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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2025

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu218366
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sarg ( )

Amigos, ao contrário do que se pensa, o Brasil nem sempre foi um país tropical. No tempo de Machado de Assis, ou de Epitácio Pessoa, o sujeito andava de fraque, colete, colarinho duro, polainas, o diabo. As santas e abomináveis senhoras da época se cobriam até o pescoço. Em suma: – o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria, o Alasca, sei lá.

 

Hoje não. Procura-se um fraque e não se encontra um fraque. Os mais vestidos andam seminus. No passado, o sujeito que entrasse sem gravata num bonde – era de lá expulso a patadas. E, agora, anda-se de biquíni nos lotações. Um sol hediondo vai derretendo as catedrais e amolecendo os obeliscos. Não há dúvida: – somos finalmente tropicais.

 

Olhem as nossas praias. A nudez jorra aos borbotões. Em 1905, o turista que visse Machado de Assis havia de anotar no caderninho: – “Este é o povo mais vestido do mundo!”. Em nossos dias, o mesmo turista havia de escrever inversamente: – “Este é o mais despido dos povos!”.

 

(Nelson Rodrigues, À sombra das chuteiras imortais:

crônicas de futebol. Adaptado)

Leia o trecho a seguir da crônica “Encouraçados de sol”, de Nelson Rodrigues, para responder à questão.     A passagem em que, de acordo com a norma-padrão, o pronome destacado pode ser posto antes ou depois do verbo é
  1. A... ao contrário do que se pensa... (1º parágrafo)
  2. B... o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria... (1º parágrafo)
  3. CProcura-se um fraque... (2º parágrafo)
  4. D... e não se encontra um fraque. (2º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ... o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria... (1º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: quando a posição do pronome é facultativa

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que o pronome "se" pode ser colocado antes ou depois do verbo sem ferir a norma-padrão, porque o verbo está no infinitivo ("vestir-se") e, mesmo havendo palavra atrativa (a conjunção "como"), a norma permite tanto a próclise quanto a ênclise nesse caso. Como se lê no 1º parágrafo: "o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria" — a forma "vestia-se" é ênclise; a forma "se vestia" (próclise) também seria aceita, pois o verbo "vestir" está no pretérito imperfeito, e a conjunção "como" atrai a próclise, mas a ênclise é tolerada pela norma culta quando não há proibição expressa.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a passagem em que o pronome destacado pode ser posto antes ou depois do verbo, ou seja, em que a colocação é facultativa. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa — especificamente de colocação pronominal. O verbo "pode" no enunciado é a chave: não se trata de qual forma está correta, mas de qual forma admite duas possibilidades igualmente aceitas pela norma-padrão.

A regra que decide: próclise, ênclise e a facultatividade

Na norma-padrão, o pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) pode ocupar três posições em relação ao verbo:

  • Próclise: pronome antes do verbo (ex.: "não se encontra").

  • Ênclise: pronome depois do verbo (ex.: "vestia-se").

  • Mesóclise: pronome no meio do verbo, apenas com futuro do presente e do pretérito (ex.: "dar-te-ei").

A próclise é obrigatória quando há palavra atrativa antes do verbo: conjunções subordinativas (que, se, como, quando, embora), palavras negativas (não, nunca, jamais), advérbios (aqui, agora, talvez), pronomes relativos (que, o qual, cujo), pronomes indefinidos (nada, tudo, alguém) e pronomes interrogativos (quem, que, qual).

Exceção importante: com verbo no infinitivo, mesmo havendo palavra atrativa, a colocação é facultativa — pode-se usar próclise ou ênclise. Exemplo clássico: "Espero não me arrepender" (próclise) ou "Espero não arrepender-me" (ênclise). É exatamente essa exceção que a banca explora na alternativa B.

Aplicando ao texto

No trecho da alternativa B, temos: "o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria". O verbo "vestir" está no pretérito imperfeito do indicativo (vestia), e o pronome "se" está em ênclise (depois do verbo). A conjunção "como" (subordinativa) atrai a próclise, mas a norma culta tolera a ênclise quando não há proibição expressa — e não há, pois o verbo não está no futuro nem no particípio, e o pronome não inicia período. Portanto, tanto "vestia-se" quanto "se vestia" são aceitos. A banca considera a posição facultativa nesse caso.

Análise das alternativas

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes)
    • Palavra atrativa
      • Negação (não, nunca)
      • Conjunção subordinativa (que, se, como)
      • Pronome relativo (que, o qual)
      • Advérbio (aqui, talvez)
  • 2Ênclise (depois)
    • Sem atrativo
    • Início de período
  • 3Facultativa
    • Verbo no infinitivo
    • Verbo no pretérito imperfeito
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"... ao contrário do que se pensa..."

Aqui o pronome "se" está em próclise obrigatória, porque a palavra "que" (pronome relativo) atrai o pronome para antes do verbo. Não se pode escrever "do que pensa-se" — a próclise é exigida pela presença do relativo. A alternativa erra ao sugerir que a posição é facultativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"... o brasileiro vestia-se como se isto aqui fosse a Sibéria..."

Como explicado, o verbo "vestir" está no pretérito imperfeito, e a conjunção "como" atrai a próclise, mas a norma culta tolera a ênclise nesse contexto. Portanto, "vestia-se" e "se vestia" são ambas aceitas. A posição é facultativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Procura-se um fraque..."

Aqui o pronome "se" é partícula apassivadora (índice de indeterminação do sujeito ou partícula apassivadora, dependendo da análise). A forma "procura-se" é a única aceita pela norma-padrão; não se pode escrever "se procura" nesse contexto, pois o pronome não pode iniciar período e a ênclise é obrigatória quando não há palavra atrativa. A alternativa erra ao sugerir que a posição é facultativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... e não se encontra um fraque."

Aqui o pronome "se" está em próclise obrigatória, porque a palavra negativa "não" atrai o pronome para antes do verbo. Não se pode escrever "não encontra-se" — a próclise é exigida pela presença do advérbio de negação. A alternativa erra ao sugerir que a posição é facultativa.

Conclusão

A única passagem em que o pronome pode ser posto antes ou depois do verbo é a da alternativa B, pois o verbo está no pretérito imperfeito e a norma culta tolera a ênclise mesmo com palavra atrativa. Nas demais, a próclise é obrigatória (A e D) ou a ênclise é obrigatória (C).

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de alternativas que apresentam "se" com verbo no presente do indicativo e palavra atrativa antes — quase sempre a próclise é obrigatória. A facultatividade costuma aparecer com infinitivo ou com verbos no pretérito imperfeito, como nesta questão.

Gabarito: letra B

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