Leia a citação a seguir, de Gilbert Keith Chesterton, para responder à questão abaixo. Pode-se deduzir dessa citação que
Aas ações certas de alguns influenciam os erros de outros.
Bnão importa o que se faça, pois haverá quem faça tudo diferente.
Cé inviável distinguir as ações humanas corretas das incorretas.
Do certo e o errado baseiam-se em princípios socialmente estabelecidos.
Etodos os que estão errados evitam praticar atos errados.
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GabaritoD — o certo e o errado baseiam-se em princípios socialmente estabelecidos.
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Inferência a partir da citação de Chesterton
Gabarito: letra D. A citação afirma que o certo e o errado não dependem da opinião ou da prática das pessoas — "o certo é certo, mesmo que ninguém o faça; o errado é errado, mesmo que todos estejam errados sobre isso". Disso se deduz que há um critério externo e estável que define o certo e o errado, e a alternativa D traduz esse critério como princípios socialmente estabelecidos. As demais alternativas ou extrapolam o texto (A, B, E) ou o contradizem (C).
O comando: "Pode-se deduzir"
O verbo "deduzir" indica que a questão é de inferência: a resposta não está literalmente escrita, mas é uma conclusão necessária a partir das pistas do texto. Não se trata de localizar uma informação explícita (compreensão), mas de extrair uma consequência lógica do que foi dito. A banca quer que você perceba a relação de causa e consequência implícita: se o certo e o errado independem da opinião alheia, então eles se fundamentam em algo anterior e superior aos indivíduos — e a alternativa D nomeia esse fundamento como "princípios socialmente estabelecidos".
O texto: a tese de Chesterton
A citação é um aforismo (frase de sentido completo e geral). A tese é clara: a validade do certo e do errado é objetiva, não depende de quem os pratica ou de quem os julga. O autor usa duas oposições para reforçar essa ideia:
"certo é certo, mesmo que ninguém o faça" → a prática (ou a falta dela) não altera a natureza do certo;
"errado é errado, mesmo que todos estejam errados sobre isso" → a opinião majoritária (ou unânime) não transforma o errado em certo.
A estrutura "mesmo que" é uma concessão: introduz uma objeção hipotética (ninguém faz / todos erram) que, ainda que verdadeira, não muda a conclusão. É exatamente essa concessão que autoriza a inferência de que o certo e o errado não são definidos pelo consenso ou pela prática, mas por algo anterior e independente — que a alternativa D chama de "princípios socialmente estabelecidos".
A técnica: inferência legítima × extrapolação
Aqui está o coração da questão. Inferência legítima é aquela que se apoia em pistas do próprio texto — como a concessão "mesmo que" — e que o texto obriga a concluir. Extrapolação é quando você acrescenta uma ideia que não está no texto, mesmo que ela pareça verdadeira no mundo real.
Veja como aplicar isso a cada alternativa:
A diz que "as ações certas de alguns influenciam os erros de outros". O texto não fala de influência entre pessoas; fala de independência entre o certo/errado e a opinião alheia. É uma extrapolação — a banca inventa uma relação de causa e efeito que não existe na citação.
B diz que "não importa o que se faça, pois haverá quem faça tudo diferente". O texto não afirma que tudo é relativo ou que as ações são equivalentes; afirma exatamente o oposto: há uma distinção objetiva entre certo e errado. É uma generalização indevida que distorce a tese.
C diz que "é inviável distinguir as ações humanas corretas das incorretas". Isso contradiz frontalmente o texto, que parte do pressuposto de que é possível distinguir — tanto que afirma categoricamente o que é certo e o que é errado.
D diz que "o certo e o errado baseiam-se em princípios socialmente estabelecidos". Essa é a inferência correta: se o certo e o errado não dependem da prática nem da opinião, então devem se basear em princípios — que, no contexto social, são os princípios socialmente estabelecidos (normas, valores, convenções). O texto não nomeia esses princípios, mas a dedução é necessária: algo fundamenta a distinção, e esse algo é externo ao indivíduo.
E diz que "todos os que estão errados evitam praticar atos errados". O texto não afirma que quem erra evita o erro; apenas constata que o erro continua sendo erro mesmo que todos o cometam. É uma extrapolação — a banca acrescenta uma consequência comportamental que não está na citação.
A pegadinha da banca
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tentação de relativizar a citação (alternativas A, B, E) ou de negar a possibilidade de julgamento (alternativa C). A chave é perceber que o texto afirma a objetividade do certo e do errado — e a única alternativa que preserva essa objetividade é a D.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de inferência, pergunte-se: "o texto obriga a essa conclusão, ou eu estou acrescentando uma ideia de fora?". Se a alternativa depende de uma informação que não está no texto, é extrapolação — e extrapolação é erro.
Inferência (deduzir)
1Apoia-se em pistas do texto
Concessão "mesmo que"
Conclusão obrigatória
2Ex.: certo/errado independem da opinião
Fundamentam-se em princípios
3Extrapolação (erro)
Acrescenta ideia de fora
Sem pista no texto
Ex.: influência entre pessoas (A)
Ex.: relativismo total (B)
Ex.: consequência comportamental (E)
Contradiz o texto
Ex.: inviável distinguir (C)
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Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não menciona influência entre as ações de pessoas diferentes. A citação fala da independência entre o certo/errado e a opinião alheia — não de uma relação causal entre o que uns fazem e o que outros erram. A alternativa inventa uma conexão que não existe.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. O texto não diz que "não importa o que se faça" — pelo contrário, afirma que importa, pois há uma distinção objetiva entre certo e errado. A alternativa relativiza a tese, transformando-a em um ceticismo moral que o autor não defende.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A citação pressupõe que é possível distinguir o certo do errado — tanto que os classifica categoricamente. Dizer que é "inviável distinguir" é o oposto do que o texto afirma. A alternativa nega a premissa básica do aforismo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Inferência legítima. O texto afirma que o certo e o errado independem da prática e da opinião. A única forma de sustentar essa independência é admitir que eles se baseiam em princípios — que, no contexto social, são os princípios socialmente estabelecidos. A alternativa não acrescenta nada de fora; apenas nomeia o fundamento que o texto implica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não afirma que quem erra evita o erro; apenas constata que o erro continua sendo erro mesmo que todos o cometam. A alternativa acrescenta uma consequência comportamental (evitar) que não está na citação.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de distinguir inferência de extrapolação. A alternativa D é a única que se apoia em uma pista do texto (a concessão "mesmo que") e conclui algo que o texto obriga a concluir. As demais ou inventam relações (A, B, E) ou negam a tese (C).