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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — VUNESP 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
vu218206
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CFO/QC ( )

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Alguns cuidados não custam nada. Corrija sua coluna. Tenha a postura ereta. Respire fundo, use toda a capacidade dos pulmões. Ande uma hora por dia. Beba litros de água diariamente. Cuide-se. Ame-se. Mais, muito mais do que a seu próximo. Nem todos têm a sorte de nascer deslumbrantes, com mãos e pés perfeitos etc. Mas temos a obrigação de mantê-los sempre bem cuidados. Para ser gentil com os outros, para com você mesma. Há paixões que acabam quando a gente vê o pé do namorado pela primeira vez. Ouviram, rapazes?

 

(Danuza Leão, Na sala com Danuza. Adaptado)

Com base em Schneuwly e Dolz (Gêneros orais e escritos na escola, 2004), conclui-se que a capacidade de linguagem dominante no texto é

  1. A“expor”, já que este tem a clara intenção de apresentar um tema primando por objetividade e clareza.
  2. B“descrever ações”, já que este tem a clara intenção de influenciar o comportamento do leitor.
  3. C“argumentar”, já que este tem a clara intenção de discutir a ideia de que seja preciso cuidar do corpo.
  4. D“relatar”, já que este tem a clara intenção de explorar os problemas da narradora e torná-los exemplos.
  5. E“narrar”, já que este tem a clara intenção de contar situações pitorescas e cômicas vividas pela narradora.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “descrever ações”, já que este tem a clara intenção de influenciar o comportamento do leitor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: a capacidade de linguagem dominante no texto de Danuza Leão

Gabarito: letra B. A capacidade de linguagem dominante é "descrever ações", pois o texto tem a clara intenção de influenciar o comportamento do leitor — como se lê na sequência de conselhos e ordens: "Corrija sua coluna", "Tenha a postura ereta", "Respire fundo", "Ande uma hora por dia", "Beba litros de água diariamente", "Cuide-se", "Ame-se". O texto não narra fatos, não expõe um tema com neutralidade, não defende uma tese com argumentos: ele prescreve ações para o leitor executar, o que, na classificação de Schneuwly e Dolz, corresponde à capacidade de descrever ações (ou seja, ao texto injuntivo/prescritivo).

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a capacidade de linguagem dominante no texto, com base em Schneuwly e Dolz. Isso não é uma questão de "o que o texto diz", mas de qual é a intenção comunicativa predominante — o que o autor quer fazer com o leitor. As alternativas oferecem cinco capacidades: expor, descrever ações, argumentar, relatar e narrar. Para acertar, você precisa olhar para a intenção (o conteúdo e o efeito pretendido), não para a forma isolada.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto de Danuza Leão é um conselho — uma sequência de orientações sobre cuidados com o corpo e com a autoestima. Não há enredo, personagens ou progressão temporal (não é narração). Não há uma tese defendida com argumentos lógicos (não é dissertação argumentativa). Não há exposição imparcial de informações (não é dissertação expositiva). O que há é uma série de verbos no imperativo — "Corrija", "Tenha", "Respire", "Ande", "Beba", "Cuide-se", "Ame-se" — que prescrevem ações ao leitor. Essa é a marca do texto injuntivo/prescritivo, que, na teoria de Schneuwly e Dolz, corresponde à capacidade de descrever ações.

"Corrija sua coluna. Tenha a postura ereta. Respire fundo, use toda a capacidade dos pulmões. Ande uma hora por dia. Beba litros de água diariamente. Cuide-se. Ame-se."

A intenção é clara: influenciar o comportamento do leitor, fazê-lo adotar hábitos saudáveis. O texto até menciona uma justificativa ("Para ser gentil com os outros, para com você mesma"), mas isso não transforma o texto em argumentativo — a justificativa é um reforço do conselho, não uma tese defendida com contra-argumentos.

A técnica que decide

Para identificar a capacidade dominante, pergunte: qual é o efeito que o autor quer produzir no leitor? Se o autor quer que o leitor faça algo (mude de comportamento, siga instruções), a capacidade é descrever ações (injunção). Se o autor quer convencer o leitor de uma ideia, é argumentar. Se quer informar com neutralidade, é expor. Se quer contar uma história, é narrar. Se quer relatar experiências, é relatar.

No texto, o autor não discute a ideia de cuidar do corpo (alternativa C) — ele ordena que o leitor cuide. Não há debate, não há tese a ser aceita ou refutada; há instruções diretas. Por isso, a alternativa B é a única que captura a intenção real.

Análise das alternativas

1Expor
informar com neutralidade
2Descrever ações (injunção)
prescrever/ordenar ações
influenciar o comportamento
3Argumentar
defender tese com argumentos
4Relatar
contar experiências vividas
5Narrar
contar história com enredo
Capacidades de linguagem (Schneuwly e Dolz)
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Capacidades de linguagem (Schneuwly e Dolz): Expor (informar com neutralidade); Descrever ações (injunção) (prescrever/ordenar ações, influenciar o comportamento); Argumentar (defender tese com argumentos); Relatar (contar experiências vividas); Narrar (contar história com enredo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não tem intenção de "expor" um tema com objetividade e clareza. Expor significa informar de forma imparcial, como um verbete ou uma palestra. Aqui, o autor opina e prescreve — não há neutralidade. A presença de verbos no imperativo e o tom de conselho afastam a exposição.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O texto é uma sequência de ações a serem executadas pelo leitor, com o objetivo de influenciar seu comportamento. A capacidade de "descrever ações" (injunção) é exatamente essa: prescrever procedimentos, dar instruções, aconselhar. O texto faz isso do início ao fim.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Argumentar é defender uma tese com argumentos, buscando convencer o leitor por meio de raciocínio. O texto não discute a ideia de cuidar do corpo; ele já parte do pressuposto de que se deve cuidar e ordena que o leitor o faça. Não há contra-argumentos, não há linha de raciocínio para persuadir — há ordens e conselhos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Relatar é contar experiências vividas, com narrador, tempo e espaço. O texto não relata nenhuma experiência da narradora; ele se dirige diretamente ao leitor com conselhos. Não há "problemas da narradora" sendo explorados — há orientações genéricas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Narrar é contar uma história com enredo, personagens e progressão temporal. O texto não conta nenhuma situação pitoresca ou cômica; ele é um conselho direto, sem narração. A menção ao "pé do namorado" é uma ilustração dentro do conselho, não uma narrativa.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de distinguir a intenção predominante do texto. A pegadinha está em confundir o texto com argumentativo (porque há uma opinião) ou com narrativo (porque há uma pequena anedota). Mas a estrutura dominante é a injunção: verbos no imperativo, conselhos, prescrição de ações. Lembre-se: o que decide é a intenção de influenciar o comportamento do leitor — e isso é "descrever ações".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a tipologia, grife os verbos. Se a maioria estiver no imperativo, o texto é injuntivo (descrever ações). Se estiver no pretérito e houver enredo, é narrativo. Se houver tese e argumentos, é argumentativo.

Gabarito: letra B.

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