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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2025

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu218359
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sarg ( )

Os franceses sabem restaurar, mas não construir. Com isso, quero dizer que eles têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios de uma era anterior, mas perderam, desde 1945, nos anos de sua maior prosperidade, a capacidade de construir algo novo que não seja medonho.

 

No entanto, não é da incapacidade dos arquitetos franceses modernos que desejo falar, embora a absoluta feiura do que eles criaram não seja totalmente irrelevante para o meu tema, como logo se verá.

 

O fato é que uma quantidade enorme de paredes e outras superfícies ao longo da estrada que leva a Paris está coberta de grafites ou pichações. Este é um fenômeno social – talvez antissocial – tanto de relativo interesse quanto de importância.

 

Há, obviamente, uma certa etiqueta para essa pichação, já que, quando a área de uma parede é exigida por um pichador, ela se torna sua propriedade, por assim dizer, com seu direito exclusivo de nela deixar sua marca.

 

Mas o que está por trás dessa epidemia de pichação? Infelizmente, nunca consegui conversar com um pichador: não vejo nenhum deles “trabalhando” e não conheço nenhum socialmente. Portanto, resta-me apenas conjecturar sobre seu estado de espírito – mas, mesmo que eu conseguisse falar com eles, não é certo que me diriam sua motivação, ou mesmo que a conhecessem por completo.

 

Numa sociedade em que tantos almejam ser “alguém”, ou seja, alguém que as pessoas conhecem ou que as afeta, e na qual o mero fato de se misturar à multidão representa uma humilhação, pichar é um meio pelo qual uma pessoa, de outra forma sem importância nela, pode impor algo de si a essa sociedade.

 

O eu deve se expressar, mesmo que não tenha nada a expressar. Mas não para por aí. Percebi que os pichadores desfiguram principalmente superfícies muito feias, em vez das bonitas. Tomo isso como uma evidência de uma faculdade subconsciente de discriminação estética por parte dos pichadores, embora admita que outras explicações sejam possíveis.

 

(Theodore Dalrymple, “A expressão da feiura”.

Disponível em: https://revistaoeste.com/revista/edicao-280. Adaptado.)

Leia o texto a seguir para responder à questão.     A construção entre parênteses que substitui o trecho destacado, de acordo com a norma-padrão de regência verbal, é
  1. A... têm a habilidade e o gosto para restaurar seus edifícios... (refazer a seus edifícios) – 1º parágrafo
  2. B... ela se torna sua propriedade... (passa ser sua propriedade) – 4º parágrafo
  3. C... não é certo que me diriam sua motivação... (exporiam de sua motivação) – 5º parágrafo
  4. DNuma sociedade em que tantos almejam ser “alguém”... (anseiam por ser “alguém”) – 6º parágrafo
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GabaritoD — Numa sociedade em que tantos almejam ser “alguém”... (anseiam por ser “alguém”) – 6º parágrafo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal: a substituição que preserva o sentido

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que a reescritura entre parênteses mantém o sentido e respeita a regência do verbo original: "almejam" (verbo transitivo direto, sem preposição) é corretamente substituído por "anseiam por" (verbo transitivo indireto, que exige a preposição "por"). Como se lê no 6º parágrafo: "Numa sociedade em que tantos almejam ser 'alguém'" — a troca por "anseiam por ser 'alguém'" preserva o significado de desejar intensamente e ajusta a regência à norma-padrão.

A questão pede que você avalie reescrituras de trechos do texto, verificando se a substituição está de acordo com a norma-padrão de regência verbal. Isso significa que você deve conhecer a regência dos verbos envolvidos (se pedem objeto direto, indireto, ou ambos) e também a regência nominal (dos nomes que pedem preposição). O comando é de reescritura: a alternativa correta deve manter o sentido original e estar gramaticalmente correta.

O texto de Theodore Dalrymple discute a pichação como fenômeno social. No 6º parágrafo, o autor afirma que, numa sociedade em que muitos desejam ser "alguém", pichar é uma forma de impor algo de si. O trecho destacado "almejam ser 'alguém'" expressa esse desejo. A reescritura correta precisa usar um verbo sinônimo com a regência adequada.

A técnica central é testar a regência de cada verbo proposto:

  • Almejar é transitivo direto: almeja-se algo (sem preposição). Ex.: "almejam ser alguém".

  • Ansiar por é transitivo indireto: anseia-se por algo (com a preposição "por"). Ex.: "anseiam por ser alguém".

  • Refazer é transitivo direto: refaz-se algo (sem preposição). Ex.: "refazer os edifícios".

  • Passar a ser é locução verbal: o verbo "passar" exige a preposição "a" antes do infinitivo. Ex.: "passa a ser".

  • Expor é transitivo direto: expõe-se algo (sem preposição). Ex.: "expor a motivação".

A pegadinha da banca está em oferecer reescrituras que mudam a regência (como "refazer a seus edifícios", que usa preposição indevida) ou que quebram a estrutura (como "passa ser", sem a preposição "a"). A alternativa D é a única que acerta a regência e mantém o sentido.

1Almejar (transitivo direto)
Sem preposição
"almejam ser alguém"
2Ansiar por (transitivo indireto)
Exige "por"
"anseiam por ser alguém"
3Refazer (transitivo direto)
Sem preposição
"refazer os edifícios"
4Passar a ser (locução)
Exige "a"
"passa a ser"
5Expor (transitivo direto)
Sem preposição
"expor a motivação"
Regência verbal
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Regência verbal: Almejar (transitivo direto) (Sem preposição, "almejam ser alguém"); Ansiar por (transitivo indireto) (Exige "por", "anseiam por ser alguém"); Refazer (transitivo direto) (Sem preposição, "refazer os edifícios"); Passar a ser (locução) (Exige "a", "passa a ser"); Expor (transitivo direto) (Sem preposição, "expor a motivação")

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescritura "refazer a seus edifícios" está errada porque o verbo refazer é transitivo direto: refaz-se algo, sem preposição. O correto seria "refazer seus edifícios". A preposição "a" é indevida. O trecho original "restaurar seus edifícios" também é transitivo direto, então a substituição deveria manter essa estrutura. Erro: troca de regência (preposição indevida).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reescritura "passa ser sua propriedade" está errada porque a locução verbal passar a + infinitivo exige a preposição "a": "passa a ser". A ausência da preposição é um erro de regência. O original "se torna sua propriedade" não tem essa exigência, mas a substituição proposta não respeita a norma. Erro: omissão de preposição obrigatória.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A reescritura "exporiam de sua motivação" está errada porque o verbo expor é transitivo direto: expõe-se algo, sem preposição. O correto seria "exporiam sua motivação". A preposição "de" é indevida. O original "me diriam sua motivação" também é transitivo direto, então a substituição deveria manter essa estrutura. Erro: troca de regência (preposição indevida).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A reescritura "anseiam por ser 'alguém'" está correta porque o verbo ansiar exige a preposição "por" quando seguido de infinitivo: anseia-se por algo. O original "almejam ser 'alguém'" usa o verbo almejar, que é transitivo direto (sem preposição). A substituição mantém o sentido de desejar intensamente e ajusta a regência à norma-padrão. É a única alternativa que respeita a regência e preserva o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, pergunte: "qual é a regência do verbo proposto?" Se o verbo pede preposição, ela deve aparecer; se não pede, não deve. Desconfie de reescrituras que acrescentam ou omitem preposições sem necessidade.

Gabarito: letra D.

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