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Questão de Português — Crase — VUNESP 2025

PortuguêsCrase
Código
vu218181
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CF/CM ( )

Leia o texto, para responder à questão.

 

“Depósito”: o modo como uma casa de repouso para idosos é chamada em um novo livro de ficção pretende denunciar as incongruências de nossa relação com a velhice e com os idosos ao nosso redor. Em Jasmins, publicado pela editora Maralto, Claudia Nina retrata a dura relação entre a cuidadora Yasmin e a idosa Wanda, num momento da história em que o fenômeno da longevidade interpela a nossa atenção à população idosa.

 

“Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas, seja para a realização de atividades básicas da vida diária e econômica ou emocionalmente, principalmente aqueles com déficits cognitivos ou limitações naturais do próprio envelhecimento”, explica a psicóloga Allana Moraes. “Por essas razões, lamentavelmente, o idoso também se encontra mais suscetível a ser vítima de violências nos mais variados âmbitos, seja familiar, institucional ou social”.

 

De acordo com Allana, é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado como o espaço de maior incidência de abandono e maus-tratos acometidos contra o idoso, com episódios de violência psicológica, física, moral e patrimonial perpetrados por filhos ou cônjuges. Diversos fatores desempenham um papel nesse tipo de cenário, entre os quais o que pode ser chamado de transmissão transgeracional da violência e do abandono.

 

“O fato de os idosos se transformarem em vítimas igualmente se relaciona às raízes familiares, à violência ou abandono por eles perpetrados no passado, assim como terem apresentado comportamentos disruptivos, agressividade e atitudes provocativas em relação aos familiares”, explica a psicóloga. “Portanto, para analisar os motivos que levam um familiar a agir com violência em relação a um idoso, há que se levar em conta não só características dos idosos ou da família, já que se trata de um fenômeno multideterminado e que deve ser analisado em sua complexidade”.

 

Entre os fatores em jogo, há também aquilo que o gerontólogo Robert N. Butler chamou já em 1969 de “ageísmo” ou “idadismo”, ou seja, a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas. “Butler descreveu três aspectos deste tipo de preconceito: atitudes negativas em relação aos idosos, à velhice e ao processo de envelhecimento; práticas discriminatórias contra idosos; e práticas e políticas institucionais que perpetuam estereótipos e atitudes negativas sobre os idosos”, pontua Allana.

 

A saúde dos vínculos afetivos entre o idoso e os seus cuidadores é um fator de proteção contra a violência muito significativo. Com a atenção à saúde mental dos profissionais cuidadores e com a proximidade da família, casas de repouso deixariam de ser “depósitos” e se tornariam pontos de apoio fundamentais em uma sociedade cada vez mais idosa.

 

(Disponível em: https://www.semprefamilia.com.br. Acesso em: 08.04.2025. Adaptado)

A alternativa em que a expressão entre parênteses substitui os termos destacados, de acordo com a norma- padrão de emprego do sinal indicativo de crase, é:
  1. A… denunciar as incongruências… (à toda incongruência)
  2. B… é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado… (passa à ser apresentado)
  3. C… motivos que levam um familiar a agir com violência… (à ações violentas)
  4. D… igualmente se relaciona às raízes familiares… (à certas origens familiares)
  5. E… direcionada a pessoas mais velhas… (àquelas pessoas)
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GabaritoE — … direcionada a pessoas mais velhas… (àquelas pessoas)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: substituição de termos destacados

Gabarito: letra E. A única substituição que mantém a correção gramatical é a da alternativa E, pois "aquelas" é um pronome demonstrativo que admite a contração com a preposição "a" exigida pelo verbo "direcionada" (quem é direcionado, é direcionado a algo/alguém). No trecho original, "direcionada a pessoas mais velhas" já apresenta a preposição "a" sem artigo (pois "pessoas" está em sentido genérico); ao substituir por "àquelas pessoas", ocorre a fusão da preposição "a" com o "a" inicial do pronome demonstrativo "aquelas", formando "àquelas" — crase obrigatória, como se lê no 5º parágrafo: "mais comumente direcionada a pessoas mais velhas".

O comando da questão

O enunciado pede que se verifique qual expressão entre parênteses substitui os termos destacados de acordo com a norma-padrão de emprego do sinal indicativo de crase. Isso significa que não basta a substituição ser semanticamente equivalente; é preciso que a regência do verbo ou nome permaneça correta e que o uso do acento grave esteja adequado. Trata-se de uma questão de gramática normativa aplicada ao texto, não de interpretação.

O texto e o ponto de ancoragem

O texto trata da relação da sociedade com a velhice, do ageísmo e da violência contra idosos. No 5º parágrafo, lê-se:

"a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas"

A expressão "direcionada a" exige a preposição "a". No original, "pessoas" está em sentido genérico, sem artigo, por isso não há crase. Ao substituir por "aquelas pessoas", o pronome demonstrativo "aquelas" já traz embutido o artigo "as", e a preposição "a" se funde com ele, gerando "àquelas". Essa é a regra clássica: crase obrigatória diante de pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo quando o termo anterior exige a preposição "a".

A regra que decide

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para saber se há crase, faça o teste: substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há. Exemplo: "direcionada a pessoas" → "direcionada a homens" (sem crase, pois "homens" não admite artigo "a"); "direcionada àquelas pessoas" → "direcionada àqueles homens" (com crase, pois "àqueles" = a + aqueles).

A banca adora cobrar a diferença entre crase proibida (antes de palavra em sentido genérico, como "a pessoas") e crase obrigatória (antes de pronome demonstrativo, como "àquelas"). A alternativa E explora exatamente essa virada: o mesmo verbo "direcionada" pede a preposição "a", mas o complemento muda de "pessoas" (sem artigo) para "aquelas pessoas" (com artigo embutido), o que torna a crase necessária.

Análise das alternativas

Crase
  • 1Obrigatória
    • Antes de pronome demonstrativo (àquelas)
    • Antes de palavra feminina com artigo
  • 2Proibida
    • Antes de verbo
    • Antes de pronome indefinido (toda, certas)
    • Antes de palavra em sentido genérico
  • 3Teste do masculino
    • Aparece "ao" → há crase
    • Aparece só "a" → não há crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"denunciar as incongruências" → "denunciar à toda incongruência"

O verbo "denunciar" é transitivo direto: denuncia-se algo, sem preposição. Além disso, "toda" é pronome indefinido que repele o artigo, então não há crase. A forma correta seria "denunciar toda incongruência". A alternativa extrapola ao inserir crase onde a regência não pede preposição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado" → "passa à ser apresentado"

Aqui há dois problemas: "passa a" exige preposição, mas "ser" é verbo, e não há crase antes de verbo. O correto seria "passa a ser apresentado". A alternativa contradiz a regra de crase proibida diante de verbos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"motivos que levam um familiar a agir com violência" → "à ações violentas"

O verbo "levar a" pede preposição, mas "ações" está no plural e sem artigo definido (sentido genérico). Não há crase antes de palavra em sentido indefinido. O correto seria "a ações violentas". A alternativa generaliza indevidamente, aplicando crase onde o artigo não ocorre.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"igualmente se relaciona às raízes familiares" → "à certas origens familiares"

No original, "às raízes" tem crase porque "relacionar-se a" + artigo "as" (raízes específicas). Mas "certas" é pronome indefinido que repele o artigo, então não há crase. O correto seria "a certas origens". A alternativa troca o termo e quebra a regência, pois "certas" não admite artigo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"direcionada a pessoas mais velhas" → "àquelas pessoas"

Como explicado, "direcionada a" exige preposição, e "aquelas" é pronome demonstrativo que admite a contração com a preposição, formando "àquelas". A substituição mantém o sentido e a correção gramatical. É o único caso em que a crase é obrigatória e corretamente aplicada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca três alternativas com crase indevida (A, B, C) e uma com crase ausente onde deveria haver (D), para que o candidato decore regras sem entender a regência. A chave é sempre verificar se o termo anterior exige preposição e se o termo seguinte admite artigo.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, faça o teste do masculino: troque o termo feminino por um masculino. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer só "a", não há. Isso resolve a maioria das questões de crase.

Conclusão: a alternativa E é a única em que a substituição respeita a regência e a crase obrigatória. As demais ou usam crase onde é proibida (A, B, C) ou deixam de usá-la onde seria necessária (D).

Gabarito: letra E

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