Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218257
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Vest ( )
Considere o trecho do romance ilustrado As aventuras de Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte, de Angelo Agostini (1843-1910) e Cândido Aragonez de Faria (1849-1911), publicado originalmente entre 30 de janeiro de 1869 e 12 de outubro de 1872. O Dia do Quadrinho Nacional é celebrado em 30 de janeiro em razão justamente da data de publicação do primeiro capítulo desse romance ilustrado.
Nhô1 Quim, jovem de vinte anos, filho único de gente rica porém honrada, namorara-se de sinhá Rosa, moça virtuosa, mas que... de louça nem um pires. O velho Quim, tendo só em vista a felicidade do pequeno, entende que mulher sem dinheiro é asneira; e por isso em lugar de mandar o filho plantar batatas, (o que seria muito proveitoso na roça), resolve-o a dar um passeio à Corte para distraí-lo.
(Angelo Agostini e Cândido Aragonez de Faria. As aventuras do Nhô Quim:
ou impressões de uma viagem à Corte, 2024. Adaptado.)
1 nhô: tratamento reverente dispensado originalmente aos brancos, especialmente aos patrões ou proprietários, pelos escravizados.
2 ruço: pelo castanho-claro.
3 selim: sela para montaria.
4 ratão: indivíduo excêntrico, extravagante.
5 caiporismo: estado, condição ou qualidade de quem é caipora, infeliz ou azarado em tudo ou quase tudo que faz ou que lhe sucede.
Considerando o contexto histórico-social de produção do romance ilustrado, depreende-se que Nhô Quim viajou para a seguinte cidade:
AParaty.
BSão Paulo.
CRio de Janeiro.
DSalvador.
EOuro Preto.
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GabaritoC — Rio de Janeiro.
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A cidade da Corte: contexto histórico-social em As aventuras de Nhô Quim
Gabarito: letra C. A viagem de Nhô Quim foi para o Rio de Janeiro, a "Corte" do Império do Brasil no século XIX. A pista decisiva está no próprio título da obra — As aventuras de Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte — e na expressão "passeio à Corte" no trecho, que, no contexto histórico-social de 1869, designava a capital imperial, o Rio de Janeiro. As demais cidades (Paraty, São Paulo, Salvador, Ouro Preto) não eram a Corte e não têm qualquer apoio no texto.
O comando pede uma inferência ("depreende-se"), ou seja, a resposta não está escrita literalmente como "Rio de Janeiro", mas é uma dedução ancorada em pistas do texto e do contexto histórico-social de produção. A banca não quer que você decore geografia; quer que você perceba que "Corte" é uma palavra-chave que, no Brasil imperial, nomeava a capital. Vamos ver como o texto autoriza essa conclusão.
O trecho apresenta Nhô Quim, jovem de vinte anos, filho de gente rica, que é enviado pelo pai a um "passeio à Corte" para se distrair. O título completo da obra já anuncia o destino: "impressões de uma viagem à Corte". No Brasil do século XIX, a Corte era a sede do governo imperial, a cidade do Rio de Janeiro, para onde a família real portuguesa se transferiu em 1808 e que permaneceu como capital do Império até 1889. Essa informação é pressuposta pelo texto: o termo "Corte" carrega esse significado histórico, e o contexto de produção (1869-1872) confirma que se trata do Rio de Janeiro.
A técnica central aqui é distinguir inferência legítima de extrapolação. A inferência legítima se apoia em pistas do próprio texto (o título, a palavra "Corte") e no contexto histórico-social que o enunciado manda considerar. Extrapolar seria, por exemplo, afirmar que Nhô Quim viajou para uma cidade específica que não tem relação com a Corte, ou inventar detalhes da viagem que o texto não menciona. A banca explora exatamente isso: oferece cidades que existiam no Brasil imperial, mas que não eram a Corte, para ver se você se deixa levar por conhecimento de mundo solto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na extrapolação com fato verdadeiro: todas as cidades listadas existiam no Brasil do século XIX, mas apenas uma era a Corte. Quem não conhece o significado histórico de "Corte" pode cair em qualquer uma delas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Paraty é uma cidade histórica do litoral fluminense, mas não era a Corte. O texto não menciona Paraty em nenhum momento, e o título fala em "viagem à Corte", não em viagem a Paraty. A alternativa extrapola ao trazer uma cidade que não tem vínculo com a expressão "Corte".
Alternativa B — ❌ Incorreta
São Paulo, no século XIX, era uma província importante, mas não era a Corte. A Corte era o Rio de Janeiro. O texto não dá nenhuma pista de que Nhô Quim tenha ido a São Paulo; a palavra "Corte" aponta para outro destino. A alternativa contradiz o que o texto sugere, ao trocar o referente da viagem.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Rio de Janeiro era a Corte do Império do Brasil. O título da obra — As aventuras de Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte — e a expressão "passeio à Corte" no trecho são as pistas que autorizam a inferência. No contexto histórico-social de 1869, "Corte" designava a capital imperial, o Rio de Janeiro. A alternativa é a única inteiramente sustentada pelo texto e pelo contexto de produção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Salvador foi capital do Brasil Colônia, mas não era a Corte no século XIX. O texto não menciona Salvador, e a expressão "Corte" não se aplica a ela nesse período. A alternativa extrapola ao trazer uma cidade que não tem relação com a pista textual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Ouro Preto foi capital de Minas Gerais e teve importância histórica, mas não era a Corte. O texto não dá nenhuma indicação de que Nhô Quim tenha ido a Ouro Preto. A alternativa tangencia o tema ao citar uma cidade histórica que não corresponde à "Corte" do Império.
Conclusão: a questão ensina que, em inferência, a resposta precisa estar ancorada em pistas do texto e do contexto histórico-social. A palavra "Corte" é a chave: no Brasil imperial, ela nomeava o Rio de Janeiro. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta cidade como destino?" — apenas o Rio de Janeiro é autorizado pela expressão "Corte".