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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu218283
Banca
VUNESP
Órgão
CM Cerquilho
Ano
2025
Cargo
CA ( )

Por que alguns são pontuais e outros não?

 

No início do relacionamento, antes de se casarem, Anne Kelsh trabalhava de casa e gostava de preparar o jantar para o parceiro – o que ela descrevia como “o prazer do papel doméstico”.

 

Ele disse que gostava de jantar às 18 horas. Para Anne, esse horário era um pouco cedo, mas ela estava disposta a se adaptar – até que percebeu que “quando ele dizia 18 horas, era 18 horas em ponto”.

 

Para ela, o horário era mais uma sugestão. “Oito da noite é o horário em que a cortina sobe num espetáculo, e você precisa estar lá nesse horário”, disse. “Mas o jantar é só o jantar. É o jantar na nossa própria casa. Eu não conseguia entender esse senso de rigidez.”

 

A pontualidade, após o casamento, tornou-se uma fonte constante de atrito. Anne, que sempre teve dificuldades em cumprir horários, costumava dizer: “Eu me casei com você, não entrei para o Exército.”

 

Enquanto isso, o marido frequentemente se irritava com a incapacidade dela de chegar pontualmente a compromissos e encontros, um hábito que ele considerava grosseiro.

 

Discussões sobre pontualidade são comuns, mas especialistas dizem que, muitas vezes, elas são apenas um reflexo de algo mais profundo: as diferentes formas de como nos relacionamos com o tempo.

 

Na década de 1950, o antropólogo Edward T. Hall cunhou os termos “monocrônico” e “policrônico” para descrever diferentes atitudes culturais em relação à gestão do tempo.

 

Nos países do norte da Europa e nos Estados Unidos – que Hall chamou de sociedades “monocrônicas” –, ele observou que as pessoas tendem a enfatizar prazos e a realizar tarefas de forma sequencial, completando uma antes de iniciar outra. Já na América Latina, na África e no Oriente Médio – que ele classificou como sociedades “policrônicas” –, percebeu que as pessoas se sentem mais à vontade em mudar de foco no meio de uma tarefa e são menos rígidas com horários.

 

Estudos mostram que as pessoas são mais criativas, motivadas e produtivas quando trabalham em seu estilo preferido – quer alternando entre várias tarefas quer focando intensamente em uma só. Compreender sua própria relação com o tempo pode facilitar sua vida e ajudar a evitar conflitos com as pessoas ao seu redor.

(O Estado de S.Paulo, agosto de 2025. Adaptado)

Texto base para responder pergunta abaixo.     Assinale a alternativa que apresenta a frase de acordo com a norma-padrão de concordância e/ou de regência.
  1. AExiste pessoas que preferem mais realizar tarefas de forma sequencial do que mudar de foco no meio de uma tarefa.
  2. BA dificuldade em cumprir horários quando Anne namorava com o marido causavam atritos.
  3. CPara o parceiro de Anne, o horário ideal para o jantar eram às 18 horas.
  4. DOs Estados Unidos adota atitudes culturais “monocrômicas”.
  5. EAnne namorava o parceiro e tarefas domésticas eram, para ela, um prazer.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Anne namorava o parceiro e tarefas domésticas eram, para ela, um prazer.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância e regência: a frase que respeita a norma-padrão

Gabarito: letra E. A única frase inteiramente correta é a E: "Anne namorava o parceiro e tarefas domésticas eram, para ela, um prazer" — nela, o verbo namorar é transitivo direto (namora-se algo/alguém, sem preposição) e o verbo ser concorda com o sujeito composto "tarefas domésticas" (plural). As demais alternativas violam a concordância verbal ou a regência, como se verá a seguir.

O comando pede a frase "de acordo com a norma-padrão de concordância e/ou de regência" — ou seja, não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras gramaticais a frases que reescrevem ideias do texto. A banca mistura dois tópicos: concordância (verbo concordando com o sujeito; adjetivo/artigo concordando com o substantivo) e regência (a preposição exigida pelo verbo ou pelo nome). Para acertar, é preciso testar cada frase em dois pontos: (1) o verbo está na pessoa/número corretos? (2) a preposição (se houver) é a exigida pela regência?

O texto-base fala de Anne, que "trabalhava de casa e gostava de preparar o jantar para o parceiro", e de sua dificuldade com horários. As alternativas aproveitam esse conteúdo, mas o que decide é a forma gramatical, não o sentido. Vejamos cada uma.

Verbo

Regência

Concordância

Namorar (E)

Transitivo direto — sem preposição

"Anne namorava o parceiro" ✅

Existir (A)

Pessoal — tem sujeito

"Existem pessoas" (plural) ❌

Causar (B)

Pessoal — sujeito "dificuldade"

"causava atritos" (singular) ❌

Ser (C)

Não exige preposição

"era 18 horas" (singular) ❌

Adotar (D)

Pessoal — sujeito "Os EUA"

"adotam" (plural) ❌

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal. O verbo existir é impessoal? Não — existir tem sujeito, e o sujeito é "pessoas" (plural). A forma correta é "Existem pessoas". A frase "Existe pessoas" erra ao pôr o verbo no singular com sujeito plural. A banca explora a confusão com o verbo haver (que é impessoal e fica no singular: "Há pessoas").

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal. O sujeito é "A dificuldade em cumprir horários" (núcleo: "dificuldade", singular). O verbo causar deve concordar com o núcleo: "A dificuldade ... causava atritos" (singular). A frase "causavam" (plural) está errada. A banca distancia o verbo do sujeito com a expressão "em cumprir horários" para confundir.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal e regência. O sujeito é "o horário ideal para o jantar" (singular), então o verbo ser deve ficar no singular: "era às 18 horas". Além disso, a regência: "o horário era às 18 horas" — o verbo ser não exige preposição; o correto seria "era 18 horas" (sem "às"). A frase "eram às 18 horas" erra na concordância (plural com sujeito singular) e na regência (preposição indevida).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: concordância verbal. O sujeito é "Os Estados Unidos" (plural, pois tem artigo "Os"). O verbo adotar deve concordar: "Os Estados Unidos adotam" (plural). A frase "adota" (singular) está errada. A banca explora a confusão com nomes de países que podem ser usados no singular quando sem artigo, mas aqui o artigo "Os" exige plural.

Alternativa E — ✅ Correta

Correta. O verbo namorar é transitivo direto: namora-se alguém (sem preposição). "Anne namorava o parceiro" — correto. O verbo ser concorda com o sujeito composto "tarefas domésticas" (plural): "tarefas domésticas eram um prazer" — correto. A frase respeita tanto a regência quanto a concordância.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, identifique primeiro o núcleo do sujeito e ignore os adjuntos. Em regência, pergunte: o verbo pede preposição? Namorar não pede; gostar pede "de"; assistir pede "a" (no sentido de ver).

Conclusão: A única frase que respeita a norma-padrão é a letra E. As demais erram na concordância verbal (A, B, D) ou na regência (C).

Gabarito: letra E

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