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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218223
Banca
VUNESP
Órgão
FEMA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

“As Rosas”, de Júlia Lopes de Almeida

 

Uma tarde, em setembro, desci ao jardim. Que crepúsculo aquele! No céu, esgarçado de nuvens, a lua, em foice, brilhava já, e com tamanha doçura, que dava vontade na gente de não fazer outra coisa senão olhar para ela! Havia também no ar, transparente e calmo, tal delicadeza de colorido, que a minha alma ficaria nela estática, se os olhos, percorrendo tudo, não vissem logo a infinidade de rosas, que as minhas roseiras prometiam.

 

— Quantos botões, Mãe do Céu!

 

— Tudo isto abre esta noite — resmungou com voz soturna o jardineiro... — Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!

 

A minha fantasia desencadeou-se. Centenas de rosas frescas, todas abertas, deveriam dar uma graça nova àquele recanto, pouco acostumado a semelhante fartura de flores.

 

Eu mesma quereria colhê-las ainda frescas de orvalho: mandaria um ramalhete a minha mãe, cobriria de rosas a sepultura de minha filha, encheria de rosas a minha casa...

 

E, usando de uma forma imperativa e severa, pouco comum em mim, disse ao medonho e hirsuto jardineiro que não tocasse nenhuma flor! Seria eu quem as colhesse todas!

 

(Júlia Lopes de Almeida. Ânsia eterna, 2020.)

“Eu mesma quereria colhê-las ainda frescas de orvalho: mandaria um ramalhete a minha mãe, cobriria de rosas a sepultura de minha filha, encheria de rosas a minha casa…”   Considerando o contexto, a narradora elenca nessa frase uma série de ações que
  1. Aela já realizou parcialmente.
  2. Bela já realizou.
  3. Co jardineiro irá realizar.
  4. Do jardineiro já realizou.
  5. Eela deseja realizar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — ela deseja realizar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O desejo da narradora: o valor do futuro do pretérito

Gabarito: letra E. A narradora elenca ações que ela deseja realizar — e a prova está no modo e no tempo dos verbos: "quereria", "mandaria", "cobriria", "encheria" estão no futuro do pretérito do indicativo, tempo que expressa desejo, hipótese ou intenção, não ação concretizada. Como se lê no trecho: "Eu mesma quereria colhê-las ainda frescas de orvalho: mandaria um ramalhete a minha mãe, cobriria de rosas a sepultura de minha filha, encheria de rosas a minha casa...".

O comando: compreensão com apoio na gramática

O enunciado pede que você identifique o que a narradora faz ao elencar essas ações — ou seja, qual é o valor semântico da sequência verbal. Não é uma questão de localizar informação explícita, mas de inferir a intenção a partir das pistas morfológicas (tempo e modo dos verbos). A banca quer que você perceba que o futuro do pretérito não indica fato realizado, e sim projeção, desejo, possibilidade.

O texto: a fantasia diante das rosas

No conto, a narradora vê as roseiras cheias de botões e o jardineiro anuncia: "Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!". Diante disso, "A minha fantasia desencadeou-se" — ou seja, ela imagina o que faria com as flores. O trecho citado é a materialização dessa fantasia: ela projeta colher as rosas, mandar um ramalhete à mãe, cobrir a sepultura da filha e encher a casa. Nada disso aconteceu; é tudo projeção mental.

A técnica: o futuro do pretérito como marca de desejo

O futuro do pretérito do indicativo (quereria, mandaria, cobriria, encheria) é o tempo verbal que expressa fatos hipotéticos, desejos, condições ou cortesia. Ele não relata o que foi feito, mas o que se desejaria fazer ou se faria em determinada condição. Compare com o pretérito perfeito ("fiz", "mandei"), que indica ação concluída. Aqui, a narradora não colheu as rosas ainda — ela quereria colhê-las. O verbo "quereria" é a chave: ele explicita o desejo, e os demais verbos (mandaria, cobriria, encheria) são consequências desse desejo.

"Eu mesma quereria colhê-las ainda frescas de orvalho: mandaria um ramalhete a minha mãe, cobriria de rosas a sepultura de minha filha, encheria de rosas a minha casa..."

A palavra "quereria" é o verbo principal que rege toda a sequência: ela quereria fazer tudo aquilo. Os outros verbos estão no mesmo tempo e modo, formando uma cadeia de intenções. Não há nenhum verbo no pretérito perfeito que indique realização; não há nenhuma marca de que o jardineiro tenha feito algo. Tudo está no campo do desejo e da imaginação.

  1. 1Quereria (desejo)
  2. 2Mandaria (projeção)
  3. 3Cobriria (projeção)
  4. 4Encheria (projeção)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"ela já realizou parcialmente"Contradiz o texto. O trecho usa exclusivamente o futuro do pretérito ("quereria", "mandaria", "cobriria", "encheria"), que expressa desejo, não fato. Não há nenhum verbo no pretérito perfeito ("fiz", "mandei") que indique ação realizada, nem parcialmente. A alternativa inventa uma realização que o texto não autoriza.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"ela já realizou"Contradiz o texto. Idem à anterior, mas de forma ainda mais forte: afirma que tudo já foi feito. O texto, porém, está todo no futuro do pretérito, que é o tempo do irreal, do hipotético. A narradora não realizou nada; ela deseja realizar. A alternativa extrapola ao transformar desejo em fato consumado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"o jardineiro irá realizar"Contradiz o texto e troca o sujeito. O sujeito de todos os verbos é "eu" (a narradora): "Eu mesma quereria... mandaria... cobriria... encheria". O jardineiro, no texto, apenas anuncia que as rosas abrirão ("Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!") e recebe a ordem de não tocar nas flores ("disse ao medonho e hirsuto jardineiro que não tocasse nenhuma flor!"). Ele não é o agente das ações elencadas. A alternativa troca o sujeito e inverte a relação entre os personagens.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"o jardineiro já realizou"Contradiz o texto e troca o sujeito. Além de atribuir ao jardineiro ações que são da narradora, ainda afirma que já foram realizadas. O texto não dá nenhum indício de que o jardineiro tenha colhido rosas, mandado ramalhete ou coberto sepultura. Pelo contrário: a narradora proíbe que ele toque nas flores. A alternativa acumula dois erros: sujeito errado e tempo errado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"ela deseja realizar"Perfeita paráfrase do texto. O verbo "quereria" é a pista decisiva: ele expressa desejo. Os demais verbos no futuro do pretérito ("mandaria", "cobriria", "encheria") são projeções desse desejo. A narradora imagina o que faria com as rosas, mas não realizou nada. A alternativa capta exatamente o valor semântico do tempo verbal.

PEGA ESSA DICA!

Em questões que perguntam "o que a narradora faz ao elencar ações", grife os verbos e identifique o tempo e o modo. Futuro do pretérito = desejo/hipótese; pretérito perfeito = ação concluída. Essa distinção resolve a questão sem precisar de interpretação subjetiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre desejo e realização. As alternativas A, B, C e D tentam fazer você acreditar que as ações já aconteceram ou serão feitas por outro, quando o texto está todo no campo da imaginação da narradora. O verbo "quereria" é a âncora que desmonta todas elas.

Gabarito: letra E — a única que respeita o valor do futuro do pretérito e o sujeito das ações.

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