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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218164
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Tec Agro ( )

O certo é certo, mesmo que ninguém o faça. O errado é errado, mesmo que todos estejam errados sobre isso.

 

(Disponível em: https://www. chesterton.org. Tradução livre)

Leia a citação a seguir, de Gilbert Keith Chesterton, para responder à questão abaixo.   Pode-se deduzir dessa citação que
  1. Aas ações certas de alguns influenciam os erros de outros.
  2. Bnão importa o que se faça, pois haverá quem faça tudo diferente.
  3. Cé inviável distinguir as ações humanas corretas das incorretas.
  4. Do certo e o errado baseiam-se em princípios socialmente estabelecidos.
  5. Etodos os que estão errados evitam praticar atos errados.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o certo e o errado baseiam-se em princípios socialmente estabelecidos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência a partir da citação de Chesterton

Gabarito: letra D. A citação afirma que o certo e o errado não dependem da opinião ou da prática das pessoas — "o certo é certo, mesmo que ninguém o faça; o errado é errado, mesmo que todos estejam errados sobre isso". Disso se deduz que há um critério externo e estável que define o certo e o errado, e a alternativa D traduz esse critério como princípios socialmente estabelecidos. As demais alternativas ou extrapolam o texto (A, B, E) ou o contradizem (C).

O comando: "Pode-se deduzir"

O verbo "deduzir" indica que a questão é de inferência: a resposta não está literalmente escrita, mas é uma conclusão necessária a partir das pistas do texto. Não se trata de localizar uma informação explícita (compreensão), mas de extrair uma consequência lógica do que foi dito. A banca quer que você perceba a relação de causa e consequência implícita: se o certo e o errado independem da opinião alheia, então eles se fundamentam em algo anterior e superior aos indivíduos — e a alternativa D nomeia esse fundamento como "princípios socialmente estabelecidos".

O texto: a tese de Chesterton

A citação é um aforismo (frase de sentido completo e geral). A tese é clara: a validade do certo e do errado é objetiva, não depende de quem os pratica ou de quem os julga. O autor usa duas oposições para reforçar essa ideia:

  • "certo é certo, mesmo que ninguém o faça" → a prática (ou a falta dela) não altera a natureza do certo;

  • "errado é errado, mesmo que todos estejam errados sobre isso" → a opinião majoritária (ou unânime) não transforma o errado em certo.

A estrutura "mesmo que" é uma concessão: introduz uma objeção hipotética (ninguém faz / todos erram) que, ainda que verdadeira, não muda a conclusão. É exatamente essa concessão que autoriza a inferência de que o certo e o errado não são definidos pelo consenso ou pela prática, mas por algo anterior e independente — que a alternativa D chama de "princípios socialmente estabelecidos".

A técnica: inferência legítima × extrapolação

Aqui está o coração da questão. Inferência legítima é aquela que se apoia em pistas do próprio texto — como a concessão "mesmo que" — e que o texto obriga a concluir. Extrapolação é quando você acrescenta uma ideia que não está no texto, mesmo que ela pareça verdadeira no mundo real.

Veja como aplicar isso a cada alternativa:

  • A diz que "as ações certas de alguns influenciam os erros de outros". O texto não fala de influência entre pessoas; fala de independência entre o certo/errado e a opinião alheia. É uma extrapolação — a banca inventa uma relação de causa e efeito que não existe na citação.

  • B diz que "não importa o que se faça, pois haverá quem faça tudo diferente". O texto não afirma que tudo é relativo ou que as ações são equivalentes; afirma exatamente o oposto: há uma distinção objetiva entre certo e errado. É uma generalização indevida que distorce a tese.

  • C diz que "é inviável distinguir as ações humanas corretas das incorretas". Isso contradiz frontalmente o texto, que parte do pressuposto de que é possível distinguir — tanto que afirma categoricamente o que é certo e o que é errado.

  • D diz que "o certo e o errado baseiam-se em princípios socialmente estabelecidos". Essa é a inferência correta: se o certo e o errado não dependem da prática nem da opinião, então devem se basear em princípios — que, no contexto social, são os princípios socialmente estabelecidos (normas, valores, convenções). O texto não nomeia esses princípios, mas a dedução é necessária: algo fundamenta a distinção, e esse algo é externo ao indivíduo.

  • E diz que "todos os que estão errados evitam praticar atos errados". O texto não afirma que quem erra evita o erro; apenas constata que o erro continua sendo erro mesmo que todos o cometam. É uma extrapolação — a banca acrescenta uma consequência comportamental que não está na citação.

A pegadinha da banca

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tentação de relativizar a citação (alternativas A, B, E) ou de negar a possibilidade de julgamento (alternativa C). A chave é perceber que o texto afirma a objetividade do certo e do errado — e a única alternativa que preserva essa objetividade é a D.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, pergunte-se: "o texto obriga a essa conclusão, ou eu estou acrescentando uma ideia de fora?". Se a alternativa depende de uma informação que não está no texto, é extrapolação — e extrapolação é erro.

Inferência (deduzir)
  • 1Apoia-se em pistas do texto
    • Concessão "mesmo que"
    • Conclusão obrigatória
  • 2Ex.: certo/errado independem da opinião
    • Fundamentam-se em princípios
  • 3Extrapolação (erro)
    • Acrescenta ideia de fora
      • Sem pista no texto
      • Ex.: influência entre pessoas (A)
      • Ex.: relativismo total (B)
      • Ex.: consequência comportamental (E)
    • Contradiz o texto
      • Ex.: inviável distinguir (C)
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona influência entre as ações de pessoas diferentes. A citação fala da independência entre o certo/errado e a opinião alheia — não de uma relação causal entre o que uns fazem e o que outros erram. A alternativa inventa uma conexão que não existe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida. O texto não diz que "não importa o que se faça" — pelo contrário, afirma que importa, pois há uma distinção objetiva entre certo e errado. A alternativa relativiza a tese, transformando-a em um ceticismo moral que o autor não defende.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A citação pressupõe que é possível distinguir o certo do errado — tanto que os classifica categoricamente. Dizer que é "inviável distinguir" é o oposto do que o texto afirma. A alternativa nega a premissa básica do aforismo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Inferência legítima. O texto afirma que o certo e o errado independem da prática e da opinião. A única forma de sustentar essa independência é admitir que eles se baseiam em princípios — que, no contexto social, são os princípios socialmente estabelecidos. A alternativa não acrescenta nada de fora; apenas nomeia o fundamento que o texto implica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não afirma que quem erra evita o erro; apenas constata que o erro continua sendo erro mesmo que todos o cometam. A alternativa acrescenta uma consequência comportamental (evitar) que não está na citação.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de distinguir inferência de extrapolação. A alternativa D é a única que se apoia em uma pista do texto (a concessão "mesmo que") e conclui algo que o texto obriga a concluir. As demais ou inventam relações (A, B, E) ou negam a tese (C).

Gabarito: letra D

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