Questão de Português — Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa) — VUNESP 2025
Português›Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Código
vu218224
Banca
VUNESP
Órgão
FEMA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Considere o texto a seguir para responder a questão
“As Rosas”, de Júlia Lopes de Almeida
Uma tarde, em setembro, desci ao jardim. Que crepúsculo aquele! No céu, esgarçado de nuvens, a lua, em foice, brilhava já, e com tamanha doçura, que dava vontade na gente de não fazer outra coisa senão olhar para ela! Havia também no ar, transparente e calmo, tal delicadeza de colorido, que a minha alma ficaria nela estática, se os olhos, percorrendo tudo, não vissem logo a infinidade de rosas, que as minhas roseiras prometiam.
— Quantos botões, Mãe do Céu!
— Tudo isto abre esta noite — resmungou com voz soturna o jardineiro... — Amanhã haverá centenas de rosas no jardim!
A minha fantasia desencadeou-se. Centenas de rosas frescas, todas abertas, deveriam dar uma graça nova àquele recanto, pouco acostumado a semelhante fartura de flores.
Eu mesma quereria colhê-las ainda frescas de orvalho: mandaria um ramalhete a minha mãe, cobriria de rosas a sepultura de minha filha, encheria de rosas a minha casa...
E, usando de uma forma imperativa e severa, pouco comum em mim, disse ao medonho e hirsuto jardineiro que não tocasse nenhuma flor! Seria eu quem as colhesse todas!
(Júlia Lopes de Almeida. Ânsia eterna, 2020.)
“disse ao medonho e hirsuto jardineiro que não tocasse nenhuma flor”
Passada para a voz passiva, a oração sublinhada transforma- se em:
Aque nenhuma flor seria tocada.
Bque nenhuma flor fosse tocada.
Cque não tocaria nenhuma flor.
Dque não toque nenhuma flor.
Eque nenhuma flor seja tocada.
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GabaritoB — que nenhuma flor fosse tocada.
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Voz passiva em oração subordinada: o modo subjuntivo preservado
Gabarito: letra B. A oração sublinhada "que não tocasse nenhuma flor" é uma subordinada substantiva objetiva indireta, e sua conversão para a voz passiva exige manter o tempo e o modo verbais do original. Como o verbo "tocasse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, a forma passiva correta é "que nenhuma flor fosse tocada" — com o auxiliar "ser" também no pretérito imperfeito do subjuntivo ("fosse"), seguido do particípio "tocada". As demais alternativas ou trocam o tempo/modo verbal, ou alteram a estrutura da voz passiva.
O comando da questão
O enunciado pede uma transformação gramatical específica: passar a oração sublinhada para a voz passiva. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de reescritura com manutenção do sentido e da estrutura sintática. O que se avalia é se o candidato conhece o mecanismo de conversão ativa → passiva e, principalmente, se sabe preservar o tempo e o modo verbais da oração original.
A estrutura da oração original
No trecho "disse ao medonho e hirsuto jardineiro que não tocasse nenhuma flor", temos:
Verbo principal: "disse" (pretérito perfeito do indicativo).
Objeto indireto: "ao medonho e hirsuto jardineiro".
Oração subordinada substantiva objetiva indireta: "que não tocasse nenhuma flor" — funciona como complemento do verbo "disse" (disse a alguém que...).
Dentro dessa oração subordinada, o verbo "tocasse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, e o sujeito é oculto (eu). O objeto direto é "nenhuma flor".
A regra da conversão ativa → passiva
Na voz passiva analítica, o objeto direto da ativa vira sujeito paciente, e o verbo principal assume a forma de particípio, antecedido pelo verbo auxiliar ser (ou estar). O tempo e o modo do auxiliar devem reproduzir os do verbo da ativa. Veja o esquema:
Voz ativa
Voz passiva analítica
Eu tocasse as flores
As flores fossem tocadas (por mim)
Eu toco as flores
As flores são tocadas
Eu tocaria as flores
As flores seriam tocadas
No caso, o verbo "tocasse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo. O auxiliar "ser" deve ficar no mesmo tempo e modo: "fosse". O particípio de "tocar" é "tocada" (concordando com "flor", feminino singular).
Aplicando ao trecho
A oração "que não tocasse nenhuma flor" vira "que nenhuma flor fosse tocada". Note que:
O sujeito oculto (eu) desaparece, pois não há agente da passiva explícito.
O objeto direto "nenhuma flor" torna-se sujeito paciente.
O advérbio "não" permanece antes do verbo.
"disse ao medonho e hirsuto jardineiro que nenhuma flor fosse tocada"
A alternativa B reproduz exatamente essa estrutura.
Análise das alternativas
Voz passiva (conversão)
1Objeto direto → sujeito paciente
2Verbo ativo → particípio
3Auxiliar "ser" no mesmo tempo/modo
4Ex.: "tocasse" → "fosse tocada"
5Tempo/modo preservados
Pretérito imperfeito do subjuntivo
"fosse" + particípio
6Erros comuns
Trocar modo (indicativo no lugar de subjuntivo)
Trocar tempo (presente no lugar de pretérito)
Manter voz ativa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"que nenhuma flor seria tocada" — troca o modo subjuntivo pelo futuro do pretérito do indicativo ("seria"). O texto original está no subjuntivo, e a conversão deve preservar o modo. Além disso, o tempo verbal muda de pretérito imperfeito para futuro do pretérito, alterando o sentido temporal.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"que nenhuma flor fosse tocada" — mantém o pretérito imperfeito do subjuntivo ("fosse") e usa o particípio "tocada". É a conversão perfeita: o objeto direto vira sujeito paciente, o auxiliar "ser" fica no mesmo tempo/modo do verbo ativo, e a estrutura da oração subordinada é preservada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"que não tocaria nenhuma flor" — permanece na voz ativa (verbo "tocaria" no futuro do pretérito do indicativo). A questão pede a voz passiva, então essa alternativa não realiza a conversão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"que não toque nenhuma flor" — também permanece na voz ativa, agora no presente do subjuntivo ("toque"). Além de não passar para a passiva, altera o tempo verbal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"que nenhuma flor seja tocada" — está na voz passiva, mas o auxiliar "seja" está no presente do subjuntivo, enquanto o original está no pretérito imperfeito do subjuntivo. A conversão exige manter o mesmo tempo, então o correto seria "fosse", não "seja".
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que parecem passivas, mas com tempo verbal errado (E), ou que mantêm a voz ativa (C e D), ou que mudam o modo (A). A chave é verificar tempo e modo do verbo original e exigi-los no auxiliar da passiva.
PEGA ESSA DICA!
Ao converter para a passiva, pergunte-se: qual é o tempo e o modo do verbo da ativa? O auxiliar "ser" deve repeti-los. Se o original está no subjuntivo, a passiva também deve estar.
Conclusão: a única alternativa que preserva o tempo (pretérito imperfeito) e o modo (subjuntivo) do verbo original, realizando corretamente a conversão para a voz passiva, é a letra B. As demais ou não convertem, ou alteram o tempo/modo, ou ambos.