Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2025
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu218191
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CF/CM ( )
Leia o texto, para responder à questão.
Na véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte. Morrer faz parte da existência. É um fim em si mesmo, definido popularmente pelo velho refrão de que “para morrer, basta estar vivo”. No entanto, estamos acelerando a morte da vida no planeta com o descuido contínuo que faz surgir a crise climática atual. As mudanças climáticas são antigas, não surgiram nas últimas décadas. Talvez tenham até alguns séculos, desde quando na “idade da pedra” se acenderam as primeiras fogueiras. Incrementaram-se e cresceram, porém, com a “Revolução Industrial”, que nos facilitou o viver no dia a dia, mas terminou por nos tirar muito mais do que, agora, nos proporciona em bem-estar.
(Flávio Tavares, O Dia de Finados que estendemos ao infinito. Disponível em: estadão.com.br/opinião. Acesso em: 13.04.2025.)
Considerando-se a coerência textual, a reescrita do trecho inicial que expressa a relação de sentido adequada é:
AComo na véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte, morrer faz parte da existência.
BNa véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte, pois morrer faz parte da existência.
CNa véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte, entretanto morrer faz parte da existência.
DSe na véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte, então morrer faz parte da existência.
ENa véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte, enquanto morrer faz parte da existência.
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GabaritoB — Na véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte, pois morrer faz parte da existência.
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Reescrita de frases: a relação de sentido entre as orações
Gabarito: letra B. A reescrita correta é a que mantém a relação de justificativa/causa entre as duas orações: é imprescindível falar da vida e não da morte porque morrer faz parte da existência. O conectivo "pois" (alternativa B) é o único que expressa essa relação, preservando a coerência do trecho original, em que a segunda oração explica a primeira. Como se lê no texto: "Na véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte. Morrer faz parte da existência." — a segunda frase é o motivo da primeira.
O comando da questão
A questão pede uma reescrita do trecho inicial que "expresse a relação de sentido adequada". Isso significa que não basta trocar palavras: é preciso preservar a relação lógica que existe entre as duas orações no texto original. O comando "considerando-se a coerência textual" reforça que o critério de escolha é a manutenção do sentido, não a correção gramatical isolada.
A relação de sentido no texto
No trecho original, temos:
"Na véspera do Dia de Finados é imprescindível falar da vida e não da morte. Morrer faz parte da existência."
A segunda oração ("Morrer faz parte da existência") funciona como uma justificativa para a primeira ("é imprescindível falar da vida e não da morte"). O autor explica por que devemos falar da vida: porque a morte é parte natural da existência. Essa é uma relação de causa e consequência (ou justificativa), em que a segunda oração apresenta o motivo da primeira.
A técnica de resolução
Para resolver, é preciso identificar a relação lógica original e, em seguida, verificar qual conectivo a preserva. Os conectivos têm funções específicas:
Pois → causa/justificativa
Como (no início) → causa (mas aqui inverte a ordem, o que pode gerar ambiguidade)
Entretanto → oposição
Se... então → condição
Enquanto → tempo ou oposição
A alternativa correta é a que usa "pois", pois mantém a relação de justificativa. As demais alteram o sentido, introduzindo relações que não existem no original.
Análise das alternativas
Conectivos e relações de sentido: Pois (Causa/justificativa (gabarito)); Como (início) (Causa — inverte a lógica); Entretanto (Oposição — inexistente no texto); Se... então (Condição — inexistente no texto); Enquanto (Tempo/oposição — inadequado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: troca de conectivo (causa invertida). O "como" no início indica causa, mas aqui a relação está invertida: o texto diz que "morrer faz parte da existência" é a justificativa para falar da vida, não o contrário. A reescrita "Como é imprescindível falar da vida, morrer faz parte da existência" inverte a lógica, tornando a primeira oração a causa da segunda, o que não corresponde ao original.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Relação de justificativa preservada. O "pois" introduz uma explicação/causa: "é imprescindível falar da vida e não da morte porque morrer faz parte da existência". Isso mantém exatamente a relação do texto original, em que a segunda oração justifica a primeira. É a única alternativa que não altera o sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: oposição inexistente. O "entretanto" expressa oposição/contraste, mas no texto não há oposição entre as duas ideias; há uma relação de causa e consequência. A reescrita "é imprescindível falar da vida, entretanto morrer faz parte da existência" sugere que a segunda ideia contraria a primeira, o que não ocorre.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: condição inexistente. O "se... então" expressa condição, mas o texto não estabelece uma relação condicional. A reescrita "Se é imprescindível falar da vida, então morrer faz parte da existência" implica que a segunda oração depende da primeira, o que não é o caso. A relação é de justificativa, não de condição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: tempo/oposição inadequada. O "enquanto" pode indicar tempo ou oposição, mas nenhuma dessas relações está presente no original. A reescrita "é imprescindível falar da vida, enquanto morrer faz parte da existência" sugere simultaneidade ou contraste, o que não corresponde à relação de causa e consequência do texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o conectivo que expressa a relação de justificativa/causa por outros que instauram relações diferentes (oposição, condição, tempo), exigindo que o candidato identifique a relação lógica original.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, pergunte-se: "qual conectivo mantém a mesma relação de sentido?" Se o original tem uma justificativa, o conectivo deve ser de causa (pois, porque, já que). Desconfie de conectivos de oposição (entretanto, mas), condição (se) ou tempo (enquanto).
Conclusão: a única alternativa que preserva a relação de justificativa do texto original é a letra B, com o conectivo "pois". As demais alteram o sentido ao introduzir relações de oposição, condição ou tempo que não existem no trecho.