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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2025

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu218160
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Ass Soc ( )

“Passou em Engenharia na Federal. Está com a vida feita.”

“Coitado, entrou numa faculdade caça-níqueis. Vai enriquecer um ‘tubarão do ensino’ e vai se dar mal.”

 

Essas frases são fictícias, mas representam percepções entranhadas no nosso imaginário. A primeira descreve o caminho incensado e vitorioso de um jovem bem-nascido.

A segunda refere-se aos milhões de criaturas, bem mais modestas, que precisam trabalhar para pagar uma faculdade noturna de duvidosa reputação. Dinheiro perdido, pois ficarão infelizes, subempregados ou desempregados.

 

Sobre sua infelicidade não me arrisco a especular. Porém, sucesso ou fracasso profissional se mede. E temos os números. A partir dos anos 60, alastra-se uma sequência de estudos tentando medir os rendimentos daqueles que cursaram este ou aquele nível de educação. Pelo mundo afora, ficou claro: quem tem mais escolaridade ganha mais. Aplicando aos gastos com educação o mesmo que se faz com capital físico, podemos calcular as taxas de retorno. Demonstrou-se que são maiores do que aquelas de investimentos em negócios. E, a despeito do rápido crescimento do ensino superior, esse diploma continua sendo um excelente investimento.

 

Tais resultados progressivamente se tornaram conhecidos. Porém, como nosso modelo de universidade pública é extravagante e caro, não houve e não haverá recursos para ser replicado. Daí a expansão fenomenal da rede privada, matriculando hoje 80% dos alunos.

 

Salário futuro tem algo de loteria, um diploma nunca produz 100% de vencedores. Sorte e geografia contam, bem como outros fatores. De fato, fracassam até mesmo alguns dos mais brilhantes graduados das mais celebradas universidades. Não obstante, mostram os números, quem passou quatro anos numa faculdade, mesmo que não seja das melhores, tem uma probabilidade elevada de sucesso.

 

Portanto, está equivocado quem proclama ser má ideia entrar numa faculdade, ainda que seja fraca. Na loteria do destino, as cartas estão marcadas, favorecendo quem decidiu passar mais tempo estudando, não importa onde.

 

Tenho sérias críticas quanto ao que se ensina e como se ensina na maioria dessas faculdades. Sobretudo porque há desencontro com o perfil dos seus alunos. Sem custar mais, poderiam ser muito melhores. Ainda assim, estão oferecendo um poderoso canal de mobilidade ascendente. São muitos os vitoriosos e poucos os fracassados.

 

(Claudio de Moura Castro, “Coitado, entrou numa faculdade ruim”, 03.08.2025. Disponível em: www.estadao.com.br. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.   Assinale a alternativa em que a expressão em destaque pode ser substituída pelo que está entre colchetes, mantendo- se a norma-padrão de colocação pronominal.
  1. ASobre sua infelicidade não me arrisco [arrisco-me] a especular. (3o parágrafo)
  2. BPorém, sucesso ou fracasso profissional se mede [mede-se]. (3o parágrafo)
  3. CDemonstrou-se [Se demonstrou] que são maiores do que aquelas de investimentos em negócios. (3o parágrafo)
  4. DTais resultados progressivamente se tornaram [tornaram-se] conhecidos. (4o parágrafo)
  5. ETenho sérias críticas quanto ao que se ensina [ensina-se] e como se ensina… (7o parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Porém, sucesso ou fracasso profissional se mede [mede-se]. (3o parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: próclise, ênclise e a substituição que preserva a norma-padrão

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que a substituição mantém a norma-padrão de colocação pronominal: em "sucesso ou fracasso profissional se mede", o pronome se está em próclise porque há uma conjunção subordinativa ("Porém") atraindo-o para antes do verbo; a troca por "mede-se" (ênclise) é igualmente correta, pois não há proibição que impeça a ênclise nesse contexto. Como se lê no 3º parágrafo: "Porém, sucesso ou fracasso profissional se mede." — a presença do conectivo "Porém" autoriza a próclise, mas a ênclise também é aceita, pois a regra de atração não é proibitiva.

O comando pede que você substitua a expressão em destaque pela forma entre colchetes mantendo a norma-padrão. Isso significa que a troca deve respeitar as regras de colocação pronominal: próclise (pronome antes do verbo), ênclise (depois) e mesóclise (no meio). A banca não quer saber se a forma original está certa ou errada — quer saber se a nova forma também está correta. Portanto, você deve testar cada alternativa perguntando: "a forma entre colchetes é aceitável na norma culta?"

O texto-base é um artigo de opinião sobre o valor do diploma universitário. No 3º parágrafo, o autor afirma que "sucesso ou fracasso profissional se mede" e que "temos os números". A questão, porém, não exige interpretação do conteúdo — ela usa o texto apenas como contexto para cobrar a regra gramatical de colocação pronominal. Por isso, a resposta se resolve pela gramática, não pela leitura do texto.

A regra central da colocação pronominal é: próclise (pronome antes do verbo) é obrigatória quando há palavras atrativas — conjunções subordinativas (que, se, embora, quando, como), palavras negativas (não, nunca, jamais), advérbios (aqui, agora, talvez, já), pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde), pronomes indefinidos (nada, tudo, alguém) e pronomes interrogativos (quem, que, qual). Ênclise (pronome depois do verbo) é a forma "residual": usada quando não há palavra atrativa, como no início de orações ("Dá-me um cigarro"). Mesóclise (pronome no meio do verbo) ocorre com verbos no futuro do presente ou do pretérito, desde que não haja palavra atrativa ("Convidar-me-ão").

A pegadinha da banca está em distinguir próclise obrigatória de próclise facultativa. Quando há palavra atrativa, a próclise é obrigatória — mas isso não significa que a ênclise seja proibida em todos os casos. Em B, a conjunção "Porém" atrai o pronome para antes do verbo, mas a ênclise "mede-se" também é aceita, pois não há proibição que a impeça. Já nas demais alternativas, a troca quebra uma regra específica: em A, a palavra negativa "não" exige próclise, então "arrisco-me" seria inadequado; em C, "Demonstrou-se" é uma forma fixa da voz passiva pronominal, e "Se demonstrou" soaria artificial; em D, o advérbio "progressivamente" atrai o pronome, então "tornaram-se" seria inadequado; em E, o pronome relativo "que" atrai o pronome, então "ensina-se" seria inadequado.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar a substituição, pergunte: "há palavra atrativa antes do verbo?" Se sim, a próclise é obrigatória — mas verifique se a ênclise é proibida (como após advérbio sem vírgula) ou apenas facultativa (como após conjunção subordinativa). A banca adora cobrar essa diferença sutil.

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavras atrativas
      • Negativas (não, nunca)
      • Advérbios (progressivamente)
      • Pronomes relativos (que)
      • Conjunções subordinativas (Porém)
    • Obrigatória com atrativa
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Início de oração
    • Facultativa após conjunção
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente/pretérito
    • Sem palavra atrativa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A substituição não mantém a norma-padrão. No trecho "Sobre sua infelicidade não me arrisco", a palavra "não" é uma palavra negativa, que atrai o pronome para antes do verbo, tornando a próclise obrigatória. A forma "arrisco-me" (ênclise) seria inadequada, pois a ênclise é proibida quando há palavra atrativa. O erro é de generalização: a banca tenta fazer você acreditar que a ênclise é sempre aceitável, mas aqui ela quebra a regra de atração.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A substituição mantém a norma-padrão. No trecho "Porém, sucesso ou fracasso profissional se mede", a conjunção "Porém" atrai o pronome para antes do verbo, mas a ênclise "mede-se" também é aceita, pois não há proibição que a impeça. A regra é: a próclise é obrigatória com palavra atrativa, mas a ênclise é permitida quando não há proibição específica. Aqui, a conjunção subordinativa não proíbe a ênclise, então ambas as formas são corretas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A substituição não mantém a norma-padrão. No trecho "Demonstrou-se que são maiores", a forma "Demonstrou-se" é uma voz passiva pronominal (ou reflexiva) fixa, e a troca por "Se demonstrou" soaria artificial e inadequada na norma culta. Além disso, a forma "Se demonstrou" não é usada em início de oração, pois a ênclise é a forma natural nesse contexto. O erro é de troca de conceito: a banca tenta fazer você acreditar que a próclise é sempre preferível, mas aqui a ênclise é a forma correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A substituição não mantém a norma-padrão. No trecho "Tais resultados progressivamente se tornaram", o advérbio "progressivamente" atrai o pronome para antes do verbo, tornando a próclise obrigatória. A forma "tornaram-se" (ênclise) seria inadequada, pois a ênclise é proibida quando há advérbio sem vírgula antes do verbo. O erro é de generalização: a banca tenta fazer você acreditar que a ênclise é sempre aceitável, mas aqui ela quebra a regra de atração.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A substituição não mantém a norma-padrão. No trecho "quanto ao que se ensina", o pronome relativo "que" atrai o pronome para antes do verbo, tornando a próclise obrigatória. A forma "ensina-se" (ênclise) seria inadequada, pois a ênclise é proibida quando há pronome relativo antes do verbo. O erro é de generalização: a banca tenta fazer você acreditar que a ênclise é sempre aceitável, mas aqui ela quebra a regra de atração.

Conclusão: a única substituição que preserva a norma-padrão é a da letra B, pois a ênclise "mede-se" é aceita mesmo com a conjunção "Porém" atraindo o pronome. Nas demais, a troca quebra a regra de atração (A, D, E) ou a forma fixa da voz passiva (C).

Gabarito: letra B

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