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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2025

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
vu218329
Banca
VUNESP
Órgão
FESA
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Minha desgraça, não, não é ser poeta,

Nem na terra de amor não ter um eco,

E meu anjo de Deus, o meu planeta

Tratar-me como trata-se um boneco...

 

Não é andar de cotovelos rotos,

Ter duro como pedra o travesseiro...

Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido

Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...

 

Minha desgraça, ó cândida donzela,

O que faz que o meu peito assim blasfema,

É ter para escrever todo um poema,

E não ter um vintém para uma vela.

 

(Álvares de Azevedo. Lira dos vinte anos, 2000.)

Leia o poema “Minha desgraça”, de Álvares de Azevedo (1831-1852), para responder à questão.     O pronome “Minha” (1ª estrofe) expressa uma relação de posse, assim como o termo sublinhado em:
  1. A“Tratar-me como trata-se um boneco” (1ª estrofe).
  2. BCujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro” (2ª estrofe).
  3. C“Minha desgraça, ó cândida donzela” (3ª estrofe).
  4. D“O que faz que o meu peito assim blasfema” (3ª estrofe).
  5. E“É ter para escrever todo um poema” (3ª estrofe).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro” (2ª estrofe).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pronome possessivo e o valor de posse do relativo "cujo"

Gabarito: letra B. O pronome "Minha" (1ª estrofe) é um possessivo — indica que a desgraça pertence ao eu lírico. A alternativa que mantém essa mesma relação de posse é a B, pois o pronome relativo "cujo" estabelece exatamente isso: o sol pertence ao mundo ("o mundo é um lodaçal perdido / cujo sol..."). Como se lê no 2º verso da 2ª estrofe: "Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro" — aí, "cujo" equivale a "do qual", marcando posse.

O comando pede que você identifique, entre os termos sublinhados, aquele que expressa relação de posse, assim como "Minha". Isso é uma questão de semântica e morfossintaxe: você precisa reconhecer o valor possessivo tanto no pronome adjetivo "minha" quanto no pronome relativo "cujo". Não se trata de interpretar o poema, mas de analisar a função dos pronomes no contexto.

No poema, o eu lírico enumera o que não é sua desgraça (não ser poeta, não ter eco, ser tratado como boneco, andar com cotovelos rotos, ter travesseiro duro) para, no final, revelar o que é: ter poema para escrever, mas não ter dinheiro para uma vela. A relação de posse aparece em vários pontos, mas a questão quer um termo que, como "Minha", expresse posse de forma explícita.

A técnica decisiva: "cujo" é um pronome relativo que sempre carrega valor de posse — equivale a "do qual / da qual / dos quais / das quais". Já os demais termos sublinhados exercem outras funções: pronome oblíquo átono (A), pronome possessivo (C), pronome possessivo (D) e preposição + verbo (E). A banca quer que você perceba que "cujo" é o único que, como "Minha", estabelece uma relação de pertencimento.

1Possessivos (meu, teu, seu)
"Minha" (1ª estrofe)
"meu" (alternativa D)
2Relativo "cujo"
Equivale a "do qual"
Sempre indica posse
✅ "Cujo sol... é o dinheiro"
3Sem valor de posse
Oblíquo "me" (objeto direto)
Preposição "para" (finalidade)
Pronomes com valor de posse
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Pronomes com valor de posse: Possessivos (meu, teu, seu) ("Minha" (1ª estrofe), "meu" (alternativa D)); Relativo "cujo" (Equivale a "do qual", Sempre indica posse, ✅ "Cujo sol... é o dinheiro"); Sem valor de posse (Oblíquo "me" (objeto direto), Preposição "para" (finalidade))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Tratar-me como trata-se um boneco" — o termo sublinhado é o pronome oblíquo átono "me", que exerce função de objeto direto ("tratar-me" = tratar a mim). Não há relação de posse: o "me" não indica que algo pertence ao eu lírico, apenas que ele é o alvo da ação. Erro: troca de conceito — confunde pronome pessoal oblíquo com possessivo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro" — o pronome relativo "cujo" é a forma possessiva por excelência: equivale a "do qual" e estabelece que o sol pertence ao mundo ("o mundo é um lodaçal perdido / cujo sol..."). Assim como "Minha" indica posse da desgraça, "cujo" indica posse do sol. É a única alternativa que mantém a relação de posse pedida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Minha desgraça, ó cândida donzela" — o termo sublinhado é o pronome possessivo "Minha", que é exatamente o mesmo da 1ª estrofe. A questão pede um termo que também expresse posse, mas que não seja o próprio "Minha" repetido. Erro: repetição do exemplo — a banca quer um termo diferente que tenha o mesmo valor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O que faz que o meu peito assim blasfema" — o termo sublinhado é o pronome possessivo "meu", que também indica posse (o peito pertence ao eu lírico). Porém, a questão pede um termo que não seja um possessivo comum, mas sim um que expresse posse de forma diferente — como o relativo "cujo". Erro: repetição do exemplo — "meu" é possessivo, mas não é a resposta pedida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"É ter para escrever todo um poema" — o termo sublinhado é a preposição "para", que introduz uma finalidade (escrever um poema). Não há relação de posse: "para" indica objetivo, não pertencimento. Erro: troca de conceito — confunde preposição de finalidade com pronome possessivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca "Minha" e "meu" (C e D) como distratores óbvios — são possessivos, mas repetem o exemplo. A armadilha é você marcar um deles sem perceber que a questão pede um termo diferente que também expresse posse. O "cujo" é o único que faz isso sem ser um possessivo comum.

PEGA ESSA DICA!

Decore: "cujo" = do qual / da qual / dos quais / das quais — sempre indica posse. Quando a questão pedir "relação de posse", procure por "cujo" ou por possessivos (meu, teu, seu, nosso, vosso, seu).

Gabarito: letra B — o pronome relativo "cujo" é o único termo que, como "Minha", expressa relação de posse de forma explícita e diferente do exemplo dado.

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