Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2025
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu218092
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Doc ( )
O lirismo em feminino, que se observa em “Ainda uma vez – adeus!” e em “Marabá”, provém do amor-melancolia, amor-desespero, amor-desilusão, que testemunha flagrantemente o quanto o poeta encarnou o próprio espírito do Romantismo nascente, caracterizado pela passividade nos domínios do sentimento. Dessa forma, o medievalismo cavaleiresco encontrava sua razão de ser na emotividade de um poeta mestiço e tropical. O outro vetor que lhe orientava a fantasia continha uma adaptação aos tempos novos e uma tomada de consciência do solo natal: contraface da tendência anterior, manifesta uma visão épica do mundo, traduzida no indianismo heroico (“O Canto do Piaga”) e num patriotismo e brasilidade que lhe está visceralmente conectado (“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes”, etc.; “quero antes um rosto de jambo corado”, etc., de “Marabá”). Pelo primeiro aspecto, o poeta tornou-se mestre de muitos poetas posteriores, graças à elaboração de autênticas obras-primas de lirismo-amoroso, como “Ainda uma vez – adeus!”; e pelo outro, atualizou a temática indígena, conferindo- lhe a grandeza que desconhecia antes e que jamais atingiu depois, decerto porque lhe inoculou alta dose de confissão. Acrescente-se, por fim, uma consciência artesanal, patente no acabamento da forma e na diversidade dos recursos métricos, peculiar ao poeta superior. Por tudo isso, continua a ser lido e apreciado. Merecidamente.
(Massaud Moisés, A literatura brasileira através dos textos. Adaptado)
Considerando a ligação entre as ideias do texto, é correto afirmar que a expressão “pelo outro” sinaliza
Aa tomada de consciência do solo natal, traduzida em uma visão épica do mundo.
Bo espírito do Romantismo nascente, que inspirou muitos poetas posteriores.
Ca passividade nos domínios do sentimento, contrapondo- se ao indianismo heroico.
Da grandeza jamais conseguida depois, observada em “Ainda uma vez – adeus!”
Eo patriotismo e a brasilidade, conceitos fundantes do indianismo e do lirismo.
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GabaritoA — a tomada de consciência do solo natal, traduzida em uma visão épica do mundo.
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Coesão referencial: o que "pelo outro" retoma no texto
Gabarito: letra A. A expressão "pelo outro" sinaliza a tomada de consciência do solo natal, traduzida em uma visão épica do mundo, como se lê no trecho: "O outro vetor que lhe orientava a fantasia continha uma adaptação aos tempos novos e uma tomada de consciência do solo natal: contraface da tendência anterior, manifesta uma visão épica do mundo". A questão testa a coesão referencial anafórica: identificar a que termo a expressão remete, usando as pistas do próprio texto.
O comando
O enunciado pede que você considere a ligação entre as ideias do texto e afirme o que a expressão "pelo outro" sinaliza. Isso é uma questão de coesão referencial: "pelo outro" é um elemento que retoma algo dito antes (anáfora). Você não precisa inferir nada além do texto; basta localizar o referente e ver qual alternativa o parafraseia corretamente.
O texto e a estrutura argumentativa
O texto de Massaud Moisés apresenta dois vetores que orientam a fantasia do poeta romântico:
Primeiro vetor: o lirismo amoroso, ligado ao amor-melancolia, amor-desespero, amor-desilusão, e ao medievalismo cavaleiresco. Esse vetor é responsável por torná-lo "mestre de muitos poetas posteriores".
Segundo vetor: a "adaptação aos tempos novos" e a "tomada de consciência do solo natal", que se manifesta numa "visão épica do mundo", traduzida no indianismo heroico e no patriotismo/brasilidade.
A expressão "pelo outro" aparece na frase: "Pelo primeiro aspecto, o poeta tornou-se mestre de muitos poetas posteriores...; e pelo outro, atualizou a temática indígena, conferindo-lhe a grandeza que desconhecia antes". O termo "outro" retoma anaforicamente o segundo vetor, que foi descrito logo antes como "contraface da tendência anterior" e que "manifesta uma visão épica do mundo". Portanto, a alternativa A é a única que parafraseia fielmente esse referente.
A técnica que decide
Em questões de coesão referencial, o caminho é:
Localizar a expressão no texto (aqui, "pelo outro").
Identificar o termo anterior que ela retoma (o "outro vetor").
Verificar o que o texto diz sobre esse termo (que ele envolve "tomada de consciência do solo natal" e "visão épica do mundo").
Confrontar com as alternativas, eliminando as que se referem a outros elementos ou que extrapolam.
A pegadinha da banca é trocar o referente: várias alternativas citam elementos do primeiro vetor ou consequências do segundo, mas não o que "pelo outro" de fato sinaliza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta atrair para o primeiro vetor (lirismo, passividade) ou para consequências do segundo (grandeza, patriotismo), mas "pelo outro" retoma especificamente o segundo vetor — a tomada de consciência do solo natal com visão épica.
PEGA ESSA DICA!
Grife os termos que indicam retomada ("pelo outro", "pelo primeiro") e pergunte: "a que isso se refere?" — a resposta está sempre no texto, não no seu conhecimento de mundo.
Coesão referencial: "pelo outro"
1Retoma (anáfora)
Segundo vetor
Tomada de consciência do solo natal
Visão épica do mundo
2Contraste com "pelo primeiro"
Primeiro vetor
Lirismo amoroso
Medievalismo cavaleiresco
Mestre de poetas posteriores
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que "pelo outro" sinaliza "a tomada de consciência do solo natal, traduzida em uma visão épica do mundo". Isso é exatamente o que o texto diz sobre o segundo vetor:
"O outro vetor que lhe orientava a fantasia continha uma adaptação aos tempos novos e uma tomada de consciência do solo natal: contraface da tendência anterior, manifesta uma visão épica do mundo"
A expressão "pelo outro" retoma esse "outro vetor", e a alternativa parafraseia o trecho sem acrescentar nada. É a única inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz que "pelo outro" sinaliza "o espírito do Romantismo nascente, que inspirou muitos poetas posteriores". O texto afirma que foi pelo primeiro aspecto que o poeta "tornou-se mestre de muitos poetas posteriores", e o "espírito do Romantismo nascente" está ligado ao lirismo amoroso (primeiro vetor). Aqui há troca de referente: a alternativa atribui a "pelo outro" algo que o texto liga ao primeiro vetor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que "pelo outro" sinaliza "a passividade nos domínios do sentimento, contrapondo-se ao indianismo heroico". A passividade é característica do primeiro vetor (lirismo amoroso), não do segundo. Além disso, o texto não estabelece uma oposição entre passividade e indianismo heroico; o segundo vetor é descrito como "contraface" do primeiro, mas não em termos de oposição direta. A alternativa contradiz a estrutura do texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D diz que "pelo outro" sinaliza "a grandeza jamais conseguida depois, observada em 'Ainda uma vez – adeus!'". O texto afirma que foi pelo outro (segundo vetor) que o poeta "atualizou a temática indígena, conferindo-lhe a grandeza que desconhecia antes e que jamais atingiu depois". No entanto, essa grandeza é atribuída à temática indígena, não à obra "Ainda uma vez – adeus!", que é citada como exemplo do primeiro vetor (lirismo amoroso). A alternativa mistura elementos dos dois vetores, criando uma afirmação que o texto não sustenta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que "pelo outro" sinaliza "o patriotismo e a brasilidade, conceitos fundantes do indianismo e do lirismo". O texto menciona patriotismo e brasilidade como parte do segundo vetor, mas não os apresenta como "conceitos fundantes" do indianismo e do lirismo. Além disso, a expressão "pelo outro" retoma o vetor como um todo (tomada de consciência do solo natal + visão épica), não apenas um de seus componentes. A alternativa restringe o alcance do referente e acrescenta uma relação de "fundamentação" que não está no texto.
Conclusão
A questão exige localizar o referente de "pelo outro" e verificar o que o texto diz sobre ele. A alternativa A é a única que parafraseia fielmente o segundo vetor, sem extrapolar, restringir ou trocar de referente. As demais cometem erros típicos de troca de referente, contradição ou extrapolação. Lembre-se: em coesão referencial, a resposta está sempre no texto, não no seu conhecimento prévio.