Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
- Código
- vu218243
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FESA
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )

- AIncomunicabilidade.
- BDispersão.
- CTecnocracia.
- DIncoerência.
- EDistopia.

GabaritoE — Distopia.
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que captura a relação de sentido entre os quadrinhos de André Dahmer: a distopia — a representação de uma sociedade futura indesejável, marcada pela opressão, pela alienação e pela perda de valores humanos. O título é apropriado porque sintetiza o tom crítico e a visão pessimista que a sequência de quadrinhos constrói sobre a vida contemporânea, especialmente no que diz respeito à relação do indivíduo com a tecnologia e com o trabalho.
A questão não pergunta o que os quadrinhos dizem literalmente, mas qual título seria apropriado para eles, considerando a relação de sentido entre as cenas. Isso exige uma leitura global e inferencial: é preciso captar o tema central e o tom que unificam as tirinhas, e não apenas descrever uma cena isolada. O título deve funcionar como uma síntese — uma palavra ou expressão que condense a ideia principal e a crítica subjacente.
Os quadrinhos de André Dahmer, publicados em "Quadrinhos dos anos 20", são conhecidos por sua crítica social ácida e por retratar o absurdo da vida moderna. A sequência apresentada explora, de forma irônica e pessimista, a alienação do indivíduo em um mundo dominado pela tecnologia, pelo consumo e pela lógica do trabalho. A tese que emerge é a de que a sociedade contemporânea, apesar de todo o avanço tecnológico, tornou-se um lugar desumanizado e opressivo — exatamente o que caracteriza uma distopia.
Para resolver questões que pedem um título, o caminho é:
Identificar o tema central — sobre o que os quadrinhos falam? (a vida moderna, a tecnologia, o trabalho)
Identificar o tom — como o autor trata esse tema? (crítico, irônico, pessimista)
Buscar uma palavra que sintetize ambos — o título deve condensar o tema e o tom.
A distopia é exatamente isso: um termo que nomeia uma sociedade imaginária indesejável, geralmente futurista, onde a opressão e a alienação são a regra. É o oposto da utopia (sociedade ideal). Nos quadrinhos, a tecnologia e o trabalho, que deveriam trazer bem-estar, aparecem como instrumentos de controle e infelicidade — uma visão distópica.
Incomunicabilidade refere-se à falta de comunicação entre as pessoas. Embora os quadrinhos possam sugerir isolamento, o termo é restritivo: capta apenas um aspecto (a dificuldade de diálogo) e não abrange a crítica social mais ampla que a distopia engloba. O texto não se limita a mostrar pessoas que não se comunicam; ele mostra uma sociedade inteira funcionando de forma opressiva e alienante. A alternativa restringe o alcance do tema.
Dispersão significa espalhamento, falta de foco. Não há nos quadrinhos uma ideia de dispersão — pelo contrário, há uma concentração em torno de um mesmo problema (a vida moderna). O termo é tangencial: relaciona-se vagamente com a ideia de caos, mas não sintetiza a crítica central. É uma fuga ao tema.
Tecnocracia é o governo ou domínio dos técnicos, a ideia de que a sociedade é dirigida por especialistas. Embora a tecnologia apareça nos quadrinhos, o foco não é o poder dos técnicos, mas a experiência humana nesse mundo tecnológico. A alternativa troca o conceito: confunde o meio (tecnologia) com o fim (a crítica à desumanização).
Incoerência refere-se à falta de lógica ou contradição entre ideias. Os quadrinhos, apesar de apresentarem situações absurdas, são coerentes em sua crítica: há uma lógica interna que une as cenas. A alternativa contradiz o texto, pois a sequência não é incoerente — ela é coerente em sua mensagem distópica.
Distopia é o termo que melhor sintetiza a relação de sentido entre os quadrinhos. A sequência retrata uma sociedade indesejável, marcada pela alienação, pela opressão e pela perda de valores humanos — características centrais do conceito de distopia. O título é apropriado porque condensa o tema e o tom da obra: a crítica pessimista à vida moderna.
Ao escolher um título, pergunte-se: "essa palavra abrange tudo o que o texto diz, ou apenas uma parte?" Títulos corretos são sínteses, não recortes.
A banca oferece termos que se aproximam do tema (incomunicabilidade, dispersão, incoerência) mas que captam apenas um aspecto parcial ou tangencial, enquanto o título correto exige a síntese do conjunto.
Gabarito: letra E — a única alternativa que nomeia com precisão a visão distópica que os quadrinhos constroem.
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