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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2025

PortuguêsConjunção
Código
vu218276
Banca
VUNESP
Órgão
CM Cerquilho
Ano
2025
Cargo
Cont ( )

Brasil dá importante passo para que todos aprendam matemática

 

Uma proposta mais do que necessária foi anunciada em 30 de junho pelo ministro da Educação para melhorar a qualidade da aprendizagem na educação básica. Toda Matemática é o nome da nova política do Ministério da Educação, voltada para romper com as tristes estatísticas das quais os estudantes brasileiros fazem parte há muito tempo nas avaliações nacionais e internacionais quando o assunto envolve cálculos, estimativas e números em geral. Já era tempo: a matemática é um desafio na educação brasileira há décadas — 73% dos estudantes na faixa etária de 15 anos não atingiram o mínimo de proficiência no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), na edição mais recente. Segundo dados do Todos pela Educação, 59% dos estudantes terminam o ensino médio em níveis muito abaixo do esperado nessa disciplina, o que significa dizer que não sabem calcular sequer porcentagens e, no pior dos casos, não resolvem problemas com as quatro operações básicas.

 

Além de não cumprir o dever de garantir o direito à aprendizagem matemática a todos os cidadãos, não estamos evoluindo economicamente como país quanto poderíamos (e precisamos) no que diz respeito à empregabilidade, principalmente porque não damos conta de ensinar (bem). A recém-divulgada pesquisa “As competências matemáticas no mercado de trabalho brasileiro: o papel da escolaridade e implicações para os rendimentos”, publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que profissionais em ocupações que exigem maior domínio da matemática podem chegar a ganhar 85% a mais do que aqueles em funções que requerem menos habilidades na área. O pesquisador Maurício Cortez Reis analisou de que maneira a importância atribuída aos conhecimentos em matemática ou à capacidade para trabalhar com números está atrelada aos rendimentos e como a escolaridade pode influenciar esse processo. Além disso, o estudo mostra que a taxa de escolaridade mais elevada facilita o acesso a essas ocupações. E mais: mesmo os menos escolarizados, quando trabalham com números, ganham mais do que se estivessem em ocupações que não valorizam as competências matemáticas.

 

Se não investirmos na formação adequada dos estudantes, inclusive e especialmente em matemática, fazendo disso um projeto no País, estamos condenando crianças, adolescentes e jovens a serem adultos com subempregos, não formaremos profissionais de diferentes áreas com qualidade e capacidade de absorver demandas do mercado. O Toda Matemática deverá promover nas redes públicas de ensino uma base sólida para alavancar o letramento matemático, contribuindo para diminuir o número de cidadãos que não sabem resolver problemas simples envolvendo uma ou mais das quatro operações básicas: adição, subtração, multiplicação e divisão, e têm baixa compreensão dos números, podendo somente identificar dígitos familiares de alguma maneira.

 

(Kátia Smole. https://www.estadao.com.br/opiniao/ espaco-aberto, 02.07.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão abaixo:

   

Considere as passagens:

 

• ... não estamos evoluindo economicamente como país quanto poderíamos (e precisamos) no que diz respeito à empregabilidade, principalmente porque não damos conta de ensinar (bem). 

• E mais: mesmo os menos escolarizados, quando trabalham com números, ganham mais do que se estivessem em ocupações que não valorizam as competências matemáticas. 

 

No contexto em que estão empregadas, as expressões destacadas veiculam, correta e respectivamente, sentidos de:

  1. Ameio; causa; concessão; conclusão.
  2. Bcausa; causa; restrição; comparação.
  3. Cmodo; causa; inclusão; comparação.
  4. Dmodo; explicação; afirmação; consequência.
  5. Emeio; explicação; afirmação; conclusão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — modo; causa; inclusão; comparação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico dos conectivos: como, porque, mesmo e do que

Gabarito: letra C. A questão pede o sentido das expressões destacadas no contexto — e a única sequência que se sustenta é modo; causa; inclusão; comparação. O primeiro "como" indica modo (a maneira como não ensinamos), o "porque" indica causa (a razão de não evoluirmos), o "mesmo" tem valor de inclusão (até os menos escolarizados) e o "do que" estabelece comparação (ganham mais em relação a outras ocupações). Vejamos cada trecho no texto.

O comando: sentido no contexto, não classificação isolada

O enunciado pede que você identifique o valor semântico das expressões destacadas tal como empregadas no texto. Isso significa que não basta decorar a classe gramatical — é preciso observar a relação que o conectivo estabelece entre as ideias. A banca VUNESP adora esse tipo de questão: ela testa se você entende que uma mesma palavra (como "como" ou "mesmo") pode ter sentidos diferentes conforme o contexto.

O texto: a tese e o movimento argumentativo

O texto defende a importância da nova política "Toda Matemática" para melhorar a aprendizagem. No segundo parágrafo, a autora explica por que o país não evolui economicamente: falta ensinar bem. É exatamente aí que moram os dois primeiros conectivos. No mesmo parágrafo, ela apresenta o estudo do Ipea e destaca que mesmo os menos escolarizados ganham mais quando trabalham com números — aí está o "mesmo" com valor de inclusão. Por fim, a comparação entre ocupações que exigem mais ou menos matemática aparece no "do que".

A técnica: teste cada conectivo pela relação que ele cria

Para resolver, pergunte: que relação lógica esse conectivo estabelece entre as orações ou termos? Veja:

  • "como" em "não damos conta de ensinar (bem)" — o trecho completo é "principalmente como não damos conta de ensinar". O "como" aqui indica a maneira, o modo como não ensinamos. Não é comparação, porque não há dois elementos sendo comparados; é a forma da ação.

  • "porque" — conjunção causal clássica: introduz a causa de não evoluirmos economicamente. O texto diz: "não estamos evoluindo economicamente... porque não damos conta de ensinar". A causa é explícita.

  • "mesmo" em "mesmo os menos escolarizados" — aqui "mesmo" equivale a "até", "inclusive": inclui um grupo que, à primeira vista, estaria fora da afirmação. É inclusão, não concessão (não há ideia de "embora").

  • "do que" em "ganham mais do que se estivessem em ocupações..." — estrutura comparativa: compara o ganho de quem trabalha com números com o de quem não trabalha. É comparação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir "como" (modo) com "como" (comparação) e "mesmo" (inclusão) com "mesmo que" (concessão). Fique atento: "mesmo" sem "que" é inclusão; "mesmo que" é concessão.

1"como" → modo
maneira da ação
não é comparação
2"porque" → causa
razão de não evoluir
3"mesmo" → inclusão
equivale a "até"
⚠️ ≠ "mesmo que" (concessão)
4"do que" → comparação
estrutura comparativa
Conectivos e seus sentidos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos e seus sentidos: "como" → modo (maneira da ação, não é comparação); "porque" → causa (razão de não evoluir); "mesmo" → inclusão (equivale a "até", ⚠️ ≠ "mesmo que" (concessão)); "do que" → comparação (estrutura comparativa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência meio; causa; concessão; conclusão erra no primeiro e no terceiro conectivo. "Como" não indica meio (instrumento), e "mesmo" não é concessão — não há ideia de ressalva. O "do que" também não é conclusão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

causa; causa; restrição; comparação — o primeiro "como" não é causa (é modo), e "mesmo" não restringe; ele inclui. A alternativa acerta apenas no "porque" (causa) e no "do que" (comparação).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Sequência perfeita: modo (como não ensinamos), causa (porque não ensinamos), inclusão (mesmo os menos escolarizados = até eles), comparação (do que). Cada conectivo foi testado no contexto e todos se confirmam.

Alternativa D — ❌ Incorreta

modo; explicação; afirmação; consequência — o "porque" é causa, não mera explicação (embora haja debate, aqui é causa); "mesmo" não é afirmação; e "do que" não é consequência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

meio; explicação; afirmação; conclusão — repete os erros de A e D: "como" não é meio, "mesmo" não é afirmação, e "do que" não é conclusão.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "como", teste: se puder substituir por "da mesma forma que" → comparação; se indicar a maneira da ação → modo. E lembre: "mesmo" (inclusão) ≠ "mesmo que" (concessão).

Conclusão: a resposta é a letra C, pois é a única em que todos os conectivos têm o valor semântico correto no contexto. Para acertar sempre, leia o trecho inteiro e pergunte: que relação lógica o conectivo estabelece?

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