Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2025
- Código
- vu218091
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNESP
- Ano
- 2025
- Cargo
- V - - Doc ( )
Brasil larga bem na corrida da energia verde
No recém-lançado relatório anual do Fórum Econômico Mundial sobre transição energética, o Brasil figura na 15a posição num ranking com 118 países, à frente dos países latino-americanos e de potências como Reino Unido e Estados Unidos. Metade da matriz energética brasileira provém de fontes renováveis – mais de três vezes a média global, em torno de 14,3%. O País dispõe de abundantes recursos naturais, hidrelétricas de grande porte, biomassa diversificada e um vasto potencial em hidrogênio verde e biocombustíveis. Seu patrimônio ambiental, sobretudo a Amazônia, ainda que sob pressão, agrega valor estratégico ao mercado de créditos de carbono e serviços ambientais.
Apesar dessas vantagens, a transição energética brasileira enfrenta desafios estruturais profundos. A expansão da geração renovável esbarra em gargalos na infraestrutura de transmissão e distribuição. Projetos bilionários aguardam conexão à rede elétrica, mas o atraso em investimentos e o excesso de burocracia reduzem a eficiência do sistema.
A insegurança regulatória e as divergências entre órgãos públicos minam a confiança dos investidores.
A regulamentação do mercado de carbono ainda é inconsistente e permeada por interesses conflitantes, comprometendo a eficiência dos créditos e a atração de investimentos para projetos sustentáveis, especialmente no combate ao desmatamento, principal fonte emissora no País. Um sistema transparente e rigoroso pode alavancar o papel do Brasil como líder global na oferta de soluções ambientais e financeiras, fortalecendo sua imagem internacional e gerando receita para o desenvolvimento social e ambiental.
Ademais, a transição demanda mais que simplesmente substituir fontes. Exige integração tecnológica, políticas públicas coerentes e estabilidade regulatória que incentivem investimentos em pesquisa, inovação e qualificação da mão de obra. Será necessário ampliar a infraestrutura, incluindo a modernização das redes elétricas e o apoio a soluções de armazenamento e digitalização, para garantir confiabilidade e eficiência ante as oscilações das fontes renováveis.
A posição de destaque em rankings como o do Fórum Econômico Mundial evidencia que o Brasil tem condições materiais para ser protagonista da transição energética global. Mas a trajetória dependerá da habilidade em superar desafios complexos: infraestrutura deficiente, conflitos regulatórios, equilíbrio socioeconômico e governança ambiental eficaz. O sucesso exigirá a combinação de políticas robustas, investimento privado qualificado e a capacidade de construir consensos em torno de uma agenda clara e coerente.
Assim, o Brasil poderá não apenas consolidar sua posição atual, mas transformar-se em exemplo mundial de como é possível avançar na transição energética de forma equilibrada, inteligente e inclusiva, num caminho que respeite tanto o meio ambiente quanto as necessidades humanas, garantindo sustentabilidade integral – ambiental e social – para as próximas gerações.
(O Estado de S.Paulo. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/ brasil-larga-bem-na-corrida-da-energia-verde/. Adaptado)
- AApesar das vantagens, a transição energética brasileira carece em transformações estruturais profundas.
- BA insegurança regulatória e as divergências entre órgãos públicos solapam com a confiança dos investidores.
- CInteresses conflitantes transpassam na regulamentação do mercado de carbono, que ainda é inconsistente.
- DO país aspira ao protagonismo no campo da transição energética, tão logo consiga superar suas dificuldades.
- EA transição energética reclama em integração tecnológica, políticas públicas coerentes e estabilidade regulatória.