Questão de Português — Sujeito — VUNESP 2025
- Código
- vu218389
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Faculdade Belavista
- Ano
- 2025
- Cargo
- Vest ( )
Vivemos um tempo curioso — talvez até irônico. Nunca houve tantos alfabetizados. E, paradoxalmente, nunca presenciamos tanta dificuldade em sustentar uma leitura simples por alguns minutos. Este texto é um pequeno ensaio — mas, para alguns, já soa como uma Odisseia. Ulisses enfrentou monstros e naufrágios; o leitor moderno descobre notificações, abas abertas, mensagens pendentes e a tentação de rolar a tela. Ambos lutam contra distrações. A diferença é que Ulisses tinha um destino por vinte anos — e o leitor de hoje mal consegue terminar um parágrafo.
Não se trata de capacidade, mas de estrutura cognitiva. Sabemos decodificar letras; desaprendemos a permanecer nelas. Padre Vieira pregava por duas horas e arrebatava ouvintes. Hoje, reels e vídeos curtos exigem impacto em cinco segundos para prender a atenção. Mudou o tempo, mudou o cérebro. Mudou o tipo de silêncio. Hoje, mesmo sem ruídos, estamos cercados por estímulos. O barulho migrou para dentro.
Aqui está meu ponto: se quase todos perderam a capacidade de leitura profunda, quem a recuperar não ganha apenas conhecimento — obtém refúgio. Ler amplia ideias, organiza o pensamento, fortalece argumentos. Há um instante em que a leitura silencia tudo ao redor. E, nesse silêncio, algo raro acontece: a epifania, a iluminação.
Algo mais? A leitura pode deixar de ser exercício. Torna-se estado. É nesse ponto que ela revela seu dom mais alto: a solitude. Não o isolamento do mundo, mas a possibilidade de habitá-lo sem se dissolver. Um espaço interno onde o barulho não entra. Onde não se busca audiência, mas presença. Solitude é quando você descobre que está só — e isto basta. Por quê? Porque há silêncio. E, talvez, pela primeira vez, esse silêncio não assusta. Ele acolhe.
Hoje, ler é um ato revolucionário. O hábito produz uma forma rara e refinada de pensar. A leitura cria margem, pausa, distância crítica. Ouse ser especial. Ouse saber. Vinte minutos por dia — e um novo mundo começa a se abrir diante de você. A mente, que antes vagava, começa a habitar-se. E aí, começa a liberdade.
(Leandro Karnal. “Mudou o tempo, o cérebro,
o tipo de silêncio: sem ruídos, o barulho migrou para dentro”. www.estadao.com.br, 19.07.2025. Adaptado.)
Leia o trecho do ensaio de Leandro Karnal para responder à questão.
No trecho “se quase todos perderam a capacidade de leitura profunda, quem a recuperar não ganha apenas conhecimento — obtém refúgio” , o sujeito do verbo sublinhado é:
- A“quase todos”.
- B“capacidade de leitura”.
- C“quem a recuperar”.
- D“conhecimento”.
- E“refúgio”.