era um quartel…; A senhora ficou sozinha em seu palacete.
  2. B… arranjou emprego e passou a almoçar tranquilamente as suas saladas.; Pouco a pouco foram imitando o rebelde.
  3. C… com os estranhos entrando na família, começou a derrocada do império.; A filha, que era engordada como peru de Natal, arranjou emprego... .
  4. DOs filhos e os netos se arranjaram, como puderam…; Agora, o dinheiro sobrava, o espaço sobrava.
  5. EEra a Revolução.; Casou, teve filhos e lhe vieram netos…
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — … com os estranhos entrando na família, começou a derrocada do império.; A filha, que era engordada como peru de Natal, arranjou emprego... .

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comparação e comicidade na crônica "A tirana"

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que exemplifica, correta e respectivamente, os dois recursos citados no enunciado: primeiro uma comparação ("começou a derrocada do império") e depois um toque de comicidade ("engordada como peru de Natal"). A comparação está explícita no trecho "com os estranhos entrando na família, começou a derrocada do império", que metaforicamente compara a família a um império em queda; a comicidade está na imagem da filha "engordada como peru de Natal", que ridiculariza a imposição materna de engordar a filha contra a vontade dela.

O comando pede que você identifique, na ordem, dois recursos: comparação e comicidade. Isso muda a resolução: não basta achar um trecho com um dos recursos — é preciso que o primeiro trecho da alternativa seja uma comparação e o segundo, um toque de humor. A banca não pede interpretação profunda, mas reconhecimento de recursos expressivos no texto, o que exige atenção ao sentido figurado e ao tom irônico.

O texto narra a história de uma matriarca tirana que controla a vida dos filhos até que eles se rebelam. O movimento central é a derrocada do seu "império" — palavra que já carrega uma comparação implícita (família = império). A comicidade, por sua vez, aparece em passagens que ridicularizam a tirania, como a imagem da filha sendo "engordada como peru de Natal" — comparação explícita e humorística que satiriza o controle materno.

A técnica para resolver: grife as comparações (termos como "como", "tal qual", "que nem" ou metáforas que aproximam dois universos) e identifique o tom de cada trecho (cômico, sério, crítico). A comparação é um recurso que aproxima dois elementos; a comicidade é um efeito de sentido que provoca riso ou sorriso, muitas vezes pela ironia ou pelo exagero.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura trechos com comparação e trechos com comicidade fora da ordem pedida, ou oferece trechos que têm apenas um dos recursos. A alternativa C é a única que respeita a sequência: primeiro comparação, depois comicidade.

Recursos expressivos
  • 1Comparação
    • Explícita (como, tal qual)
    • Implícita (metáfora)
  • 2Comicidade
    • Ironia
    • Exagero
    • Ridicularização
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O primeiro trecho, "Sua casa era um quartel", é uma metáfora (comparação implícita, sem conectivo comparativo), mas o segundo, "A senhora ficou sozinha em seu palacete", é uma constatação factual, sem comicidade. A alternativa falha porque o segundo trecho não tem toque de humor — é o desfecho melancólico da história.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O primeiro trecho, "arranjou emprego e passou a almoçar tranquilamente as suas saladas", tem um tom de alívio irônico (a filha finalmente escapa do controle), mas não é uma comparação. O segundo, "Pouco a pouco foram imitando o rebelde", é uma metáfora (comparação implícita com a Revolução), mas está fora da ordem pedida: o enunciado quer primeiro comparação, depois comicidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O primeiro trecho, "com os estranhos entrando na família, começou a derrocada do império", é uma comparação — a família é comparada a um império que desmorona. O segundo, "A filha, que era engordada como peru de Natal, arranjou emprego", é uma comparação explícita ("como peru de Natal") com toque de comicidade: a imagem da filha sendo tratada como animal de abate ridiculariza a tirania materna. A ordem e os recursos estão corretos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O primeiro trecho, "Os filhos e os netos se arranjaram, como puderam", é uma constatação sem comparação. O segundo, "Agora, o dinheiro sobrava, o espaço sobrava", tem um tom de ironia (a tirana agora tem tudo, mas está sozinha), mas não é uma comparação. A alternativa falha porque nenhum dos trechos é uma comparação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O primeiro trecho, "Era a Revolução", é uma metáfora (comparação implícita com a Revolução Francesa), mas o segundo, "Casou, teve filhos e lhe vieram netos", é uma enumeração factual sem comicidade. A alternativa falha porque o segundo trecho não tem toque de humor.

Conclusão: a questão testa o reconhecimento de comparação e comicidade na ordem pedida. A alternativa C é a única que apresenta, respectivamente, uma comparação ("derrocada do império") e um toque cômico ("engordada como peru de Natal").

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar recursos, pergunte: "há comparação explícita (como) ou implícita (metáfora)?" e "o trecho provoca sorriso ou ironia?". A ordem do enunciado é sagrada — respeite-a.

Gabarito: letra C

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