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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218266
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Cargo
V - - Vest ( )

Considere o início do ensaio “Bom dia, senhor Courbet!” do crítico de arte Jorge Coli (1947- ).

 

Gustave Courbet (1819-1877) e sua obra revelam uma relação intrincada entre aquilo que é subjetivo e aquilo que é coletivo; entre aquilo que é biografia individual e aquilo que é pintura propriamente dita. Não se trata de uma obra, à primeira vista, sedutora. Ao contrário, ela elimina o fascínio mais imediato — o fascínio das belas cores, por exemplo; o fascínio dos temas, torturados ou felizes. Contraditória com o modo de ser do artista — que era truculento, tagarela, escandaloso, barulhento —, essa obra é grave e silenciosa. Ela exige recolhimento, meditação, ela exige a frequentação persistente, ela exige o olhar prolongado. Os quadros de Courbet dão a impressão de conterem elementos destinados a afugentar o olhar superficial e mesmo, algumas vezes, a horrorizá-lo.

 

Mas essa obra e seu autor, de modo cúmplice, promoveram o desgarramento dos vínculos que submetiam os artistas a valores que estavam constituídos fora deles. Até Courbet, os artistas dependiam de um universo ético que estavam encarregados de veicular — por exemplo, Jacques-Louis David (1748-1825) celebra a Revolução Francesa, ou celebra o Império napoleônico; Eugène Delacroix (1798-1863) tratará de temas que envolvem a liberdade política. O que nós assistimos com a arte de Courbet é ao seu afastamento desses critérios externos que possuem valores já constituídos, e ao estabelecimento, para o artista, de um lugar que é independente e que lhe é próprio: este lugar é o da marginalidade. Courbet circunscreve pela primeira vez o campo da marginalidade, e o define como um território de eleição, um território privilegiado em relação ao dos outros homens.

 

O artista marginal é aquele que não deve mais nada nem ao mundo, nem a ninguém — a não ser a si próprio. Ao mesmo tempo independente e consciente da elevação de sua tarefa artística, é obrigado, para manter-se à altura de si mesmo, a estabelecer os seus próprios valores. Isto é, ele é obrigado a construir uma ética para si.

 

(https://artepensamento.ims.com.br, 1992. Adaptado.)

De acordo com Jorge Coli, a obra de Courbet, em contradição com o modo de ser do artista, caracteriza-se
  1. Apela eloquência.
  2. Bpela discrição.
  3. Cpelo escárnio.
  4. Dpelo rebuscamento.
  5. Epela combatividade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — pela discrição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A obra de Courbet: discrição em oposição ao artista

Gabarito: letra B. A obra de Courbet caracteriza-se pela discrição, pois o texto afirma que ela é "grave e silenciosa" e que "exige recolhimento, meditação", em contradição com o modo de ser do artista, que era "truculento, tagarela, escandaloso, barulhento". A alternativa B é a única que parafraseia fielmente essa oposição central do primeiro parágrafo.

O comando pede uma questão de compreensão/recorrência — "De acordo com Jorge Coli" —, ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase de informação explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. A tarefa é localizar a passagem que descreve a obra e confrontá-la com a descrição do artista, captando a relação de oposição marcada pelo conectivo "Contraditória".

O texto constrói um contraste deliberado entre o artista e sua obra. Veja a passagem decisiva:

"Contraditória com o modo de ser do artista — que era truculento, tagarela, escandaloso, barulhento —, essa obra é grave e silenciosa."

Aqui está a chave: o autor opõe os adjetivos do artista (truculento, tagarela, escandaloso, barulhento) aos da obra (grave, silenciosa). A palavra "discrição" é o sinônimo perfeito de "grave e silenciosa" — algo que não se impõe pelo barulho ou pela ostentação. O texto reforça essa ideia ao dizer que a obra "elimina o fascínio mais imediato" e "exige o olhar prolongado", ou seja, não se revela de forma ruidosa ou superficial.

A técnica para resolver: grife os adjetivos opostos e busque a alternativa que os sintetize. As distratoras, em geral, ou extrapolam (atribuem à obra características do artista ou de outros contextos) ou tangenciam o tema (trazem palavras que não aparecem no texto). Teste cada uma perguntando: "o texto autoriza esta característica para a OBRA?"

Obra de Courbet
  • 1Características
    • Grave e silenciosa
    • Exige recolhimento e meditação
    • Elimina o fascínio imediato
  • 2Oposição ao artista
    • Artista: truculento, tagarela, escandaloso
    • Obra: discreta
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de sujeito (contradiz o texto). A "eloquência" (facilidade de falar bem, tagarelice) é característica do artista, não da obra. O texto diz que o artista era "tagarela", mas a obra é "silenciosa". A alternativa inverte a oposição central, atribuindo à obra o que pertence ao homem.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O texto afirma que a obra é "grave e silenciosa" e que "exige recolhimento, meditação". "Discrição" é exatamente isso: qualidade do que é sóbrio, reservado, que não chama atenção ruidosamente. A alternativa captura a essência da descrição da obra, em oposição ao artista barulhento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O "escárnio" (zombaria, desprezo) não é mencionado em relação à obra. O texto fala em elementos que "afugentam o olhar superficial" e "horrorizá-lo", mas isso não equivale a escárnio — é uma descrição de impacto estético, não de atitude de deboche. A alternativa acrescenta uma ideia que o texto não sustenta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: fora do escopo (tangencia). O "rebuscamento" (excesso de ornamentação, complexidade artificial) não aparece no texto. A obra é descrita como "grave e silenciosa", o que sugere simplicidade e sobriedade, não rebuscamento. A alternativa introduz um conceito estético que o autor não aborda.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A "combatividade" (disposição para lutar, agressividade) é uma característica que o texto atribui ao artista — "truculento" —, não à obra. A obra, ao contrário, é "silenciosa" e exige "recolhimento". A alternativa confunde o modo de ser do artista com o caráter da obra, invertendo a relação de oposição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as características do artista (truculento, tagarela, escandaloso, barulhento) e as da obra (grave, silenciosa). As alternativas A e E usam adjetivos que descrevem o homem, não a pintura — leia com atenção a quem cada adjetivo se refere.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe os adjetivos e os conectivos de oposição (mas, porém, contraditória, ao contrário). Eles são o mapa da resposta: a banca quase sempre cobra a relação que eles estabelecem.

Gabarito: letra B. A resposta mora na oposição explícita entre o artista "barulhento" e a obra "grave e silenciosa" — e "discrição" é a paráfrase exata desse segundo polo.

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