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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — VUNESP 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
vu218193
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CFO/QC ( )

Leia o texto, para responder à questão.

 

“Depósito”: o modo como uma casa de repouso para idosos é chamada em um novo livro de ficção pretende denunciar as incongruências de nossa relação com a velhice e com os idosos ao nosso redor. Em Jasmins, publicado pela editora Maralto, Claudia Nina retrata a dura relação entre a cuidadora Yasmin e a idosa Wanda, num momento da história em que o fenômeno da longevidade interpela a nossa atenção à população idosa.

 

“Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas, seja para a realização de atividades básicas da vida diária e econômica ou emocionalmente, principalmente aqueles com déficits cognitivos ou limitações naturais do próprio envelhecimento”, explica a psicóloga Allana Moraes. “Por essas razões, lamentavelmente, o idoso também se encontra mais suscetível a ser vítima de violências nos mais variados âmbitos, seja familiar, institucional ou social”.

 

De acordo com Allana, é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado como o espaço de maior incidência de abandono e maus-tratos acometidos contra o idoso, com episódios de violência psicológica, física, moral e patrimonial perpetrados por filhos ou cônjuges. Diversos fatores desempenham um papel nesse tipo de cenário, entre os quais o que pode ser chamado de transmissão transgeracional da violência e do abandono.

 

“O fato de os idosos se transformarem em vítimas igualmente se relaciona às raízes familiares, à violência ou abandono por eles perpetrados no passado, assim como terem apresentado comportamentos disruptivos, agressividade e atitudes provocativas em relação aos familiares”, explica a psicóloga. “Portanto, para analisar os motivos que levam um familiar a agir com violência em relação a um idoso, há que se levar em conta não só características dos idosos ou da família, já que se trata de um fenômeno multideterminado e que deve ser analisado em sua complexidade”.

 

Entre os fatores em jogo, há também aquilo que o gerontólogo Robert N. Butler chamou já em 1969 de “ageísmo” ou “idadismo”, ou seja, a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas. “Butler descreveu três aspectos deste tipo de preconceito: atitudes negativas em relação aos idosos, à velhice e ao processo de envelhecimento; práticas discriminatórias contra idosos; e práticas e políticas institucionais que perpetuam estereótipos e atitudes negativas sobre os idosos”, pontua Allana.

 

A saúde dos vínculos afetivos entre o idoso e os seus cuidadores é um fator de proteção contra a violência muito significativo. Com a atenção à saúde mental dos profissionais cuidadores e com a proximidade da família, casas de repouso deixariam de ser “depósitos” e se tornariam pontos de apoio fundamentais em uma sociedade cada vez mais idosa.

 

(Disponível em: https://www.semprefamilia.com.br. Acesso em: 08.04.2025. Adaptado)

Por suas características composicionais predominantes, o texto pode ser identificado como sendo do gênero
  1. Ainstrução, de caráter normativo, empregando a citação de trechos de especialistas para induzir o leitor a adotar práticas sociais adequadas.
  2. Bparecer, de caráter avaliativo, expondo pontos de vista contrastantes acerca das descobertas recentes sobre o “ageísmo” e sua disseminação.
  3. Cmatéria científica, de caráter instrucional, empregando referências extratextuais para levar o leitor a praticar as recomendações nele expostas.
  4. Deditorial, de caráter polêmico, contrapondo teorias e pontos de vista acerca do tema, para afirmar ideologias e ações positivas em relação à velhice.
  5. Eartigo, de caráter informativo, empregando a referência a especialistas como argumento para conferir confiabilidade às ideias nele veiculadas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — artigo, de caráter informativo, empregando a referência a especialistas como argumento para conferir confiabilidade às ideias nele veiculadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gênero textual: artigo informativo

Gabarito: letra E. O texto é um artigo de caráter informativo, pois expõe informações sobre a relação da sociedade com a velhice, recorrendo à citação de especialistas (psicóloga Allana Moraes, gerontólogo Robert N. Butler) como argumento de autoridade para conferir credibilidade ao que é veiculado. Essa é a característica composicional predominante, como se vê no trecho:

"'Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas...', explica a psicóloga Allana Moraes."

A citação direta de uma especialista, com o verbo "explica", é a marca típica do gênero artigo informativo, que busca informar o leitor sobre um tema, apoiando-se em vozes autorizadas.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique o gênero textual a partir das características composicionais predominantes. Isso significa que devemos observar a estrutura, a finalidade e os recursos usados no texto, e não apenas o assunto. A pergunta é de compreensão (o que o texto é), não de inferência. Portanto, a resposta deve estar ancorada em elementos visíveis: a presença de citações, o tom informativo, a ausência de defesa de uma tese pessoal, etc.

O texto: tema e movimento argumentativo

O texto aborda a vulnerabilidade dos idosos e a violência contra eles, discutindo causas e fatores como o "ageísmo". O autor não defende uma opinião pessoal; ele expõe o tema, recorrendo a especialistas para explicar conceitos e apresentar dados. A estrutura é típica de um artigo informativo: introdução (apresentação do livro e do tema), desenvolvimento (explicações da psicóloga, definição de ageísmo) e conclusão (fator de proteção). Não há tese a ser defendida, nem tom polêmico ou instrucional.

A técnica que decide

A chave é distinguir gênero de tipo textual. O gênero é a forma concreta de comunicação (artigo, editorial, parecer), enquanto o tipo é a estrutura linguística predominante (dissertativo, narrativo, injuntivo). Aqui, o texto é dissertativo-expositivo (informa, explica) e se materializa no gênero artigo informativo. A presença de citações de especialistas é um recurso típico desse gênero, funcionando como argumento de autoridade para dar credibilidade às informações.

Gênero textual
  • 1Tipo textual (estrutura linguística)
    • Dissertativo-expositivo
    • Narrativo
    • Injuntivo
  • 2Gênero (forma concreta)
    • Artigo informativo
      • Expõe informações
      • Cita especialistas (argumento de autoridade)
    • Editorial
      • Defende tese do veículo
      • Tom polêmico
    • Parecer
      • Avalia e julga
    • Instrução
      • Prescreve condutas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que o texto é uma instrução de caráter normativo, com o objetivo de induzir o leitor a adotar práticas sociais adequadas. Isso extrapola o texto. O texto não prescreve condutas, não usa verbos no imperativo e não tem finalidade normativa. Ele apenas informa sobre a vulnerabilidade dos idosos. A citação de especialistas não é usada para "induzir" práticas, mas para explicar o fenômeno. O erro é de generalização indevida: transforma um texto expositivo em injuntivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que o texto é um parecer de caráter avaliativo, expondo pontos de vista contrastantes sobre o "ageísmo". Isso contradiz o texto. Não há pontos de vista contrastantes; há uma exposição de informações com a concordância das fontes citadas. A psicóloga Allana e o gerontólogo Butler não apresentam opiniões divergentes; eles complementam a explicação. O texto não avalia, não julga, não emite parecer. O erro é de troca de conceito: confunde exposição com avaliação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o texto é uma matéria científica de caráter instrucional, com o objetivo de levar o leitor a praticar recomendações. Isso extrapola o texto. Embora mencione conceitos como "ageísmo", o texto não é uma matéria científica (não tem metodologia, resultados, etc.) e não tem caráter instrucional (não orienta o leitor a fazer algo). A referência a especialistas é usada para informar, não para instruir. O erro é de generalização indevida: confunde informar com instruir.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que o texto é um editorial de caráter polêmico, contrapondo teorias para afirmar ideologias. Isso contradiz o texto. O editorial é um gênero opinativo, que defende um ponto de vista do veículo. Aqui, não há defesa de tese, não há tom polêmico, não há contraposição de teorias. O texto é informativo, não opinativo. A palavra "ideologias" é uma extrapolação: o texto não afirma ideologias, apenas expõe informações. O erro é de troca de conceito: confunde artigo informativo com editorial.

Alternativa E — ✅ Correta

A alternativa E é a correta. O texto é um artigo de caráter informativo, pois expõe informações sobre a velhice e a violência contra idosos, recorrendo à referência a especialistas como argumento de autoridade para conferir confiabilidade. Isso é evidente no trecho:

"'Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas...', explica a psicóloga Allana Moraes."

A citação direta, com o verbo "explica", é a marca do gênero. O texto informa, não persuade, não instrui, não polemiza. A referência a especialistas é um recurso para dar credibilidade às informações veiculadas, característica central do artigo informativo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre gênero e tipo textual, e entre informar e instruir/persuadir. As alternativas A, C e D tentam transformar o texto em algo que ele não é (instrução, matéria científica, editorial), enquanto a B o confunde com um parecer. A correta é a única que reconhece a finalidade informativa e o recurso da citação de autoridade.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o gênero, pergunte: qual é a finalidade do texto? Se é informar, explicar, expor, sem defender tese, é artigo informativo. Se é convencer, é artigo de opinião. Se é instruir, é injuntivo. A presença de citações de especialistas é um forte indício de texto informativo.

Gabarito: letra E — a única que descreve com precisão o gênero e a finalidade do texto, ancorada na citação de especialistas como argumento de autoridade.

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