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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu218116
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Doc ( )

... Quem deve dirigir é quem tem capacidade. Quem tem dó e amisade ao povo. Quem governa o nosso país é quem tem dinheiro, quem não sabe o que é fome, a dor, e a aflição do pobre. Se a maioria revoltar-se, o que pode fazer a minoria? Eu estou ao lado do pobre, que é o braço. Braço desnutrido. Precisamos livrar o paiz dos políticos açambarcadores.

 

Eu ontem comi aquele macarrão do lixo com receio de morrer, porque em 1953 eu vendia ferro lá no Zinho. Havia um pretinho bonitinho. Ele ia vender ferro lá no Zinho. Ele era jovem e dizia que quem deve catar papel são os velhos. Um dia eu ia vender ferro quando parei na Avenida Bom Jardim. No Lixão, como é denominado o local. Os lixeiros haviam jogado carne no lixo. E ele escolhia uns pedaços: Disse-me:

 

— Leva, Carolina. Dá para comer.

 

Deu-me uns pedaços. Para não maguá-lo aceitei. Procurei convencê-lo a não comer aquela carne. Para comer os pães duros ruidos pelos ratos. Ele disse me que não. Que há dois dias não comia. Acendeu o fogo e assou a carne. A fome era tanta que ele não poude deixar assar a carne. Esquentou- a e comeu. Para não presenciar aquele quadro, saí pensando: faz de conta que eu não presenciei esta cena. Isto não pode ser real num paiz fértil igual ao meu. Revoltei contra o tal Serviço Social que diz ter sido criado para reajustar os desajustados, mas não toma conhecimento da existência infausta dos marginais. Vendi os ferros no Zinho e voltei para o quintal de São Paulo, a favela.  

No outro dia encontraram o pretinho morto. Os dedos do seu pé abriram. O espaço era de vinte centímetros. Ele aumentou-se como se fosse de borracha. Os dedos do pé parecia leque. Não trazia documentos. Foi sepultado como um Zé qualquer. Ninguém procurou saber seu nome. Marginal não tem nome.

 

... De quatro em quatro anos muda-se os políticos e não soluciona a fome, que tem a sua matriz nas favelas e as sucursaes nos lares dos operários.

(Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo: diário de uma favelada)

Assinale a alternativa em que a concordância nominal atende à norma-padrão.
  1. ANa Avenida Bom Jardim, Carolina e o rapazinho estavam só, falando a respeito da carne cujos pedaços foram deixado ali pelos lixeiros.
  2. BCarolina e o rapazinho eram pessoas simples e batalhadora, que enfrentavam as ruas todos os dias para poderem sobreviver.
  3. CÉ necessário a atenção com aqueles menos favorecidos, cuja existência é ignorada por aqueles que têm uma vida confortável.
  4. DNão pode ser real que, onde há terras tão fértil, ainda sejam vistas cenas cruéis como a do rapazinho morto.
  5. EComo o rapazinho, tantas pessoas são sepultadas como indigentes, porque ninguém se prontifica a conhecer seus nomes verdadeiros.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Como o rapazinho, tantas pessoas são sepultadas como indigentes, porque ninguém se prontifica a conhecer seus nomes verdadeiros.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância nominal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que todos os determinantes (artigos, adjetivos, pronomes) concordam corretamente em gênero e número com seus respectivos substantivos: "tantas pessoas são sepultadas como indigentes" e "seus nomes verdadeiros". As demais alternativas apresentam, cada uma, um desvio de concordância nominal — ora um adjetivo no singular quando deveria estar no plural, ora um adjetivo invariável usado indevidamente, ora um adjetivo que não concorda com o substantivo a que se refere.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você assinale a alternativa em que a concordância nominal atende à norma-padrão. Isso significa que você deve verificar, em cada frase, se os determinantes (artigos, adjetivos, numerais e pronomes) estão flexionados corretamente em relação ao substantivo (ou pronome) a que se referem. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de regra gramatical — o texto-base serve apenas como ponto de partida temático; o que importa é a correção sintática de cada reescritura.

A técnica: como testar cada alternativa

Para cada alternativa, identifique o núcleo do sintagma nominal e verifique se o adjetivo/pronome que o acompanha está no mesmo gênero e número. Desconfie de:

  • Adjetivo no singular quando o substantivo está no plural (ou vice-versa);

  • Adjetivo invariável (como "só", "menos", "quite") usado como se fosse variável;

  • Concordância com o termo errado (ex.: concordar com um termo intercalado em vez do núcleo).

Análise das alternativas

Concordância nominal
  • 1Regra geral
    • Determinante concorda com o núcleo
    • Gênero e número
  • 2Casos especiais
    • "necessário" (invariável só sem artigo)
    • "só" (advérbio = invariável)
    • Particípio concorda com o sujeito
  • 3Erros típicos
    • Adjetivo no singular com substantivo plural
    • Concordância com termo intercalado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"...cujos pedaços foram deixado ali pelos lixeiros."

O particípio "deixado" deveria concordar com o sujeito paciente "pedaços" (masculino plural): o correto seria "deixados". O erro está na falta de concordância do particípio com o núcleo do sujeito. Além disso, "estavam só" — aqui "só" é advérbio (sozinhos), invariável, então está correto; o problema é apenas o particípio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Carolina e o rapazinho eram pessoas simples e batalhadora..."

O adjetivo "batalhadora" deveria concordar com "pessoas" (feminino plural): o correto seria "batalhadoras". O erro é de concordância de número — o adjetivo está no singular quando o substantivo está no plural.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"É necessário a atenção com aqueles menos favorecidos..."

Aqui o adjetivo "necessário" está empregado como predicativo do sujeito "a atenção". Quando o sujeito é um substantivo determinado por artigo ("a atenção"), o adjetivo deve concordar com ele: o correto seria "É necessária a atenção". A forma invariável "necessário" só é aceita quando o substantivo não vem acompanhado de determinante (ex.: "É necessário atenção"). A banca explora exatamente essa exceção da concordância com a palavra "necessário".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"...onde há terras tão fértil..."

O adjetivo "fértil" deveria concordar com "terras" (feminino plural): o correto seria "terras tão férteis". O erro é de concordância de número — adjetivo no singular com substantivo no plural.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Como o rapazinho, tantas pessoas são sepultadas como indigentes, porque ninguém se prontifica a conhecer seus nomes verdadeiros."

Todos os determinantes estão corretos:

  • "tantas pessoas" — pronome indefinido "tantas" concorda com "pessoas" (feminino plural);

  • "sepultadas como indigentes" — adjetivo "indigentes" concorda com o sujeito "pessoas" (plural);

  • "seus nomes verdadeiros" — pronome possessivo "seus" e adjetivo "verdadeiros" concordam com "nomes" (masculino plural).

Não há nenhum desvio de concordância nominal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a exceção da concordância com "necessário" (alternativa C) e a concordância do particípio (alternativa A). A alternativa C é a mais traiçoeira: muitos candidatos sabem que "necessário" pode ser invariável, mas esquecem que isso só vale quando o substantivo não é determinado por artigo.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar concordância nominal, sublinhe o substantivo núcleo e pergunte: o adjetivo/pronome está no mesmo gênero e número? Se houver um "só", "necessário", "menos", "quite", verifique se a invariabilidade é permitida naquele contexto.

Gabarito: letra E — a única em que a concordância nominal está integralmente de acordo com a norma-padrão.

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