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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu218159
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Ass Soc ( )

“Passou em Engenharia na Federal. Está com a vida feita.”

“Coitado, entrou numa faculdade caça-níqueis. Vai enriquecer um ‘tubarão do ensino’ e vai se dar mal.”

 

Essas frases são fictícias, mas representam percepções entranhadas no nosso imaginário. A primeira descreve o caminho incensado e vitorioso de um jovem bem-nascido.

A segunda refere-se aos milhões de criaturas, bem mais modestas, que precisam trabalhar para pagar uma faculdade noturna de duvidosa reputação. Dinheiro perdido, pois ficarão infelizes, subempregados ou desempregados.

 

Sobre sua infelicidade não me arrisco a especular. Porém, sucesso ou fracasso profissional se mede. E temos os números. A partir dos anos 60, alastra-se uma sequência de estudos tentando medir os rendimentos daqueles que cursaram este ou aquele nível de educação. Pelo mundo afora, ficou claro: quem tem mais escolaridade ganha mais. Aplicando aos gastos com educação o mesmo que se faz com capital físico, podemos calcular as taxas de retorno. Demonstrou-se que são maiores do que aquelas de investimentos em negócios. E, a despeito do rápido crescimento do ensino superior, esse diploma continua sendo um excelente investimento.

 

Tais resultados progressivamente se tornaram conhecidos. Porém, como nosso modelo de universidade pública é extravagante e caro, não houve e não haverá recursos para ser replicado. Daí a expansão fenomenal da rede privada, matriculando hoje 80% dos alunos.

 

Salário futuro tem algo de loteria, um diploma nunca produz 100% de vencedores. Sorte e geografia contam, bem como outros fatores. De fato, fracassam até mesmo alguns dos mais brilhantes graduados das mais celebradas universidades. Não obstante, mostram os números, quem passou quatro anos numa faculdade, mesmo que não seja das melhores, tem uma probabilidade elevada de sucesso.

 

Portanto, está equivocado quem proclama ser má ideia entrar numa faculdade, ainda que seja fraca. Na loteria do destino, as cartas estão marcadas, favorecendo quem decidiu passar mais tempo estudando, não importa onde.

 

Tenho sérias críticas quanto ao que se ensina e como se ensina na maioria dessas faculdades. Sobretudo porque há desencontro com o perfil dos seus alunos. Sem custar mais, poderiam ser muito melhores. Ainda assim, estão oferecendo um poderoso canal de mobilidade ascendente. São muitos os vitoriosos e poucos os fracassados.

 

(Claudio de Moura Castro, “Coitado, entrou numa faculdade ruim”, 03.08.2025. Disponível em: www.estadao.com.br. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.

 

No trecho “Não obstante, mostram os números, quem passou quatro anos numa faculdade, mesmo que não seja das melhores, tem uma probabilidade elevada de sucesso.” (5o parágrafo), pode-se afirmar sobre as expressões em destaque que

  1. Aa primeira estabelece relação de sentido de oposição; enquanto a segunda, de comparação.
  2. Ba primeira estabelece relação de sentido de concessão; enquanto a segunda, de causa.
  3. Ca primeira estabelece relação de sentido de conclusão; enquanto a segunda, de comparação.
  4. Dambas estabelecem relação de sentido de concessão.
  5. Eambas estabelecem relação de sentido de causa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — ambas estabelecem relação de sentido de concessão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivos: concessão e oposição no trecho

Gabarito: letra D. As duas expressões em destaque — "Não obstante" e "mesmo que" — estabelecem relação de concessão: ambas introduzem uma ressalva que não invalida a ideia principal. No trecho, o autor afirma que "quem passou quatro anos numa faculdade, mesmo que não seja das melhores, tem uma probabilidade elevada de sucesso". A locução "mesmo que" é o conectivo concessivo por excelência, e "não obstante" funciona como adversativo-concessivo, pois contrapõe a ideia anterior (de que há fracassos) sem anulá-la.

O comando da questão

A questão pede que você identifique a relação de sentido estabelecida pelas expressões destacadas. Isso é uma tarefa de semântica dos conectivos: você deve reconhecer o valor lógico que cada conectivo imprime ao trecho. Não se trata de interpretar o texto, mas de classificar a relação que as palavras "Não obstante" e "mesmo que" criam entre as ideias.

O texto e o trecho em análise

O texto defende que, apesar das críticas às faculdades ruins, elas ainda oferecem um "poderoso canal de mobilidade ascendente". No 5º parágrafo, o autor reconhece que "fracassam até mesmo alguns dos mais brilhantes graduados", mas logo em seguida afirma que, apesar disso, quem estudou tem alta probabilidade de sucesso. É exatamente essa ressalva que os conectivos marcam.

"Não obstante, mostram os números, quem passou quatro anos numa faculdade, mesmo que não seja das melhores, tem uma probabilidade elevada de sucesso."

  • "Não obstante": inicia o período retomando a ideia de que há fracassos, mas introduz uma oposição atenuada — não anula o que foi dito, apenas ressalva. Por isso, tem valor concessivo (equivale a "apesar disso", "ainda assim").

  • "mesmo que": é uma locução conjuntiva concessiva clássica, equivalente a "ainda que", "embora". Introduz uma condição contrária (a faculdade não ser das melhores) que não impede o resultado (probabilidade de sucesso).

A técnica: concessão vs. oposição vs. causa

A pegadinha da banca está em confundir concessão com oposição. Veja a diferença:

Relação

O que faz

Exemplo

Oposição

Contrapõe duas ideias, mas sem ressalva; uma anula a outra.

"Estudou, mas não passou."

Concessão

Admite uma objeção, mas não a anula; a ideia principal permanece.

"Embora não tenha estudado, passou."

Causa

Indica o motivo, a razão do fato.

"Passou porque estudou."

No trecho, "Não obstante" poderia ser trocado por "apesar disso" ou "ainda assim" — todos concessivos. Já "mesmo que" é inequivocamente concessivo. Nenhuma das duas expressões indica causa, comparação ou conclusão.

Análise das alternativas

1Não obstante
equivale a "apesar disso"
ressalva que não anula
2Mesmo que
locução concessiva clássica
equivale a "ainda que", "embora"
3Distinção chave
Concessão: admite objeção sem anular
Oposição: contrapõe e anula
Causa: indica motivo
Conectivos concessivos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos concessivos: Não obstante (equivale a "apesar disso", ressalva que não anula); Mesmo que (locução concessiva clássica, equivale a "ainda que", "embora"); Distinção chave (Concessão: admite objeção sem anular, Oposição: contrapõe e anula, Causa: indica motivo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A primeira expressão ("Não obstante") não é de oposição pura, mas de concessão (ressalva). A segunda ("mesmo que") não é de comparação — comparação seria "como", "tal qual". A alternativa troca o valor semântico dos conectivos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A primeira expressão é de concessão, não de oposição (embora "não obstante" seja adversativo, no contexto tem valor concessivo). A segunda é de concessão, não de causa — causa seria "porque", "já que". A alternativa erra ao classificar a segunda como causal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A primeira expressão não é de conclusão — conclusão seria "portanto", "logo". A segunda não é de comparação. A alternativa inventa relações que não existem no trecho.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Ambas as expressões estabelecem concessão. "Não obstante" equivale a "apesar disso" (concessivo), e "mesmo que" é locução concessiva. O trecho admite a ressalva (faculdade fraca) sem anular a conclusão (probabilidade de sucesso). É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Nenhuma das expressões indica causa. Causa seria "porque", "visto que". A alternativa atribui valor causal a conectivos que são concessivos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre concessão e oposição. "Não obstante" é tradicionalmente adversativo, mas no contexto funciona como concessivo (ressalva). Já "mesmo que" é concessivo, mas muitos candidatos o confundem com causa ou comparação.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir concessão de oposição, pergunte: a ideia contrária anula a principal? Se não anula, é concessão. Troque o conectivo por "embora" ou "apesar de" — se fizer sentido, é concessão.

Conclusão: a questão testa o valor semântico dos conectivos. A resposta correta é a letra D, pois tanto "Não obstante" quanto "mesmo que" expressam concessão — uma ressalva que não invalida a ideia principal. Lembre-se: concessão = "apesar de", oposição = "mas", causa = "porque".

Gabarito: letra D

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