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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218351
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sarg ( )

Os franceses sabem restaurar, mas não construir. Com isso, quero dizer que eles têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios de uma era anterior, mas perderam, desde 1945, nos anos de sua maior prosperidade, a capacidade de construir algo novo que não seja medonho.

 

No entanto, não é da incapacidade dos arquitetos franceses modernos que desejo falar, embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante para o meu tema, como logo se verá.

 

O fato é que uma quantidade enorme de paredes e outras superfícies ao longo da estrada que leva a Paris está coberta de grafites ou pichações. Este é um fenômeno social – talvez antissocial – tanto de relativo interesse quanto de importância.

 

Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, já que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.

 

Mas o que está por trás dessa epidemia de pichação? Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador: não vejo nenhum deles “trabalhando” e não conheço nenhum socialmente. Portanto, resta-me apenas conjecturar sobre seu estado de espírito – mas, mesmo que eu conseguisse falar com eles, não é certo que me diriam sua motivação, ou mesmo que a conhecessem por completo.

 

Numa sociedade em que tantos almejam ser “alguém”, ou seja, alguém que as pessoas conhecem ou que as afeta, e na qual o mero fato de se misturar à multidão representa uma humilhação, pichar é um meio pelo qual uma pessoa, de outra forma sem importância nela, pode impor algo de si a essa sociedade.

 

O eu deve se expressar, mesmo que não tenha nada a expressar. Mas não para por aí. Percebi que os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias, em vez das bonitas. Tomo isso como uma evidência de uma faculdade subconsciente de discriminação estética por parte dos pichadores, embora admita que outras explicações sejam possíveis.

 

(Theodore Dalrymple, “A expressão da feiura”.

Disponível em: https://revistaoeste.com/revista/edicao-280. Adaptado.)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     No 4º parágrafo, ao afirmar que há “uma certa etiqueta” para a pichação, o autor está se referindo
  1. Aà existência de uma regra de conduta entre os pichadores quanto à exclusividade da área de pichação.
  2. Bao comportamento respeitoso do pichador com a comunidade quando há proibição de local para pichar.
  3. Cao ato da autoridade pública que confere ao pichador o título de propriedade da área pichada.
  4. Dà afixação de um rótulo em área demarcada para identificação do pichador que se apropria dela.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — à existência de uma regra de conduta entre os pichadores quanto à exclusividade da área de pichação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A "etiqueta" da pichação: regra de conduta entre os pichadores

Gabarito: letra A. Ao afirmar que há "uma certa etiqueta" para a pichação, o autor se refere à regra de conduta entre os próprios pichadores que garante a exclusividade da área já ocupada por um deles. A prova está no 4º parágrafo, quando o texto afirma que, "quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca". A alternativa A é a única que parafraseia fielmente essa ideia, sem acrescentar nada que o texto não diga.

O comando: compreensão direta, não inferência

O enunciado pergunta "ao afirmar que há 'uma certa etiqueta' para a pichação, o autor está se referindo". O verbo "está se referindo" indica uma questão de compreensão/recorrência: a resposta está explícita no texto, bastando localizar o trecho e identificar a que ideia a expressão "etiqueta" se conecta. Não se trata de deduzir algo das entrelinhas, mas de reconhecer a paráfrase correta do que está escrito. A banca quer que você perceba que "etiqueta" aqui não tem o sentido de "boas maneiras" ou "respeito à comunidade", mas de um código de conduta interno do grupo de pichadores.

O texto: a tese e o movimento argumentativo

O texto de Theodore Dalrymple discute a pichação como fenômeno social. O autor parte da constatação da "epidemia de pichação" e, no 4º parágrafo, introduz a ideia de que existe "uma certa etiqueta" nessa prática. A palavra "etiqueta" é usada em sentido figurado: não se trata de regras de cortesia, mas de um código de conduta não escrito que organiza a atividade dos pichadores. O parágrafo seguinte explica exatamente o que seria essa etiqueta: a área de uma parede, uma vez "exigida" por um pichador, torna-se "sua propriedade", com "direito exclusivo" de nela deixar sua marca. Ou seja, há uma regra de respeito à área já ocupada, uma espécie de territorialidade entre os pichadores.

A técnica: paráfrase fiel e eliminação por extrapolação

A questão é de recorrência: a resposta correta é uma paráfrase (reescritura fiel) do que está escrito. Para resolvê-la, você deve:

  1. Localizar o trecho que define "etiqueta" (4º parágrafo).

  2. Identificar os elementos-chave: "regra de conduta", "exclusividade", "área de pichação".

  3. Testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?

A alternativa A é a única que contém exatamente esses elementos, sem introduzir informações novas. As demais extrapolam ou tangenciam o que o texto diz.

1Código de conduta interno
Entre os próprios pichadores
Não escrito
2Territorialidade
Área exigida vira "propriedade"
Direito exclusivo de marcar
3Não é
Respeito à comunidade
Título da autoridade pública
Etiqueta física (rótulo)
"Etiqueta" da pichação (sentido figurado)
LEVELsoulevel.com.br
"Etiqueta" da pichação (sentido figurado): Código de conduta interno (Entre os próprios pichadores, Não escrito); Territorialidade (Área exigida vira "propriedade", Direito exclusivo de marcar); Não é (Respeito à comunidade, Título da autoridade pública, Etiqueta física (rótulo))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que a "etiqueta" se refere "à existência de uma regra de conduta entre os pichadores quanto à exclusividade da área de pichação". Isso é uma paráfrase fiel do 4º parágrafo:

"quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca"

O texto fala de uma regra (a área "exigida" vira "propriedade"), de conduta entre pichadores (é um código interno, não imposto por autoridade) e de exclusividade ("direito exclusivo"). A alternativa A captura todos esses elementos sem acrescentar nada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B fala em "comportamento respeitoso do pichador com a comunidade quando há proibição de local para pichar". O texto não menciona proibição de local, nem comportamento respeitoso com a comunidade. A "etiqueta" descrita é uma regra entre pichadores, não uma relação com a comunidade. A alternativa extrapola ao introduzir a ideia de "respeito à comunidade" e "proibição", que não estão no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a "etiqueta" se refere "ao ato da autoridade pública que confere ao pichador o título de propriedade da área pichada". O texto diz que a área "se torna sua propriedade, por assim dizer" — a expressão "por assim dizer" indica que é uma metáfora, não um título legal. Além disso, quem confere a "propriedade" é a regra entre pichadores, não a autoridade pública. A alternativa contradiz o texto ao atribuir à autoridade pública um papel que o texto não menciona.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D fala em "afixação de um rótulo em área demarcada para identificação do pichador que se apropria dela". O texto não menciona rótulos, demarcação física ou identificação do pichador. A "etiqueta" é uma regra de conduta, não uma etiqueta física (como um adesivo ou placa). A alternativa tangencia o tema ao confundir o sentido figurado de "etiqueta" (regra de conduta) com o sentido literal (etiqueta física de identificação).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia da palavra "etiqueta": no texto, ela tem sentido figurado (código de conduta), mas as alternativas C e D tentam atrair o candidato para o sentido literal (etiqueta física, título de propriedade). Fique atento ao contexto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto os termos que definem o conceito cobrado. Aqui, "etiqueta" é definida logo em seguida pela ideia de "propriedade" e "direito exclusivo" — é essa definição que sustenta a alternativa A.

Conclusão: a alternativa A é a única que parafraseia fielmente o 4º parágrafo, sem extrapolar, contradizer ou tangenciar o texto. As demais introduzem informações ausentes (B, C) ou confundem o sentido figurado com o literal (D).

Gabarito: letra A

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