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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu218189
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CF/CM ( )

Leia a tira de Bill Watterson, para responder à questão.

Imagem associada para resolução da questão

(Disponível em: https://opiniaocentral.wordpress.com/2019/10/15/ calvin-e-haroldo-uma-questao-de-ponto-de-vista/. Acesso em 13.04.2025.)

Considere o seguinte enunciado, formulado com base no texto.

 

Eu sei                 me pergunto                     ele não pode ser injusto                     

 

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas desses enunciados, com coerência e de acordo com a norma-padrão de pontuação, emprego de pronome e ortografia.

  1. Adisto, entretanto, ... porque ... a meu favor?
  2. Bdisso, todavia ... por que ... a meu favor.
  3. Cdisso, se ... porque ... a meu favor.
  4. Ddisto, quando ... por que ... a meu favor?
  5. Edisso logo, ... porque ... a meu favor?
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — disso, todavia ... por que ... a meu favor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos porquês, pronomes demonstrativos e conectivos na tira de Calvin

Gabarito: letra B. A questão testa três conhecimentos simultâneos — pronome demonstrativo, uso de "por que" e pontuação — e a única alternativa que acerta os três é a B: "disso, todavia ... por que ... a meu favor." A resposta se ancora na tira de Bill Watterson, em que Calvin reflete sobre a possibilidade de o mundo ser injusto e, em seguida, pergunta-se o motivo de tal injustiça não poder ser a seu favor. A alternativa B é a única que emprega corretamente "disso" (retomando o fato de o mundo ser injusto), "todavia" (conectivo de oposição que introduz a pergunta) e "por que" (separado, em pergunta indireta), além de dispensar o ponto de interrogação por se tratar de oração subordinada substantiva.

O comando da questão

O enunciado pede que o candidato preencha as lacunas "com coerência e de acordo com a norma-padrão de pontuação, emprego de pronome e ortografia". Isso significa que a questão não é apenas de interpretação, mas de aplicação de regras gramaticais ao contexto do texto. É preciso analisar cada lacuna individualmente, verificando se a palavra ou expressão proposta está correta quanto à grafia, à função sintática e ao sentido exigido pelo contexto.

O texto e o movimento argumentativo

Na tira, Calvin expressa uma reflexão: ele sabe que o mundo pode ser injusto, mas pergunta por que essa injustiça não pode ser a seu favor. A primeira lacuna exige um pronome demonstrativo que retome a ideia anterior — "o mundo pode ser injusto" — e, por isso, deve ser "disso" (e não "disto"), pois "disso" refere-se a algo já mencionado, enquanto "disto" refere-se a algo que será dito. A segunda lacuna pede um conectivo que introduza uma oposição ou ressalva: "todavia" cumpre esse papel. A terceira lacuna exige a forma "por que" (separado, sem acento) porque introduz uma pergunta indireta — "me pergunto por que ele não pode ser injusto a meu favor" — e, nesse caso, não se usa ponto de interrogação, pois a oração é subordinada substantiva objetiva direta.

A técnica que decide: pronomes demonstrativos, porquês e pontuação

1. Pronomes demonstrativos: isto vs. isso

  • Isto refere-se a algo que será dito (valor catafórico): "Só quero isto: que você estude."

  • Isso refere-se a algo já dito (valor anafórico): "Estudei muito. Isso me garantiu a aprovação."

No contexto, a primeira lacuna retoma a ideia de que o mundo pode ser injusto — algo já mencionado —, portanto o correto é disso (contração de "de + isso"). Usar "disto" seria um erro de coesão referencial, pois apontaria para algo que ainda viria.

2. Uso dos porquês

Forma

Uso

Exemplo

Por que (separado, sem acento)

Em perguntas diretas ou indiretas, equivalendo a "por qual motivo"

"Por que você faltou?" / "Não sei por que ele faltou."

Porque (junto, sem acento)

Conjunção explicativa/causal, equivalendo a "pois"

"Faltou porque estava doente."

Por quê (separado, com acento)

No fim da frase, com valor de substantivo

"Faltou por quê?"

Porquê (junto, com acento)

Substantivo, sinônimo de "motivo"

"Quero saber o porquê da falta."

Na terceira lacuna, temos uma pergunta indireta: "me pergunto por que ele não pode ser injusto a meu favor". Como é pergunta indireta, não se usa ponto de interrogação — a frase termina com ponto final. A forma correta é por que (separado, sem acento).

3. Conectivo de oposição: todavia

A segunda lacuna liga duas ideias contrastantes: "Eu sei que o mundo pode ser injusto" e "me pergunto por que ele não pode ser injusto a meu favor". O conectivo todavia (ou "entretanto", "contudo", "mas") estabelece essa oposição. As alternativas que usam "se" (condicional) ou "quando" (temporal) não fazem sentido no contexto, pois não há relação de condição ou tempo.

4. Pontuação

Como a oração "me pergunto por que..." é subordinada substantiva, o período é declarativo e termina com ponto final, não com ponto de interrogação. As alternativas que colocam interrogação no final (A e D) estão erradas.

Análise das alternativas

Porquês
  • 1Por que (pergunta direta/indireta)
    • "Por que você faltou?"
    • "Não sei por que ele faltou."
  • 2Porque (explicação/causa)
    • "Faltou porque estava doente."
  • 3Por quê (fim de frase)
    • "Faltou por quê?"
  • 4Porquê (substantivo = motivo)
    • "Quero saber o porquê."
  • 5Pronomes demonstrativos
    • Isto (catafórico — será dito)
      • "Só quero isto: que estude."
    • Isso (anafórico — já dito)
      • "Estudei. Isso me garantiu."
  • 6Conectivos
    • Todavia (oposição)
    • Logo (conclusão)
    • Se (condição)
    • Quando (tempo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: usa "disto" (em vez de "disso") e termina com ponto de interrogação. "Disto" teria valor catafórico, mas a ideia já foi mencionada; e a pergunta é indireta, portanto não cabe interrogação. Além disso, "entretanto" seria aceitável, mas os outros erros já invalidam a opção.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Acertos: "disso" (anafórico, retoma o fato de o mundo ser injusto), "todavia" (oposição), "por que" (pergunta indireta) e ponto final (oração subordinada). É a única que cumpre todos os requisitos de coerência, norma-padrão e pontuação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: usa "se" como conectivo, o que estabeleceria uma condição — "Eu sei disso, se me pergunto..." — sem sentido lógico. Além disso, "porque" (junto) é explicativo, mas aqui é pergunta indireta, exigindo "por que" separado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: usa "quando" (temporal) e "disto" (catafórico), ambos inadequados. O ponto de interrogação também é indevido, pois a oração é subordinada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: "logo" é conclusivo, não opositivo — "Eu sei disso, logo me pergunto..." não expressa a contraposição pretendida. Além disso, "porque" (junto) está incorreto para pergunta indireta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "isto" e "isso" (coesão referencial) e entre "por que" e "porque" (pergunta indireta vs. explicação). Fique atento: em pergunta indireta, o "por que" é separado e sem acento, e a frase não leva interrogação.

PEGA ESSA DICA!

Ao preencher lacunas, teste cada palavra no contexto: "disso" retoma o que já foi dito; "por que" inicia pergunta (direta ou indireta); conectivos como "todavia" marcam oposição. Elimine as alternativas que erram qualquer um desses pontos.

Conclusão: a alternativa B é a única que combina corretamente o pronome demonstrativo anafórico, o conectivo de oposição e a forma "por que" em pergunta indireta, com pontuação adequada. As demais erram em pelo menos um desses aspectos.

Gabarito: letra B

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