Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218364
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sarg ( )
Amigos, ao contrário do que se pensa, o Brasil nem sempre foi um país tropical. No tempo de Machado de Assis, ou de Epitácio Pessoa, o sujeito andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas, o diabo. As santas e abomináveis senhoras da época se cobriam até o pescoço. Em suma: – o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria, o Alasca, sei lá.
Hoje não. Procura-se um fraque e não se encontra um fraque. Os mais vestidos andam seminus. No passado, o sujeito que entrasse sem gravata num bonde – era de lá expulso a patadas. E, agora, anda-se de biquíni nos lotações. Um sol hediondo vai derretendo as catedrais e amolecendo os obeliscos. Não há dúvida: – somos finalmente tropicais.
Olhem as nossas praias. A nudez jorra aos borbotões. Em 1905, o turista que visse Machado de Assis havia de anotar no caderninho: – “Este é o povo mais vestido do mundo!”. Em nossos dias, o mesmo turista havia de escrever inversamente: – “Este é o mais despido dos povos!”.
(Nelson Rodrigues, À sombra das chuteiras imortais:
crônicas de futebol. Adaptado)
Leia o trecho a seguir da crônica “Encouraçados de sol”, de Nelson Rodrigues, para responder à questão. No 1º parágrafo, a sequência “o sujeito andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas” é concluída pela expressão “o diabo”, que é uma forma de o autor
Arelacionar a roupa ao contexto de crenças.
Babreviar a listagem de outras coisas que se vestiam.
Capontar certa sofisticação nos itens da vestimenta.
Dafirmar a necessidade de usar tudo aquilo.
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GabaritoB — abreviar a listagem de outras coisas que se vestiam.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O valor de "o diabo" na enumeração de Nelson Rodrigues
Gabarito: letra B. A expressão "o diabo", no trecho "o sujeito andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas, o diabo", funciona como uma abreviação coloquial que encerra a lista de peças de roupa, indicando que havia outras tantas que o autor não quis enumerar. A pista está na própria estrutura: uma sequência de itens seguida de uma expressão que generaliza — "e o diabo" = "e outras coisas mais".
O comando
A questão pede que você identifique a função da expressão "o diabo" no contexto. Não é uma pergunta de gramática normativa, mas de interpretação de sentido: o que o autor quis dizer ao usar essa expressão? Para resolver, você precisa ler o trecho como um todo e perceber o efeito de sentido que a expressão cria na enumeração.
O texto
No 1º parágrafo, Nelson Rodrigues descreve como o brasileiro se vestia no passado: "andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas, o diabo". A intenção é mostrar que a vestimenta era exagerada, cheia de peças. A lista já traz quatro itens, mas o autor quer dar a ideia de que não parava por aí — havia muito mais. É exatamente isso que "o diabo" faz: abrevia a continuação da lista, como quem diz "e não sei mais o quê".
"o sujeito andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas, o diabo."
A expressão não tem relação com o diabo em si (entidade religiosa), nem com crenças. É um uso coloquial, típico da fala, para encerrar uma enumeração de forma vaga, indicando que a lista poderia continuar. É o mesmo que "e outras coisas", "e tal", "e não sei o quê".
A técnica que decide
Quando uma questão pergunta "que função tem X", você deve testar cada alternativa substituindo X por uma paráfrase e ver se o sentido permanece. Veja:
"o diabo" = "e outras coisas que se vestiam" → faz sentido? Sim. É exatamente o que a letra B diz: abreviar a listagem.
"o diabo" = "crenças" → faz sentido? Não. O texto não fala de religião.
"o diabo" = "sofisticação" → faz sentido? Não. O texto fala de quantidade, não de qualidade.
"o diabo" = "necessidade" → faz sentido? Não. O texto não diz que era preciso usar tudo aquilo.
A única que se encaixa é a B. As demais ou extrapolam (A, C, D) ou contradizem o sentido de generalização.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Relacionar a roupa ao contexto de crenças. O texto não menciona crenças, religião ou qualquer contexto espiritual. A expressão "o diabo" é usada apenas como recurso coloquial para encerrar a lista, não como referência a uma entidade. A alternativa extrapola ao atribuir um sentido religioso que não está no texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Abreviar a listagem de outras coisas que se vestiam. Exatamente. A sequência "fraque, colete, colarinho duro, polainas" é seguida de "o diabo", que funciona como fecho vago da enumeração, indicando que havia outras peças não nomeadas. É o mesmo que "e outras coisas". A pista está na estrutura: uma lista + expressão generalizante.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Apontar certa sofisticação nos itens da vestimenta. O texto não avalia os itens como sofisticados; apenas os enumera para mostrar o exagero da vestimenta. A ideia de sofisticação é uma opinião embutida que o autor não externou. A função de "o diabo" é de quantidade, não de qualidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirmar a necessidade de usar tudo aquilo. O texto não diz que era necessário usar tudo; apenas descreve como as pessoas se vestiam. A palavra "necessidade" é uma extrapolação — o autor não faz juízo de obrigatoriedade. A função de "o diabo" é abreviar, não impor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o sentido literal de "diabo" (entidade) e o uso coloquial de generalização. Quem não conhece a expressão "e o diabo" = "e outras coisas" tende a marcar A.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "função de expressão", substitua a expressão por paráfrases e veja qual mantém o sentido. "O diabo" = "e outras coisas" → B.