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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2025

PortuguêsConjunção
Código
vu218196
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CFO/QC ( )

Leia o texto, para responder à questão.

 

“Depósito”: o modo como uma casa de repouso para idosos é chamada em um novo livro de ficção pretende denunciar as incongruências de nossa relação com a velhice e com os idosos ao nosso redor. Em Jasmins, publicado pela editora Maralto, Claudia Nina retrata a dura relação entre a cuidadora Yasmin e a idosa Wanda, num momento da história em que o fenômeno da longevidade interpela a nossa atenção à população idosa.

 

“Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas, seja para a realização de atividades básicas da vida diária e econômica ou emocionalmente, principalmente aqueles com déficits cognitivos ou limitações naturais do próprio envelhecimento”, explica a psicóloga Allana Moraes. “Por essas razões, lamentavelmente, o idoso também se encontra mais suscetível a ser vítima de violências nos mais variados âmbitos, seja familiar, institucional ou social”.

 

De acordo com Allana, é o próprio ambiente familiar que tem se apresentado como o espaço de maior incidência de abandono e maus-tratos acometidos contra o idoso, com episódios de violência psicológica, física, moral e patrimonial perpetrados por filhos ou cônjuges. Diversos fatores desempenham um papel nesse tipo de cenário, entre os quais o que pode ser chamado de transmissão transgeracional da violência e do abandono.

 

“O fato de os idosos se transformarem em vítimas igualmente se relaciona às raízes familiares, à violência ou abandono por eles perpetrados no passado, assim como terem apresentado comportamentos disruptivos, agressividade e atitudes provocativas em relação aos familiares”, explica a psicóloga. “Portanto, para analisar os motivos que levam um familiar a agir com violência em relação a um idoso, há que se levar em conta não só características dos idosos ou da família, já que se trata de um fenômeno multideterminado e que deve ser analisado em sua complexidade”.

 

Entre os fatores em jogo, há também aquilo que o gerontólogo Robert N. Butler chamou já em 1969 de “ageísmo” ou “idadismo”, ou seja, a discriminação contra pessoas com base em sua idade, mais comumente direcionada a pessoas mais velhas. “Butler descreveu três aspectos deste tipo de preconceito: atitudes negativas em relação aos idosos, à velhice e ao processo de envelhecimento; práticas discriminatórias contra idosos; e práticas e políticas institucionais que perpetuam estereótipos e atitudes negativas sobre os idosos”, pontua Allana.

 

A saúde dos vínculos afetivos entre o idoso e os seus cuidadores é um fator de proteção contra a violência muito significativo. Com a atenção à saúde mental dos profissionais cuidadores e com a proximidade da família, casas de repouso deixariam de ser “depósitos” e se tornariam pontos de apoio fundamentais em uma sociedade cada vez mais idosa.

 

(Disponível em: https://www.semprefamilia.com.br. Acesso em: 08.04.2025. Adaptado)

No segmento “Embora não seja regra” (2º parágrafo), o termo destacado garante a coesão textual introduzindo um argumento

  1. Aconclusivo, que sintetiza ideias expressas na sequência do enunciado.
  2. Bcomparativo, que esclarece o que se afirma na sequência do enunciado.
  3. Ccondicional, que determina o sentido da sequência do enunciado.
  4. Dhipotético, que ressignifica o que se afirma na sequência do enunciado.
  5. Econcessivo, que relativiza as afirmações da sequência do enunciado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — concessivo, que relativiza as afirmações da sequência do enunciado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção concessiva: o papel de "Embora" na coesão textual

Gabarito: letra E. O termo "Embora" é uma conjunção subordinativa concessiva, e sua função no trecho é relativizar o que se afirma na sequência: admite-se uma ressalva ("não ser regra") sem anular a ideia principal (que alguns fatores tornam os idosos vulneráveis). Como se lê no 2º parágrafo:

"Embora não seja regra, alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis e dependentes de outras pessoas..."

A oração concessiva introduz uma quebra de expectativa: o leitor esperaria que a vulnerabilidade fosse regra geral, mas o autor ressalva que não é — e mesmo assim mantém a afirmação principal. É exatamente isso que a alternativa E descreve: relativizar as afirmações da sequência.

O comando: o que a banca pede

A questão pergunta qual valor semântico o conectivo "Embora" introduz no segmento. Isso é uma questão de coesão sequencial — o conectivo estabelece uma relação lógica entre a oração que introduz e a oração principal. Não se trata de interpretar o texto em si, mas de reconhecer a classe e o sentido do conectivo no contexto. A banca quer que você saiba que "embora" é concessivo e que a concessão relativiza a ideia seguinte.

O texto: onde mora a resposta

O 2º parágrafo traz a fala da psicóloga Allana Moraes. Ela afirma que, apesar de não ser regra, alguns fatores tornam os idosos vulneráveis. A estrutura é clássica de concessão:

  • Oração concessiva ("Embora não seja regra"): apresenta uma ressalva, uma exceção, algo que contraria a expectativa.

  • Oração principal ("alguns fatores tornam os idosos mais vulneráveis"): apresenta a ideia central, que prevalece apesar da ressalva.

O conectivo "embora" não anula a ideia principal; apenas abre uma exceção. É isso que significa relativizar: a afirmação principal não é absoluta, mas condicionada a uma ressalva.

A técnica: como identificar a concessão

A concessão é uma relação em que se admite um fato contrário à ideia principal, mas sem impedir que ela se realize. As conjunções concessivas típicas são: embora, ainda que, mesmo que, conquanto, se bem que, por mais que, apesar de que.

Diferencie das outras relações:

Relação

Conectivo típico

Efeito

Concessiva

embora, ainda que

Ressalva que não impede a ideia principal

Condicional

se, caso, desde que

Condição para a ideia principal ocorrer

Conclusiva

logo, portanto, pois

Conclusão a partir de premissas

Comparativa

como, tal qual, assim como

Comparação entre elementos

Hipotética

se, caso (em contexto de suposição)

Suposição sobre um fato

No trecho, "Embora não seja regra" não estabelece condição (não diz "se não for regra, então..."), não conclui, não compara e não levanta hipótese. Ele admite uma exceção — é concessão pura.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa diz que "Embora" introduz argumento conclusivo, que sintetiza ideias. Conclusão é expressa por conectivos como logo, portanto, pois (depois do verbo). "Embora" não conclui nada; ele abre uma ressalva. O trecho não sintetiza ideias anteriores — ele inicia uma afirmação com uma exceção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa diz que "Embora" introduz argumento comparativo, que esclarece o que se afirma. Comparação é feita com como, tal qual, assim como. "Embora" não compara; ele relativiza. Não há dois elementos sendo comparados no trecho.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa diz que "Embora" introduz argumento condicional, que determina o sentido da sequência. Condição é expressa por se, caso, desde que. "Embora" não estabelece condição; ele admite uma exceção. A oração principal não depende de uma condição, mas prevalece apesar da ressalva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa diz que "Embora" introduz argumento hipotético, que ressignifica o que se afirma. Hipótese é uma suposição, geralmente com se, caso. "Embora" não levanta hipótese; ele afirma uma ressalva como fato ("não ser regra" é dado como real). Não há ressignificação — há relativização.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. "Embora" é conjunção concessiva e sua função é relativizar a afirmação da sequência. O trecho "Embora não seja regra" abre uma exceção à ideia de que fatores tornam os idosos vulneráveis. A oração principal prevalece, mas não de forma absoluta — é relativizada pela ressalva. É exatamente o que a alternativa descreve.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre concessão e condição. "Embora" e "se" são diferentes: a concessão admite um fato contrário sem impedir a ideia principal; a condição subordina a ideia principal a uma hipótese. No trecho, "não ser regra" é uma ressalva, não uma condição.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a concessão, pergunte: "a oração introduzida por 'embora' impede a ideia principal?" Se não impede, é concessão. Se condiciona, é condição. No trecho, a vulnerabilidade não é impedida pela ressalva — logo, concessão.

Gabarito: letra E.

A regra de ouro: conectivos concessivos (embora, ainda que, mesmo que) relativizam a ideia principal, admitindo uma exceção sem anulá-la. Sempre que a banca perguntar o valor de "embora", a resposta é concessão — e o efeito é relativizar.

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