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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — VUNESP 2025

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
vu218249
Banca
VUNESP
Órgão
FESA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Andam todos em nossa terra por tal forma estonteados com as proezas infernais dos belacíssimos1 “vons” alemães, que não sobram olhos para enxergar males caseiros.

 

Venha, pois, uma voz do sertão dizer às gentes da cidade que se lá fora o fogo da guerra lavra implacável, fogo não menos destruidor devasta nossas matas, com furor não menos germânico.

 

Em agosto, por força do excessivo prolongamento do inverno, “von Fogo” lambeu montes e vales, sem um momento de tréguas, durante o mês inteiro.

 

Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira e, breve, novo “verão de sol” se estirou por outubro adentro, dando azo2 a que se torrasse tudo quanto escapara à sanha de agosto.

 

A serra da Mantiqueira ardeu como ardem aldeias na Europa, e é hoje um cinzeiro imenso, entremeado aqui e acolá, de manchas de verdura — as restingas úmidas, as grotas frias, as nesgas salvas a tempo pela cautela dos aceiros. Tudo mais é crepe negro.

 

À hora em que escrevemos, fins de outubro, chove. Mas que chuva cainha3! Que miséria d’água! Enquanto caem do céu pingos homeopáticos, medidos a conta- -gotas, o fogo, amortecido mas não dominado, amoita- -se insidioso nas piúcas4, a fumegar imperceptivelmente, pronto para rebentar em chamas mal se limpe o céu e o sol lhe dê a mão.

 

(https://monteirolobato.com, 2001.)

 

1 belacíssimo: guerreiro.

2 azo: motivo.

3 cainha: avarenta.

4 piúca: madeira seca.

Leia o trecho do texto “Velha Praga”, de Monteiro Lobato, para responder a questão seguinte.   Embora predomine no texto o emprego de vocabulário culto, o autor recorre à linguagem popular no seguinte trecho:
  1. A“fogo não menos destruidor devasta nossas matas” (2° parágrafo, em verde).
  2. B“sem um momento de tréguas, durante o mês inteiro” (3° parágrafo, em azul).
  3. C“Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira” (4° parágrafo, em roxo).
  4. D“A serra da Mantiqueira ardeu como ardem aldeias na Europa” (5° parágrafo, em amarelo).
  5. E“À hora em que escrevemos, fins de outubro, chove” (6° parágrafo, em laranja).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira” (4° parágrafo, em roxo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem popular em texto culto: identificando o coloquialismo

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o autor recorre à linguagem popular — o trecho "chuvinhas de apagar poeira" (4º parágrafo) —, pois o diminutivo afetivo "chuvinhas" e a expressão idiomática "de apagar poeira" (que significa chuva fraca, que só assenta a poeira) são marcas típicas do registro coloquial, em contraste com o vocabulário culto que predomina no restante do texto. As demais alternativas mantêm o nível formal, com vocabulário erudito e construções sintáticas complexas.

O comando pede que se identifique o trecho em que, apesar do predomínio do vocabulário culto, o autor usa linguagem popular. Isso exige reconhecer as marcas de coloquialidade: expressões do cotidiano, diminutivos afetivos, gírias, construções informais. Não se trata de interpretar o sentido, mas de classificar o registro linguístico de cada trecho.

No texto de Monteiro Lobato, o nível culto aparece em expressões como "proezas infernais", "fogo não menos destruidor", "furor não menos germânico", "sanha de agosto", "cautela dos aceiros", "crepe negro", "pingos homeopáticos". São vocábulos eruditos, muitos em sentido figurado, que exigem repertório do leitor. Em meio a esse padrão, o autor insere uma passagem de sabor popular: "chuvinhas de apagar poeira".

A técnica para resolver é comparar o nível de formalidade de cada trecho. A linguagem popular caracteriza-se por: vocabulário simples e cotidiano, diminutivos com valor afetivo, expressões idiomáticas e coloquialismos. A linguagem culta, por sua vez, usa vocabulário rico, erudito, muitas vezes com sentido figurado e sintaxe complexa. O trecho da alternativa C concentra duas marcas populares: o diminutivo "chuvinhas" (que não indica apenas tamanho, mas carinho/intimidade com o fato narrado) e a expressão "de apagar poeira" (que descreve uma chuva tão fraca que só molha a superfície, assenta a poeira — imagem do cotidiano rural).

"Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira e, breve, novo 'verão de sol' se estirou por outubro adentro"

A expressão "chuvinhas de apagar poeira" é uma metáfora coloquial: não é uma chuva que literalmente apaga poeira, mas uma chuva fraca, típica do linguajar popular. O diminutivo "chuvinhas" reforça o tom informal, afetivo, quase carinhoso — recurso muito comum na fala cotidiana. Nenhuma outra alternativa apresenta marcas tão claras de coloquialidade.

Linguagem popular (coloquial)
  • 1Marcas típicas
    • Diminutivo afetivo (chuvinhas)
    • Expressão idiomática (de apagar poeira)
    • Gírias
  • 2Contraste com culto
    • Vocabulário erudito
    • Sentido figurado (metáfora)
    • Sintaxe complexa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"fogo não menos destruidor devasta nossas matas"

O trecho mantém o registro culto: o adjetivo "destruidor" e o verbo "devastar" são vocábulos eruditos, de uso formal. Não há marcas de coloquialidade. A alternativa tangencia o tema ao falar de fogo, mas não apresenta linguagem popular.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"sem um momento de tréguas, durante o mês inteiro"

A expressão "sem um momento de tréguas" é uma metáfora erudita (tréguas = suspensão de hostilidades, termo de uso formal/literário). A construção é culta, sem marcas de oralidade. A alternativa contradiz a ideia de linguagem popular, pois o vocábulo "tréguas" é claramente formal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira"

Como explicado, o diminutivo afetivo "chuvinhas" e a expressão idiomática "de apagar poeira" são marcas inequívocas de linguagem popular/coloquial. É o único trecho em que o autor abandona o tom erudito para usar uma imagem do cotidiano.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A serra da Mantiqueira ardeu como ardem aldeias na Europa"

A comparação é construída com vocabulário culto e sentido figurado (a serra "arde" como uma aldeia em guerra). A imagem é literária, não coloquial. A alternativa extrapola ao sugerir que a comparação seria popular, quando na verdade é uma metáfora erudita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"À hora em que escrevemos, fins de outubro, chove"

O trecho é uma construção formal, com a locução adverbial "à hora em que" e a estrutura sintática completa. Não há marcas de coloquialidade. A alternativa tangencia o tema ao falar de chuva, mas o registro é culto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sentido figurado e linguagem popular. As alternativas A, B e D usam metáforas (fogo destruidor, tréguas, serra que arde), mas com vocabulário erudito — são figuras de linguagem em registro culto, não coloquialismos. Apenas C usa expressão verdadeiramente popular.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar linguagem popular, procure diminutivos afetivos (chuvinhas, casebre, velhinho), expressões idiomáticas (de apagar poeira, pagar mico, dar com os burros n'água) e gírias. Vocabulário erudito com sentido figurado é culto, não coloquial.

Gabarito: letra C.

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