Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu218169
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Tec Agro ( )
O século 21, tudo indica, não será mais predominantemente norte-americano e menos ainda europeu. Com velocidade surpreendente, envelheceu a ideia de uma modernidade baseada na expansão contínua da mercantilização de todas as coisas e de todas as relações humanas. Já podemos dizer com certeza que a modernidade dita neoliberal, que se disseminou com o colapso do socialismo de Estado, pecou por déficit crescentemente intolerável de imaginação política.
A interdependência entre os sistemas econômicos deu muitíssimos passos à frente, com a circulação instantânea do dinheiro, a mundialização das cadeias de valor, a mobilidade intensa de mercadorias e pessoas. E uma vasta classe média global, apesar das desigualdades, apareceu no cenário.
Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, até mesmo num sentido particularmente negativo, com a crise – inédita e crescente – das relações com a natureza, a disseminação de armas nucleares e a possibilidade de aplicação de inteligência artificial aos conflitos armados. De nenhum desses possíveis desastres, como é óbvio, estará a salvo qualquer povo eleito ou nação excepcional. Sem política, e deixado a si mesmo, esse movimento das coisas pareceu, e parece, dotado de uma inquietante autonomia, acontecendo fantasmagoricamente acima da consciência e da ação coletiva.
Sempre se soube que a unidade tendencial do gênero humano, este belo sonho multissecular, não se daria como um processo automático e sem turbulência, ainda que a complexidade das situações recorrentemente nos espante. O descompasso entre o mundo amplo da economia e o âmbito estritamente nacional da política terminou por produzir seus frutos daninhos na forma de uma imensa crise da globalização.
(Luiz Sérgio Henriques, “O Brasil no espelho do mundo”.
Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.
Observe o sentido das expressões destacadas nesta passagem do 2o parágrafo:
Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, até mesmo num sentido particularmente negativo, com a crise – inédita e crescente – das relações com a natureza, a disseminação de armas nucleares e a possibilidade de aplicação de inteligência artificial aos conflitos armados.
Assinale a alternativa em que essas expressões estão substituídas, respectivamente, sem prejuízo ao sentido original.
Aigualmente ... pela crise
Balém de ... junto à crise
Cacertadamente ... em meio à crise
Dde preferência ... em face da crise
Einclusive ... graças à crise
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GabaritoE — inclusive ... graças à crise
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita de expressões: o valor de "até mesmo" e "com" no texto
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que preserva integralmente o sentido das expressões destacadas: "até mesmo" equivale a "inclusive" (ideia de inclusão, acréscimo de um elemento a uma série) e "com" equivale a "graças à" (ideia de causa, motivo). Como se lê no 2º parágrafo, o autor afirma que nos tornamos interdependentes "até mesmo num sentido particularmente negativo, com a crise – inédita e crescente – das relações com a natureza", ou seja, a crise é a causa dessa interdependência negativa, e não uma mera circunstância.
A questão pede uma reescritura sem prejuízo de sentido: você deve substituir as expressões destacadas por outras que mantenham exatamente o mesmo valor semântico no contexto. Não se trata de encontrar sinônimos isolados, mas de preservar a relação lógica que cada expressão estabelece no trecho. O comando "sem prejuízo ao sentido original" é o aviso de que a banca testa sua capacidade de reconhecer o valor semântico de conectivos e preposições em contexto.
No trecho, o autor desenvolve a tese de que a interdependência humana se aprofundou, inclusive em aspectos negativos. A expressão "até mesmo" introduz um elemento adicional a uma lista (o sentido negativo soma-se aos positivos já mencionados), funcionando como um operador de inclusão. Já a preposição "com" estabelece uma relação de causa: é a crise das relações com a natureza, a disseminação de armas nucleares e a possibilidade de aplicação de IA aos conflitos armados que provocam essa interdependência negativa. Portanto, a substituição correta deve manter essas duas relações: inclusão e causa.
A técnica para resolver é simples: teste cada alternativa substituindo as expressões no trecho original e verifique se a relação lógica se mantém. Se a substituição alterar a relação (por exemplo, trocar causa por companhia), a alternativa está errada. Vamos analisar cada uma.
"Até mesmo": Valor: inclusão; Equivale a "inclusive"; "Com" (Valor: causa, Equivale a "graças à"); Erros comuns (Trocar causa por companhia ("junto à"), Trocar inclusão por comparação ("igualmente"), Acrescentar juízo de valor ("acertadamente"))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A substituição por "igualmente ... pela crise" falha duplamente. "Igualmente" não equivale a "até mesmo": enquanto "até mesmo" acrescenta um elemento a uma série (inclusão), "igualmente" indica semelhança ou comparação ("do mesmo modo"). Além disso, "pela crise" pode até sugerir causa, mas a troca de "com" por "pela" altera a regência e o sentido: no original, "com" introduz a causa de forma mais ampla, enquanto "pela" restringe a relação a um agente específico. O erro é de troca de conceito: a alternativa confunde inclusão com comparação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Além de ... junto à crise" também não preserva o sentido. "Além de" até pode ter valor de inclusão (semelhante a "até mesmo"), mas "junto à crise" indica proximidade ou companhia, não causa. No original, a crise é a causa da interdependência negativa; na alternativa, ela vira uma mera circunstância espacial ou de companhia. O erro é de troca de conceito: a banca troca a relação de causa por uma de companhia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Acertadamente ... em meio à crise" é a mais distante do sentido original. "Acertadamente" significa "de forma correta", um juízo de valor que não existe no texto — o autor não avalia a interdependência como acertada ou não. Já "em meio à crise" indica circunstância (estar no meio da crise), não causa. A alternativa acrescenta opinião (o juízo de valor) e restringe a relação causal a uma circunstancial. Erro de extrapolação e troca de conceito.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"De preferência ... em face da crise" também falha. "De preferência" indica preferência ou escolha, algo que o texto não menciona — o autor não diz que prefere um sentido negativo. "Em face da crise" pode até sugerir causa ("diante da crise"), mas a primeira expressão já invalida a alternativa. O erro é de extrapolação: a alternativa introduz uma ideia de preferência que não está no texto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Inclusive ... graças à crise" é a substituição perfeita. "Inclusive" é sinônimo exato de "até mesmo": ambos indicam inclusão, acréscimo de um elemento a uma série. "Graças à" expressa causa, assim como "com" no contexto: a crise é o motivo pelo qual nos tornamos interdependentes de forma negativa. Veja a equivalência:
"Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, até mesmo num sentido particularmente negativo, com a crise – inédita e crescente – das relações com a natureza..."
Substituindo: "Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, inclusive num sentido particularmente negativo, graças à crise – inédita e crescente – das relações com a natureza..." — o sentido permanece idêntico: a crise é a causa da interdependência negativa, e o sentido negativo é incluído na lista de aspectos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o "com" de causa e o "com" de companhia/meio. Muitos candidatos escolhem "junto à" (companhia) ou "em meio à" (circunstância), mas o texto deixa claro que a crise é o motivo da interdependência negativa.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir expressões, pergunte-se: "qual relação lógica essa expressão estabelece?" Se for inclusão, procure "inclusive", "até mesmo", "também". Se for causa, procure "por causa de", "devido a", "graças a". Teste sempre a substituição no trecho original.
Conclusão: a única alternativa que mantém as duas relações semânticas — inclusão (até mesmo = inclusive) e causa (com = graças à) — é a letra E. As demais ou trocam a relação (companhia, circunstância) ou acrescentam ideias que o texto não contém (preferência, juízo de valor).