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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — VUNESP 2025

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
vu218358
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sarg ( )

Os franceses sabem restaurar, mas não construir. Com isso, quero dizer que eles têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios de uma era anterior, mas perderam, desde 1945, nos anos de sua maior prosperidade, a capacidade de construir algo novo que não seja medonho.

 

No entanto, não é da incapacidade dos arquitetos franceses modernos que desejo falar, embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante para o meu tema, como logo se verá.

 

O fato é que uma quantidade enorme de paredes e outras superfícies ao longo da estrada que leva a Paris está coberta de grafites ou pichações. Este é um fenômeno social – talvez antissocial – tanto de relativo interesse quanto de importância.

 

Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, já que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.

 

Mas o que está por trás dessa epidemia de pichação? Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador: não vejo nenhum deles “trabalhando” e não conheço nenhum socialmente. Portanto, resta-me apenas conjecturar sobre seu estado de espírito – mas, mesmo que eu conseguisse falar com eles, não é certo que me diriam sua motivação, ou mesmo que a conhecessem por completo.

 

Numa sociedade em que tantos almejam ser “alguém”, ou seja, alguém que as pessoas conhecem ou que as afeta, e na qual o mero fato de se misturar à multidão representa uma humilhação, pichar é um meio pelo qual uma pessoa, de outra forma sem importância nela, pode impor algo de si a essa sociedade.

 

O eu deve se expressar, mesmo que não tenha nada a expressar. Mas não para por aí. Percebi que os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias, em vez das bonitas. Tomo isso como uma evidência de uma faculdade subconsciente de discriminação estética por parte dos pichadores, embora admita que outras explicações sejam possíveis.

 

(Theodore Dalrymple, “A expressão da feiura”.

Disponível em: https://revistaoeste.com/revista/edicao-280. Adaptado.)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     A passagem do texto em que o advérbio destacado expressa a noção de desprazer é
  1. A... embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante... (2º parágrafo)
  2. BHá, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação... (4º parágrafo)
  3. CInfelizmente, nunca consegui conversar com um pichador... (5º parágrafo)
  4. D... os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias… (7º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador... (5º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Advérbio de desprazer: o valor semântico no contexto

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o advérbio destacado — "Infelizmente" — expressa a noção de desprazer, ou seja, um sentimento de contrariedade, pesar ou aborrecimento do enunciador. Isso se prova no próprio texto, no 5º parágrafo, quando o autor lamenta não ter conseguido conversar com um pichador: "Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador". O advérbio "Infelizmente" é um advérbio de modo que, no contexto, funciona como um modalizador — ele revela a atitude do enunciador diante do fato narrado, expressando desprazer (o oposto de prazer/satisfação).

O comando: o que a banca pede

A questão pede que se identifique a passagem em que o advérbio destacado expressa a noção de desprazer. Isso é uma questão de semântica do advérbio — não se trata de classificar morfologicamente (modo, tempo, lugar), mas de captar o valor expressivo que o advérbio assume no contexto. O comando "expressa a noção de desprazer" aponta para um advérbio modalizador (também chamado de advérbio de atitude ou advérbio de avaliação), que revela o julgamento subjetivo do falante sobre o conteúdo da frase.

O texto: onde mora a resposta

O texto de Theodore Dalrymple discute a pichação como fenômeno social. No 5º parágrafo, o autor afirma:

"Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador: não vejo nenhum deles 'trabalhando' e não conheço nenhum socialmente."

A palavra "Infelizmente" é um advérbio que modifica a oração inteira, expressando a avaliação do autor sobre o fato de não ter conseguido conversar com um pichador. O sufixo -mente forma advérbios a partir de adjetivos (infeliz + mente), e o sentido de "infelizmente" é literalmente "de modo infeliz", ou seja, com desprazer, com pesar. O autor lamenta não ter tido acesso direto aos pichadores, o que confirma o valor de desprazer.

A técnica: como reconhecer o advérbio de desprazer

O advérbio de desprazer é um tipo de advérbio modalizador que expressa a atitude avaliativa do enunciador. Ele não modifica apenas um verbo, adjetivo ou outro advérbio — ele qualifica a enunciação como um todo, revelando como o falante se sente em relação ao que diz. Palavras como "infelizmente", "lamentavelmente", "felizmente", "curiosamente" são exemplos clássicos. Para identificá-los, pergunte: o advérbio expressa um sentimento/julgamento do autor sobre o conteúdo? Se sim, é um modalizador — e, no caso de "infelizmente", o sentimento é de desprazer.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante..."

O advérbio destacado é "totalmente", que expressa intensidade (grau). Ele intensifica o adjetivo "irrelevante", indicando que a feiura não é completamente irrelevante. Não há qualquer noção de desprazer — é um advérbio de intensidade, não de avaliação. A alternativa confunde a função de intensidade com a de modalização.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação..."

O advérbio destacado é "obviamente", que expressa certeza ou evidência. O autor afirma que a existência de uma etiqueta é óbvia, ou seja, algo que se apresenta como evidente. Não há desprazer — há uma modalização de certeza, não de avaliação afetiva. A alternativa troca o valor de certeza por valor de desprazer.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador..."

O advérbio destacado é "Infelizmente", que expressa desprazer — o autor lamenta não ter conseguido conversar com um pichador. O sufixo -mente e a base "infeliz" (que significa "que não tem felicidade, que causa pesar") confirmam o valor semântico de contrariedade e aborrecimento. É o único advérbio das alternativas que revela a atitude emocional negativa do enunciador.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias..."

O advérbio destacado é "principalmente", que expressa prioridade ou ênfase — indica que os pichadores desfiguram sobretudo as superfícies feias. Não há desprazer — há uma restrição de foco. A alternativa confunde o valor de prioridade com o de avaliação afetiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre advérbios de intensidade/certeza/prioridade e advérbios modalizadores de avaliação. A palavra "Infelizmente" é a única que carrega um juízo de valor emocional (desprazer), enquanto as demais expressam grau, evidência ou foco.

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar um advérbio que expresse desprazer, pergunte: "o autor está lamentando algo?" Se sim, é um modalizador de avaliação. Advérbios como "infelizmente", "lamentavelmente", "felizmente" são os clássicos.

Gabarito: letra C. A questão testa a semântica do advérbio — a capacidade de reconhecer o valor expressivo que a palavra assume no contexto. "Infelizmente" é o único advérbio que revela o desprazer do autor diante do fato narrado.

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