Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218328
Banca
VUNESP
Órgão
FESA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...
Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.
(Álvares de Azevedo. Lira dos vinte anos, 2000.)
Leia o poema “Minha desgraça”, de Álvares de Azevedo (1831-1852), para responder à questão. O eu lírico do poema declara que a questão que mais o incomoda é
Aa falta de recursos financeiros.
Ba falsidade das relações sociais.
Co rigor da moralidade religiosa.
Do fracasso nas relações amorosas.
Ea ausência de inspiração poética.
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GabaritoA — a falta de recursos financeiros.
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A tese do eu lírico: o que mais o incomoda
Gabarito: letra A. O eu lírico declara que a questão que mais o incomoda é a falta de recursos financeiros, como se lê na estrofe final do poema: "É ter para escrever todo um poema, / E não ter um vintém para uma vela." A alternativa A é a única que parafraseia essa ideia central — a pobreza material que impede até de comprar uma vela para escrever.
O comando pede compreensão ("declara que"), ou seja, a resposta está explícita no texto: basta localizar a passagem que resume a "desgraça" do eu lírico. Não se trata de inferir nada além do que está escrito, nem de recorrer a conhecimentos externos sobre o Romantismo. A técnica é simples: identificar a tese do poema, que aparece na conclusão, e confrontá-la com cada alternativa.
O poema desenvolve um movimento de negação e afirmação: nas duas primeiras estrofes, o eu lírico descarta o que não é sua desgraça (não é ser poeta sem eco, não é andar com roupas rotas, não é ter travesseiro duro). Na terceira estrofe, ele finalmente revela o que é: a impossibilidade de escrever por falta de dinheiro para uma vela. A estrutura "Minha desgraça... é ter para escrever todo um poema, / E não ter um vintém para uma vela" é a conclusão e, portanto, a ideia central.
A armadilha da banca está em oferecer distratores que tangenciam temas românticos típicos (amor, religião, inspiração) para desviar do que o texto realmente afirma. A alternativa E, por exemplo, parece plausível porque o eu lírico fala em "escrever um poema", mas o texto não diz que falta inspiração — diz que falta dinheiro para a vela. A alternativa D também seduz, pois há referência a uma "cândida donzela" e a um amor não correspondido, mas isso é descartado logo no início como não sendo a desgraça principal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a fuga ao tema — oferece alternativas que parecem românticas (amor, religião, inspiração) para desviar do que o texto afirma explicitamente: a falta de recursos financeiros.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. Na estrofe final, o eu lírico afirma:
"É ter para escrever todo um poema, / E não ter um vintém para uma vela."
O termo "vintém" (moeda de pouco valor) e a expressão "não ter" indicam falta de dinheiro. A alternativa parafraseia essa ideia com "falta de recursos financeiros", que é exatamente o que impede o eu lírico de escrever. Não há nenhuma informação no texto que contradiga essa leitura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B extrapola o texto. Em nenhum momento o poema menciona "falsidade das relações sociais". O eu lírico fala de "não ter um eco" no amor e de ser tratado "como um boneco", mas isso se refere a uma relação amorosa específica, não a uma crítica genérica à falsidade social. O texto não autoriza essa generalização.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C tangencia o tema. O poema não aborda "rigor da moralidade religiosa". A palavra "blasfema" (na estrofe final) pode sugerir religiosidade, mas o contexto é de desabafo, não de crítica à moral religiosa. O texto não sustenta essa leitura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D contradiz o texto. O eu lírico menciona o amor não correspondido ("não ter um eco", "tratar-me como um boneco"), mas descarta isso como causa da desgraça:
"Minha desgraça, não, não é ser poeta, / Nem na terra de amor não ter um eco..."
O "não" inicial já exclui o fracasso amoroso. A alternativa D inverte o que o texto afirma.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E troca o conceito. O eu lírico diz que tem "para escrever todo um poema" — ou seja, tem inspiração e conteúdo — mas falta-lhe dinheiro para a vela. A ausência de inspiração não é mencionada; o que falta é o recurso material. A alternativa E confunde "não ter vintém" com "não ter inspiração".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". Palavras como "não" e "mas" são pistas de negação e oposição — o eu lírico nega várias causas antes de afirmar a verdadeira.
Gabarito: letra A — a falta de recursos financeiros é a única causa que o texto afirma explicitamente como a "desgraça" do eu lírico.