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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — VUNESP 2025

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
vu218222
Banca
VUNESP
Órgão
FEMA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

“As Rosas”, de Júlia Lopes de Almeida

 

Uma tarde, em setembro, desci ao jardim. Que crepúsculo aquele! No céu, esgarçado de nuvens, a lua, em foice, brilhava já, e com tamanha doçura, que dava vontade na gente de não fazer outra coisa senão olhar para ela! Havia também no ar, transparente e calmo, tal delicadeza de colorido, que a minha alma ficaria nela estática, se os olhos, percorrendo tudo, não vissem logo a infinidade de rosas, que as minhas roseiras prometiam.

 

— Quantos botões, Mãe do Céu!

 

— Tudo isto abre esta noite — resmungou com voz soturna o jardineiro... — Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!

 

A minha fantasia desencadeou-se. Centenas de rosas frescas, todas abertas, deveriam dar uma graça nova àquele recanto, pouco acostumado a semelhante fartura de flores.

 

Eu mesma quereria colhê-las ainda frescas de orvalho: mandaria um ramalhete a minha mãe, cobriria de rosas a sepultura de minha filha, encheria de rosas a minha casa...

 

E, usando de uma forma imperativa e severa, pouco comum em mim, disse ao medonho e hirsuto jardineiro que não tocasse nenhuma flor! Seria eu quem as colhesse todas!

 

(Júlia Lopes de Almeida. Ânsia eterna, 2020.)

Passando-se para o discurso indireto a fala “— Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!”, o verbo sublinhado assume a forma:

  1. Ahavia.
  2. Bhaveria.
  3. Chaviam.
  4. Dhaveriam.
  5. Ehouvera.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — haveria.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conversão de discurso direto para indireto: o verbo "haver"

Gabarito: letra B. Na passagem da fala do jardineiro para o discurso indireto, o verbo "haverá" (futuro do presente do indicativo) deve ser convertido em "haveria" (futuro do pretérito do indicativo), conforme a regra de correlação temporal do discurso indireto. A forma permanece na 3ª pessoa do singular porque o verbo "haver", no sentido de "existir", é impessoal e invariável — não concorda com "centenas de rosas".

O comando pede uma reescritura (transposição de discurso), não uma interpretação. Você precisa aplicar a regra de conversão dos tempos verbais: no discurso indireto, o futuro do presente do discurso direto vira futuro do pretérito. É uma questão de gramática aplicada ao texto, e a resposta se prova pela regra, não por dedução.

No texto, a fala original é:

"— Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!"

Ao passar para o indireto, teríamos algo como: "O jardineiro disse que amanhã haveria centenas de rosas no jardim." Note que o advérbio "amanhã" também mudaria para "no dia seguinte", mas a questão foca apenas no verbo.

A regra de conversão é direta: futuro do presente do indicativo → futuro do pretérito do indicativo. Veja a tabela:

Discurso direto

Discurso indireto

Presente do indicativo

Pretérito imperfeito do indicativo

Futuro do presente

Futuro do pretérito

Pretérito perfeito

Pretérito mais-que-perfeito

A pegadinha central está no verbo haver. Muitos candidatos, ao verem "centenas de rosas", pensam em plural e marcam "haviam". Mas o verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal: não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Por isso, a forma correta é "haveria", e não "haveriam".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o verbo "haver" (impessoal, invariável) e a concordância com o núcleo plural "centenas de rosas". A forma "haviam" é um erro clássico de concordância — o verbo haver, quando significa "existir", não varia.

PEGA ESSA DICA!

Ao converter discursos, decore a correlação: futuro do presente → futuro do pretérito. E lembre: "haver" no sentido de existir é impessoal — nunca pluralize.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"havia" — Pretérito imperfeito do indicativo. Essa forma corresponderia ao presente do indicativo do discurso direto (ex.: "há rosas" → "havia rosas"). Como o original está no futuro do presente ("haverá"), a conversão correta é para o futuro do pretérito, não para o pretérito imperfeito. Erro: troca de tempo verbal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"haveria" — Futuro do pretérito do indicativo. É exatamente a conversão do futuro do presente "haverá". Além disso, mantém a forma impessoal (singular), pois o verbo haver não varia. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"haviam" — Pretérito imperfeito do indicativo, na 3ª pessoa do plural. Além de estar no tempo errado (deveria ser futuro do pretérito), pluraliza indevidamente o verbo haver, que é impessoal. Erro: tempo verbal + concordância indevida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"haveriam" — Futuro do pretérito do indicativo, na 3ª pessoa do plural. O tempo está correto, mas a concordância está errada: o verbo haver, no sentido de existir, não flexiona para o plural. Erro: concordância indevida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"houvera" — Pretérito mais-que-perfeito do indicativo. Essa forma corresponderia ao pretérito perfeito do discurso direto (ex.: "houve rosas" → "houvera rosas"). Como o original está no futuro, não se aplica. Erro: troca de tempo verbal.

Conclusão: a única forma que respeita tanto a correlação temporal (futuro do presente → futuro do pretérito) quanto a impessoalidade do verbo haver é "haveria". As demais ou erram o tempo ou pluralizam indevidamente o verbo. Gabarito: letra B.

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