Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218228
Banca
VUNESP
Órgão
FEMA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Considere o texto a seguir para responder a questão
“Gato que brincas na rua”, de Fernando Pessoa
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
(www.arquivopessoa.net)
Os versos “Gato que brincas na rua / Como se fosse na cama,” sugerem, no contexto do poema, que o gato age com
Adespreocupação.
Bpressa.
Cprudência.
Dmalícia.
Eimpaciência.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — despreocupação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A despreocupação do gato: inferência a partir da comparação
Gabarito: letra A. Os versos “Gato que brincas na rua / Como se fosse na cama” sugerem que o gato age com despreocupação, pois a comparação entre a rua e a cama indica que ele se sente tão à vontade e seguro no espaço público quanto em seu lugar de descanso. A pista está na palavra “Como”, que instaura uma comparação: o gato brinca na rua como se estivesse na cama, ou seja, sem receio, sem pressa, sem intenção calculada — apenas entregue ao brincar.
O comando: o que a questão pede
O enunciado usa o verbo “sugerem”, o que indica uma questão de interpretação/inferência: a resposta não está literalmente escrita, mas é uma dedução ancorada em pistas do texto. Não se trata de localizar uma informação explícita (compreensão), mas de captar o efeito de sentido produzido pela comparação. Para resolver, você deve perguntar: que atitude o texto autoriza atribuir ao gato? A resposta precisa nascer dos versos, não do seu conhecimento de mundo sobre gatos.
O texto: a comparação como chave
O poema de Fernando Pessoa constrói um contraste entre o gato e o eu lírico. O gato é descrito como um ser integrado à natureza: “Bom servo das leis fatais / Que regem pedras e gentes”, “Que tens instintos gerais / E sentes só o que sentes”. Ele é feliz porque é assim — não se questiona, não se divide. Já o eu lírico sofre com a autoconsciência: “Eu vejo-me e estou sem mim, / Conheço-me e não sou eu”.
A comparação do primeiro verso é a porta de entrada para essa leitura: brincar na rua como se estivesse na cama significa que o gato não distingue entre o espaço público e o privado, entre o perigo e o conforto. Ele não calcula riscos, não tem pressa, não age com malícia — simplesmente brinca. A cama é o lugar do descanso, da segurança absoluta; a rua, o lugar do movimento e do imprevisto. Ao igualá-los, o poeta sugere que o gato vive sem preocupação, no sentido mais pleno.
A técnica: inferência legítima × extrapolação
Aqui vale a distinção central da interpretação de texto: inferência legítima é aquela que se apoia em pistas do próprio texto; extrapolação é quando você acrescenta informação de fora. A alternativa correta (A) é uma inferência legítima: a comparação autoriza a ideia de despreocupação. As demais alternativas (B, C, D, E) ou extrapolam (atribuem ao gato uma intenção que o texto não menciona) ou contradizem o tom do poema.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: “sugerem” pede inferência com pista, não o que está escrito. E desconfie de alternativas que descrevem ações físicas (pressa, prudência) quando o texto fala de uma atitude.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. A comparação “Como se fosse na cama” indica que o gato brinca na rua com a mesma tranquilidade que teria em seu lugar de descanso. A cama é o símbolo do conforto e da segurança; ao brincar na rua como se estivesse na cama, o gato demonstra despreocupação — não se importa com o ambiente, não tem receio, não calcula. O poema reforça isso nos versos seguintes: “És feliz porque és assim, / Todo o nada que és é teu”. O gato é feliz porque não se preocupa, porque vive no presente, sem a angústia da autoconsciência que atormenta o eu lírico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não menciona pressa. A comparação com a cama sugere exatamente o oposto: um estado de calma e entrega. Atribuir pressa ao gato seria acrescentar uma informação que não está nos versos. A banca oferece essa alternativa para testar se você lê a cena literalmente (gato correndo na rua) em vez de captar o efeito da comparação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. Prudência implica cautela, cálculo de riscos — algo que o texto não atribui ao gato. Pelo contrário, a comparação com a cama sugere ausência de cautela: o gato se comporta na rua como se estivesse em um lugar seguro, sem avaliar perigos. A alternativa C inverte o sentido da comparação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. Malícia é uma intenção calculada, uma esperteza. O texto descreve o gato como um ser instintivo e integrado às leis naturais: “Bom servo das leis fatais / Que regem pedras e gentes”. Não há qualquer sugestão de que o gato aja com segundas intenções. A malícia é uma característica humana, e o poema justamente contrasta a simplicidade do gato com a complexidade do eu lírico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. Impaciência é o oposto da tranquilidade sugerida pela comparação com a cama. O gato brinca como se estivesse na cama, ou seja, sem pressa, sem ansiedade. A alternativa E contradiz o tom do poema, que exalta a serenidade do gato.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de inferir a partir de uma comparação. A resposta correta é a que traduz o efeito de sentido da comparação em uma atitude: despreocupação. As demais alternativas extrapolam ao atribuir ao gato intenções ou estados que o texto não autoriza. Lembre-se: em interpretação, a resposta mora no texto — nem mais, nem menos.