Hoje, quase dois terços dos municípios não possuem nenhuma Instituição de Longa Permanência para Idosos (Ilpi), e em alguns Estados houve redução da oferta de vagas em 15 anos. Além da carência de vagas, __ problemas no encaminhamento e no financiamento. Quem determina se um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública é o Sistema Único de Assistência Social (Suas), mas, a exemplo do que ocorre com os parceiros privados do Sistema Único de Saúde (SUS), como as Santas Casas, as Ilpis conveniadas são ____ . Especialistas ouvidos pelo jornal Estadão apontam outras opções de cuidado. O ideal é privilegiar o máximo de autonomia da família. Em termos de políticas públicas, isso pode significar recursos financeiros diretos aos familiares que decidem manter o parente em casa, como no Chile e no Uruguai. Outra opção ____ os centros-dia, ______ no Japão, para acolher idosos enquanto os familiares estão no trabalho. A Ilpi deveria ser a última opção, em caso de impossibilidade da família de oferecer os cuidados necessários.
Conforme prescrito por Evanildo Bechara (Moderna gramática portuguesa, 2018), no período “Quem determina se um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública é o Sistema Único de Assistência Social (Suas)...”, o termo destacado corresponde a
Aum pronome com função de conjunção condicional.
Bum transpositor da oração para o nível do substantivo.
Cuma conjunção coordenativa explicativa.
Dum transpositor da oração para o nível do advérbio.
Eum transpositor da oração para o nível do adjetivo.
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GabaritoB — um transpositor da oração para o nível do substantivo.
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O "se" como transpositor: oração subordinada substantiva subjetiva
Gabarito: letra B. No trecho “Quem determina se um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública é o Sistema Único de Assistência Social (Suas)”, o termo destacado é um transpositor da oração para o nível do substantivo, pois introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva, que exerce a função de sujeito do verbo “é”. A classificação segue a nomenclatura de Evanildo Bechara, que trata o “se” como um transpositor que converte uma oração em um sintagma nominal, permitindo que ela ocupe uma posição típica de substantivo na frase.
O comando da questão
A questão pede a classificação do termo “se” conforme a gramática de Evanildo Bechara. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática metalinguística: é preciso reconhecer a função sintática da oração introduzida por “se” e, a partir dela, identificar o papel do transpositor. O comando exige conhecimento da nomenclatura gramatical específica do autor citado, que difere da classificação tradicional de “conjunção subordinativa integrante”.
A estrutura do período
No período, temos a oração principal “é o Sistema Único de Assistência Social (Suas)” e a oração “Quem determina se um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública”. Dentro dessa oração, o “se” introduz a oração “um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública”, que funciona como objeto direto do verbo “determina”. No entanto, a oração inteira “Quem determina se um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública” é o sujeito do verbo “é”.
Para Bechara, o “se” que introduz orações subordinadas substantivas é um transpositor, pois sua função é transformar uma oração (que tem estrutura de verbo + complementos) em um sintagma que pode ocupar a posição de um substantivo na oração principal. No caso, a oração transposta funciona como sujeito, ou seja, como um núcleo nominal.
A técnica de resolução
Para resolver, é preciso identificar a função sintática da oração introduzida por “se”. A oração “se um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública” responde à pergunta “o que o Suas determina?” — logo, é objeto direto de “determina”. Mas a oração maior, “Quem determina se um idoso preenche os requisitos...”, é o sujeito de “é”. Como a oração subordinada substantiva exerce função de substantivo (sujeito), o transpositor “se” a converte para o nível do substantivo.
PEGA ESSA DICA!
Para classificar o “se” como transpositor, identifique primeiro a função sintática da oração que ele introduz. Se a oração puder ser substituída por “isso” ou “isto” e exercer função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto, então é uma oração subordinada substantiva, e o “se” é um transpositor para o nível do substantivo.
Análise das alternativas
"Se" (Bechara)
1Transpositor
Oração → nível do substantivo
Oração subordinada substantiva
2Funções possíveis
Sujeito
Objeto direto
Objeto indireto
Complemento nominal
Predicativo
Aposto
3Não é
Conjunção condicional
Conjunção coordenativa
Transpositor p/ advérbio
Transpositor p/ adjetivo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “se” é um pronome com função de conjunção condicional. No trecho, o “se” não introduz uma condição (como em “Se chover, não saio”), mas sim uma oração que funciona como termo da oração principal. A classificação de “conjunção condicional” é típica das orações subordinadas adverbiais condicionais, o que não ocorre aqui. O erro é de troca de conceito: confunde a oração subordinada substantiva com a adverbial condicional.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme Bechara, o “se” é um transpositor que converte a oração “um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública” em um sintagma nominal, permitindo que ela exerça a função de sujeito da oração principal. A oração transposta funciona como substantivo, pois ocupa a posição de sujeito do verbo “é”. A nomenclatura de Bechara difere da tradicional, que chama o “se” de “conjunção subordinativa integrante”, mas a função é a mesma: transpor a oração para o nível do substantivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “se” é uma conjunção coordenativa explicativa. As conjunções coordenativas explicativas (como “pois”, “porque”, “que”) ligam orações sintaticamente independentes, explicando o motivo da anterior. No trecho, o “se” não liga orações independentes; ele introduz uma oração que é um termo da oração principal. O erro é de troca de conceito: confunde oração subordinada substantiva com oração coordenada explicativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “se” é um transpositor da oração para o nível do advérbio. Isso ocorreria se a oração introduzida por “se” fosse uma oração subordinada adverbial (como condicional, causal, temporal etc.). No trecho, a oração não exerce função adverbial, mas sim função substantiva (sujeito). O erro é de troca de conceito: confunde oração subordinada substantiva com oração subordinada adverbial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “se” é um transpositor da oração para o nível do adjetivo. Isso ocorreria se a oração introduzida por “se” fosse uma oração subordinada adjetiva (introduzida por pronome relativo). No trecho, a oração não exerce função adjetiva (adjunto adnominal ou predicativo), mas sim função substantiva (sujeito). O erro é de troca de conceito: confunde oração subordinada substantiva com oração subordinada adjetiva.
Conclusão
A questão exige o conhecimento da nomenclatura de Bechara para o “se” que introduz orações subordinadas substantivas. A oração “se um idoso preenche os requisitos para uma vaga pública” exerce função de sujeito, portanto o transpositor a converte para o nível do substantivo. As demais alternativas confundem a função sintática da oração, atribuindo-lhe valores de condição, explicação, advérbio ou adjetivo.