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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218244
Banca
VUNESP
Órgão
FESA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Estou no meu computador de mesa, escrevendo. Na estante logo atrás, há uma máquina de escrever antiga. Abaixo dela, outra, mais nova, mas que se encaixa na mesma categoria: antiga. E o próprio computador também, porque hoje todo mundo usa laptop e só dinossauros como eu insistem no de mesa. Assim como as máquinas de escrever, foram-se as canetas-tinteiros, o caderno de caligrafia que me fez sofrer na infância… Existir, existem. Mas tornaram-se objetos de colecionador ou de gente teimosa, como os que insistem nos discos de vinil. Para quê, se música tem no celular? E por falar em celular… Conheço gente que só sai de casa com o seu e mais nada. Nele estão os documentos, carteira de motorista, cartões de crédito, aplicativos para fotos, vídeos e música. Tudo mais foi embora. Simplesmente são coisas e hábitos que deixaram de existir e ninguém sentiu falta. Pelo contrário, todos sentem-se muito mais confortáveis com um aparelhinho só, que concentre tudo. Há objetos que perderam sua utilidade e viraram enfeites, como um gramofone na sala. Mas logo partirão. As salas estão menores, e logo não haverá espaço para enfeites. A história é dividida em eras. Sei que estamos na da tecnologia. Mas não será a do adeus a um mundo que, já, já, não existirá mais?

 

(https://veja.abril.com.br, 29.09.2024.)

Leia o trecho inicial do artigo “O que não temos mais”, de Walcyr Carrasco, para responder a questão seguinte.   Em relação aos avanços tecnológicos, o autor mostra-se, sobretudo,
  1. Aindignado.
  2. Bresignado.
  3. Cempolgado.
  4. Dsarcástico.
  5. Eincrédulo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — resignado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tom do autor: resignação diante dos avanços tecnológicos

Gabarito: letra B. O autor mostra-se, sobretudo, resignado — aceita, com certa melancolia, que objetos e hábitos antigos desapareçam com a tecnologia. Essa atitude se prova no trecho final: "Mas não será a do adeus a um mundo que, já, já, não existirá mais?" — a pergunta retórica, somada ao "já, já", revela conformidade com a inevitabilidade da mudança, não revolta, entusiasmo ou ironia.

O comando: o que a banca pede

A questão quer que você identifique a atitude predominante do autor em relação aos avanços tecnológicos. Não se trata de localizar uma informação explícita (como "o autor está triste"), mas de inferir o tom a partir de marcas textuais: escolha de palavras, figuras, perguntas retóricas. É uma questão de interpretação, não de compreensão literal.

O texto: tema e movimento argumentativo

O texto de Walcyr Carrasco é uma crônica reflexiva sobre a obsolescência de objetos e hábitos: máquina de escrever, caneta-tinteiro, caderno de caligrafia, discos de vinil, até o computador de mesa. O autor constata que tudo isso "deixou de existir e ninguém sentiu falta" e que as pessoas se sentem "muito mais confortáveis com um aparelhinho só".

O movimento é de constatação e aceitação: ele não briga contra a tecnologia, não a elogia efusivamente, não duvida dela. A pergunta final — "Mas não será a do adeus a um mundo que, já, já, não existirá mais?" — é retórica: a resposta já está implícita (sim, será o adeus), e o tom é de quem se conforma com o curso natural das coisas.

A técnica: como identificar o tom

O tom é a atitude do autor que transparece nas escolhas linguísticas. Para identificá-lo, procure:

  • Verbos e advérbios que indicam estado de espírito ("insisto", "teimosa", "já, já");

  • Perguntas retóricas — não esperam resposta, mas reforçam uma convicção;

  • Contrastes entre o que era e o que é ("Existir, existem. Mas tornaram-se objetos de colecionador");

  • Ironia — quando o autor diz o contrário do que pensa, com intenção crítica. Aqui, não há ironia: há lamento suave, não zombaria.

A resignação é a aceitação passiva de algo inevitável. O autor não se revolta (indignação), não celebra (empolgação), não zomba (sarcasmo) e não duvida (incredulidade). Ele constata e aceita.

1Resignado (gabarito)
Aceita a inevitabilidade
Melancolia suave
Pergunta retórica final
2Indignado (A)
Não há revolta no texto
3Empolgado (C)
Não há celebração
4Sarcástico (D)
Não há zombaria
5Incrédulo (E)
Não há dúvida
Tom do autor
LEVELsoulevel.com.br
Tom do autor: Resignado (gabarito) (Aceita a inevitabilidade, Melancolia suave, Pergunta retórica final); Indignado (A) (Não há revolta no texto); Empolgado (C) (Não há celebração); Sarcástico (D) (Não há zombaria); Incrédulo (E) (Não há dúvida)

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Indignado expressaria revolta, protesto. O texto não traz nenhuma marca de indignação: o autor não critica a tecnologia, não a acusa de destruir valores. Pelo contrário, reconhece que "todos sentem-se muito mais confortáveis com um aparelhinho só". A indignação seria uma extrapolação — acrescentar uma emoção que o texto não sustenta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Resignado é a atitude de quem aceita o que não pode mudar. O autor constata a extinção de objetos e hábitos ("foram-se as canetas-tinteiros", "Tudo mais foi embora") e, em vez de lutar contra, pergunta, conformado: "Mas não será a do adeus a um mundo que, já, já, não existirá mais?" A pergunta retórica, com o "já, já" (indicando iminência), revela aceitação melancólica — exatamente a resignação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Empolgado expressaria entusiasmo, celebração dos avanços. O autor não elogia a tecnologia; apenas a constata como fato. Ele até se inclui entre os "dinossauros" que insistem no computador de mesa, o que denota distanciamento, não empolgação. Atribuir entusiasmo seria acrescentar opinião que o texto não contém.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sarcástico implicaria zombaria, crítica mordaz. O texto tem um tom suave, nostálgico, não mordaz. A expressão "só dinossauros como eu" é autoirônica, mas não sarcástica — o sarcasmo ataca o outro; aqui, o autor se inclui com afeto. Confundir autoc ironia com sarcasmo é um erro comum; o sarcasmo exigiria uma intenção agressiva que não existe.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Incrédulo expressaria descrença, dúvida. O autor não duvida da tecnologia; ele a aceita como inevitável. A pergunta final não é de incredulidade, mas retórica — ele já sabe a resposta. Dizer que o autor é incrédulo seria contradizer o texto, que mostra conformidade, não ceticismo.

Conclusão

A única alternativa que se sustenta integralmente no texto é a B, pois a atitude do autor é de resignação: ele constata a extinção de objetos e hábitos e aceita, com melancolia, que o mundo mude. As demais ou extrapolam (indignação, empolgação) ou contradizem (sarcasmo, incredulidade) o tom real do texto.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o tom, pergunte-se: "O autor briga, celebra, zomba, duvida ou aceita?" A resposta está nas marcas linguísticas — verbos, advérbios, perguntas retóricas. Não confie no "achismo": procure a passagem que comprova.

Gabarito: letra B

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