Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Orações Coordenadas — VUNESP 2025

PortuguêsOrações Coordenadas
Código
vu218215
Banca
VUNESP
Órgão
EsFCEx
Ano
2025
Cargo
CFO/QC ( )

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Os calções verdes do Bruno

 

Até a camarada professora ficou espantada e interrompeu a aula quando o Bruno entrou na sala. Não era só o que se via na mudança das roupas, mas também o que se podia cheirar com a chegada daquele Bruno tão lavadinho.

 

No intervalo, em vez de irmos todos brincar a correr, cada um ficou só espantado a passar perto do Bruno, mesmo a fingir que ia lá fazer outra coisa qualquer. A antiga blusa vermelha tinha sido substituída por uma camisa de manga curta esverdeada e flores brancas tipo Hawai. Mas o mais espantoso era o Bruno não trazer os calções dele verdes justos com duas barras brancas de lado. A pele cheirava a sabonete azul limpo, as orelhas não tinham cera, as unhas cortadas e limpas, o cabelo lavado e cheio de gel. Até os óculos estavam limpos. Tortos mas limpos.

 

Fiquei no fundo da sala. Eu era grande amigo do Bruno e mesmo assim não consegui entender aquela transformação. Olhei o pátio onde as meninas brincavam “35 vitórias”. Na porta, uma contraluz do meio-dia iluminava a cara espantada da Romina. Eu olhava a Romina, o sol na porta e o Bruno também.

 

O mujimbo* já tinha circulado lá fora e eu nem sabia. Havia uma explicação para tanto banho e perfumaria. Parece que o Bruno estava apaixonado pela Ró. A mãe do Bruno tinha contado à mãe do Helder todos os acontecimentos incríveis da tarde anterior: a procura dum bom perfume, o gel no cabelo, os sapatos limpos e brilhantes, a camisa de botões. A mãe do Bruno disse à mãe do Helder, “foi ele mesmo que me chamou para eu lhe esfregar as costas”.

 

Depois do intervalo o Bruno passou-me secretamente a carta.

 

A carta continuava bonita como eu nunca soube que o Bruno sabia escrever assim. Ele tinha a cara afundada nos braços, parecia adormecido, eu lia a carta sem acreditar que o Bruno tinha escrito aquilo mas os erros de português eram muito dele mesmo.

 

A camarada professora era muito má. Veio a correr e riu-se porque eu tinha lágrimas nos olhos. Pegou na carta e rasgou tudo em pedacinhos tão pequenos como as minhas lágrimas e as do Bruno. A Romina desconfiou de alguma coisa, porque também tinha os olhos molhados.

 

O sino tocou. Saímos. Era o último tempo.

 

No dia seguinte, com um riso que era também de tristeza e uma espécie de saudade, o Bruno apareceu com a blusa dele vermelha e os calções verdes justos com duas riscas brancas de lado. Deu a gargalhada dele que incomodava a escola toda e veio brincar conosco.

 

Na porta da sala, uma contraluz amarela do meio-dia iluminava a cara bonita da Romina e os olhos dela molhados com lágrimas de ternura. E o Bruno também.

 

* Mujimbo: boato.

 

(Ondjaki, Os da minha rua. Adaptado)

Na passagem do 2º parágrafo “A pele cheirava a sabonete azul limpo, as orelhas não tinham cera, as unhas cortadas e limpas, o cabelo lavado e cheio de gel.”, entre as orações se estabelece relação de
  1. Asubordinação, com orações substantivas.
  2. Bcoordenação, com orações justapostas.
  3. Ccoordenação, com orações sindéticas.
  4. Dsubordinação, com orações adverbiais.
  5. Ecoordenação, com orações explicativas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — coordenação, com orações justapostas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações coordenadas justapostas: a relação entre as orações do 2º parágrafo

Gabarito: letra B. No trecho “A pele cheirava a sabonete azul limpo, as orelhas não tinham cera, as unhas cortadas e limpas, o cabelo lavado e cheio de gel.”, as orações estão coordenadas entre si, justapostas (assindéticas), pois são sintaticamente independentes e não há conjunção ligando-as — apenas vírgulas. A passagem que comprova é a própria enumeração: cada oração tem sentido completo e poderia ser separada por ponto final sem prejuízo sintático.

“A pele cheirava a sabonete azul limpo, as orelhas não tinham cera, as unhas cortadas e limpas, o cabelo lavado e cheio de gel.”

A banca cobra a distinção entre coordenação (orações independentes) e subordinação (oração dependente, que exerce função sintática na principal), e dentro da coordenação, entre sindéticas (com conjunção) e assindéticas (sem conjunção). O trecho é o caso clássico de assindéticas: as orações vêm uma ao lado da outra, separadas por vírgula, sem conectivo.

A técnica que decide

  1. Identifique os verbos: “cheirava”, “tinham”, “cortadas” (verbo no particípio, mas com valor de oração reduzida), “lavado” (idem). Cada verbo forma uma oração.

  2. Teste a independência: cada oração tem sujeito e predicado próprios e faz sentido sozinha. Ex.: “A pele cheirava a sabonete azul limpo.” — frase completa.

  3. Procure conjunções: não há “e”, “mas”, “porque”, “quando” etc. entre as orações. A ausência de conectivo é a marca da assindética.

  4. Conclua: são orações coordenadas assindéticas (justapostas).

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Subordinação, com orações substantivas. As orações substantivas exercem função de sujeito, objeto etc. e são introduzidas por conjunção integrante (“que”, “se”). No trecho, nenhuma oração depende da outra; todas são independentes. Erro: contradiz o texto — não há subordinação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Coordenação, com orações justapostas. As orações são sintaticamente independentes e estão justapostas (uma ao lado da outra), sem conjunção — apenas vírgulas. É exatamente o que ocorre no trecho. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Coordenação, com orações sindéticas. Sindéticas são ligadas por conjunção coordenativa (e, mas, ou, logo, pois). No trecho não há conjunção; as orações são assindéticas. Erro: troca de conceito — confunde sindética com assindética.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Subordinação, com orações adverbiais. Orações adverbiais funcionam como adjunto adverbial da principal e são introduzidas por conjunções subordinativas (quando, porque, embora etc.). Aqui não há dependência sintática nem conjunção subordinativa. Erro: contradiz o texto — não há subordinação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Coordenação, com orações explicativas. Orações explicativas são sindéticas, introduzidas por “que”, “porque”, “pois” (antes do verbo). No trecho não há conjunção explicativa; as orações são assindéticas. Erro: troca de conceito — confunde explicativa com assindética.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece “sindéticas” e “subordinadas” para tentar o candidato que não repara na ausência de conectivo. A presença de vírgulas e a independência sintática são a chave.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar orações, sublinhe os verbos e procure conjunções. Se não houver conectivo, é assindética; se houver, identifique o tipo (aditiva, adversativa etc.).

Conclusão: a relação entre as orações do trecho é de coordenação assindética (justapostas), pois são independentes e sem conjunção. Portanto, gabarito: letra B.

Link permanente: /questoes/vu218215