Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — VUNESP 2025
Português›Orações Subordinadas Adverbiais
Código
vu218327
Banca
VUNESP
Órgão
FESA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Emocionado e um pouco bêbado, aos cinco minutos do ano-novo ele resolveu telefonar para o velho desafeto.
— Alô?
— Alô. Sou eu.
— Eu quem?
— Eu, pô.
O outro fez silêncio. Depois disse:
— Ah. É você.
— Olha aqui, cara. Eu estou telefonando pra te desejar um feliz ano-novo. Entendeu?
— Obrigado.
— Obrigado, não. Olha aqui. Sei lá, pô...
— Feliz ano-novo pra você também.
— Eu nem me lembro mais por que nós brigamos. Juro que não me lembro.
— Eu também não lembro.
— Então, grande. Como vai Vivinha?
— Bem, bem. Quer dizer, mais ou menos. As enxaquecas...
Ele ficou engasgado. De repente se deu conta de que tinha saudades até das enxaquecas da Vivinha. Como podiam ter passado tantos anos sem se ver? Como tinham deixado uma bobagem afastá-los daquela maneira? As pessoas precisavam se reaproximar. Aquele seria o seu projeto para o fim do milênio. Reaproximar-se das pessoas. Só dar importância ao que aproximava. Puxa! Estava tão enternecido com as enxaquecas da Vivinha que mal podia falar.
— A vida é muito curta. Você está me entendendo? Assim não dá.
Era como se estivesse reclamando com o fornecedor. A vida vinha com a carga muito pequena. Era preciso um botijão maior, senão não dava mesmo. E ainda desperdiçavam vida com bobagem.
Ele quis marcar um encontro para ontem. No Lucas, como antigamente. O outro foi mais sensato e contrapropôs hoje, prevendo que ontem seria um dia de ressaca e segundos pensamentos. E tinha razão. Ontem à noite, ele voltou a telefonar. Falou secamente. Pediu desculpas, disse que não poderia ir ao encontro e despediu-se com um formal “Melhoras para a Vivinha”.
Tinha se lembrado da bobagem que motivara a briga.
(Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola, 2001.)
Leia o conto “Bobagem”, de Luis Fernando Verissimo, para responder à questão.
“Estava tão enternecido com as enxaquecas da Vivinha que mal podia falar” (16º parágrafo)
Em relação à oração que a precede, a oração sublinhada expressa uma
Acausa.
Bconsequência.
Calternativa.
Dcondição.
Efinalidade.
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GabaritoB — consequência.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Oração subordinada adverbial consecutiva: a consequência de estar enternecido
Gabarito: letra B. A oração sublinhada "que mal podia falar" expressa consequência — é o efeito de estar tão enternecido. A estrutura "tão... que" é a marca clássica da oração subordinada adverbial consecutiva: o primeiro termo (tão) intensifica a causa, e o segundo (que) introduz o resultado. Como se lê no trecho:
"Estava tão enternecido com as enxaquecas da Vivinha que mal podia falar"
A oração sublinhada responde à pergunta "o que aconteceu por estar tão enternecido?" — e isso é consequência, não causa.
O comando: classificar a oração subordinada adverbial
A questão pede que você identifique a relação semântica que a oração sublinhada estabelece com a oração principal. Não é uma questão de compreensão do texto, mas de gramática aplicada: reconhecer o tipo de oração subordinada adverbial pela conjunção e pelo sentido. O comando "expressa uma" indica que você deve nomear a circunstância — e aqui a circunstância é de consequência.
O texto: o enternecimento e sua consequência
No conto, o personagem, emocionado, sente saudade até das enxaquecas da Vivinha. O narrador descreve o estado dele: "Estava tão enternecido... que mal podia falar". A oração principal é "Estava tão enternecido" — a causa, o motivo. A oração sublinhada "que mal podia falar" é o resultado desse enternecimento: ele mal conseguia falar porque estava enternecido. A relação é de causa → consequência, e a oração sublinhada é a consequência.
A técnica: identificar a conjunção consecutiva
As orações subordinadas adverbiais consecutivas são introduzidas por conjunções como "que" (precedido de tão, tal, tanto, tamanho), "de modo que", "de sorte que", "de forma que". A estrutura típica é:
tão... que → "Falou tão baixo que ninguém ouviu."
tanto... que → "Estudou tantoque passou em primeiro lugar."
tamanho... que → "Fez tamanho escândalo que foi demitida."
No trecho, temos exatamente "tão enternecido... que mal podia falar": o tão intensifica o adjetivo (causa), e o que introduz a consequência. Essa é a assinatura da oração consecutiva.
A pegadinha: causa × consequência
A banca adora confundir causa e consequência. A oração sublinhada não é a causa — ela é o efeito. A causa é "estar tão enternecido"; a consequência é "mal poder falar". Se você inverter, o sentido se perde: "mal podia falar porque estava enternecido" — aí sim a oração "porque estava enternecido" seria causal. Mas a oração sublinhada é a que vem depois do que, e ela expressa o resultado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece "causa" como distrator, explorando a confusão entre a causa (estar enternecido) e a consequência (mal poder falar). A oração sublinhada é a consequência, não a causa.
Análise das alternativas
1tão (intensifica a causa)
2que (introduz o efeito)
3Oração consecutiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Causa. A oração sublinhada não é a causa, mas a consequência. A causa está na oração principal: "Estava tão enternecido". A oração "que mal podia falar" é o resultado dessa causa. A alternativa inverte a relação — é a pegadinha clássica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Consequência. A oração "que mal podia falar" expressa o efeito de estar tão enternecido. A estrutura "tão... que" é a marca da oração subordinada adverbial consecutiva. O trecho prova:
"Estava tão enternecido com as enxaquecas da Vivinha que mal podia falar"
A oração sublinhada responde "o que aconteceu?" — mal podia falar. Isso é consequência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Alternativa. Orações alternativas são introduzidas por ou, ou... ou, ora... ora, quer... quer e expressam escolha ou alternância. Não há nenhum desses conectivos no trecho. A alternativa tangencia o assunto, pois fala de um tipo de oração que não aparece aqui.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Condição. Orações condicionais são introduzidas por se, caso, desde que, contanto que e expressam uma condição para a realização do fato principal. Não há condição no trecho — o personagem não "mal podia falar" sob condição alguma; ele mal podia falar porque estava enternecido. A alternativa contradiz a relação estabelecida.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Finalidade. Orações finais são introduzidas por para que, a fim de que e expressam objetivo, propósito. O personagem não "mal podia falar" com a finalidade de algo; ele mal podia falar como efeito do enternecimento. A alternativa troca a relação de consequência por finalidade.
Conclusão
A oração sublinhada é consecutiva porque expressa a consequência de estar tão enternecido. A estrutura "tão... que" é a pista decisiva: o tão marca a causa, o que introduz o efeito. Para questões assim, pergunte: "o que a oração sublinhada faz? É o motivo ou o resultado?" Se for o resultado, é consequência.
PEGA ESSA DICA!
Decore as conjunções consecutivas: tão... que, tanto... que, tamanho... que, de modo que, de sorte que. Quando aparecer "tão... que", a oração com "que" é consecutiva.