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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2025

PortuguêsConjunção
Código
vu218396
Banca
VUNESP
Órgão
Faculdade Belavista
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Quando começou a aparecer em suplementos e livros a chamada “geração de 45” — a primeira a se afirmar e a fazer falar de si depois da geração de 30 — nós, que éramos esses “de 30”, sentimos bastante funda a melancolia de quem vai deixando de ser jovem. Parecia que nós e aqueles moços éramos habitantes de dois mundos diferentes; em comum, tínhamos a língua, não a linguagem. E os mais suscetíveis, ou os mais vulneráveis, dentre nós, mostraram então, contra os de 45, a reação natural a todo aquele que se sente ameaçado [...].

 

Felizmente, porém, nunca participei dessa hostilidade [...]. E assim, na simplicidade do meu coração, na compreensão honesta das nossas, e mormente das minhas limitações literárias, recebi com grande esperança e bastante respeito essa nova fornada de prosadores e poetas que nos apareciam depois da guerra — filhos da guerra, marcados pelas influências da guerra.

 

[...] Para alguns dos “de 30”, o maior defeito dos moços era serem diferentes de nós. [...]

 

Basta citar, entretanto, alguns poucos nomes da geração de 45, para se ver que a razão estava com aqueles que a saudavam com aplausos. Uma geração que nos deu a admirável Clarisse Lispector, os admiráveis Lêdo Ivo e Geir de Campos; e os mineiros — Mendes Campos, Sabino, Otto Lara, Pelegrini; [...]. Escolhi poucos, quase ao acaso. Mas chegam esses nomes para mostrar que a geração de 45 marcou de forma excepcional a literatura do Brasil. Se não fez mais arruído foi porque nunca trabalhou em conjunto, num impulso homogêneo; era mais um bando de individualistas, ciumentamente isolados uns dos outros, [...]. Sem o gregarismo1 da nossa manada de “búfalos do Nordeste” — como nos chama mestre Oswald...

 

E eis que surge, depois dessa, a geração novíssima, e mais uma surpresa para nós: esses infantes voltam a trilhar os velhos caminhos, são tão diferentes dos de 45 quanto estes o eram de nós próprios. Se os novíssimos se parecem com alguém, parecem-se conosco, como nesses casos de família em que os filhos saltam os pais e vão puxar ao avô.

Faço estas constatações ao ler o livro de contos recém -publicado pelo escritor Renard Perez, um dos novíssimos e, entre os novíssimos, um dos melhores. (Os Sinos — Renard Perez, edição Jornal de Letras, Rio, 1954.)

 

Nada mais, aqui, daquela angústia kafkaniana dos outros. Nem dos mundos fechados, que se procuram traduzir numa sintaxe mais ou menos obscura, em jogos inéditos de palavras. Aqui, o trabalho literário decorre posso dizer que quase “com normalidade” [...]. Tudo aqui é mais objetivo, mais imediato. Creio que a palavra mais indicada para qualificar essa maneira seja mesmo o universal neorrealismo. Um neorrealismo moderadamente impressionista, se o ouso dizer. Nos temas, na linguagem, na singeleza e precisão da narrativa [...]. Sem, contudo, se baratear no pitoresco e no documentário, que foram as duas armadilhas mais perigosas postas no caminho dos escritores da minha geração. [...]

(Rachel de Queiroz. https://cronicabrasileira.org.br)

1 gregarismo: aglomeração natural dos indivíduos de uma mesma espécie.

Leia o trecho da crônica “Novíssima Geração”, de Rachel de Queiroz, publicada originalmente em 1954, para responder à questão.

 

“Um neorrealismo moderadamente impressionista, se o ouso dizer. Nos temas, na linguagem, na singeleza e precisão da narrativa [...]. Sem, contudo, se baratear no pitoresco e no documentário, que foram as duas armadilhas mais perigosas postas no caminho dos escritores da minha geração.” O termo sublinhado estabelece, no contexto em que se encontra, sentido de

  1. Aconclusão, podendo ser substituído por “portanto”.
  2. Boposição, podendo ser substituído por “todavia”.
  3. Ccomparação, podendo ser substituído por “bem como”.
  4. Dcondição, podendo ser substituído por “contanto”.
  5. Eexplicação, podendo ser substituído por “porquanto”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — oposição, podendo ser substituído por “todavia”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico de "contudo" no contexto

Gabarito: letra B. O termo sublinhado "contudo" estabelece, no trecho, sentido de oposição, podendo ser substituído por "todavia" — ambos são conjunções coordenativas adversativas. A passagem que comprova isso é:

"Sem, contudo, se baratear no pitoresco e no documentário, que foram as duas armadilhas mais perigosas postas no caminho dos escritores da minha geração."

A autora afirma que o neorrealismo dos novíssimos é objetivo e imediato, mas ressalva que isso não deve levar ao barateamento. O "contudo" introduz exatamente essa ressalva, uma quebra de expectativa — oposição.

O comando da questão

A questão pede que você identifique o sentido que o conectivo "contudo" estabelece no contexto. Isso é diferente de pedir a classificação gramatical isolada: aqui, o que importa é a relação de sentido que ele cria entre as ideias. A banca testa se você reconhece que "contudo" é uma conjunção adversativa (oposição) e não conclusiva, explicativa, etc.

O texto e o movimento argumentativo

No trecho, Rachel de Queiroz descreve o estilo dos novíssimos: "Tudo aqui é mais objetivo, mais imediato". Em seguida, ela qualifica esse estilo como "neorrealismo moderadamente impressionista". O "contudo" aparece logo depois, introduzindo uma restrição: esse neorrealismo não deve se baratear no pitoresco e no documentário. Ou seja, há uma oposição entre a qualidade positiva (objetividade, imediatez) e o risco de cair em armadilhas (barateamento). O conectivo marca essa ressalva.

A técnica: teste a substituição

A melhor forma de resolver é substituir o conectivo por cada uma das opções e ver se o sentido permanece. Veja:

  • "Sem, todavia, se baratear..." → mantém a oposição. ✅

  • "Sem, portanto, se baratear..." → daria ideia de conclusão, o que não faz sentido aqui. ❌

  • "Sem, bem como, se baratear..." → daria ideia de adição, o que não se encaixa. ❌

  • "Sem, contanto, se baratear..." → daria ideia de condição, o que não se encaixa. ❌

  • "Sem, porquanto, se baratear..." → daria ideia de explicação, o que não se encaixa. ❌

A substituição por "todavia" é a única que preserva o sentido de oposição.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Conclusão não é o sentido de "contudo". "Portanto" é uma conjunção conclusiva, que introduz uma conclusão lógica. No trecho, não há conclusão, mas ressalva. A banca tenta confundir com a ideia de que "contudo" poderia concluir algo, mas o contexto mostra oposição.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Oposição é exatamente o valor de "contudo". "Todavia" é sinônimo perfeito, também adversativa. A passagem "Sem, contudo, se baratear..." expressa uma restrição à ideia anterior, caracterizando oposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Comparação não é o sentido. "Bem como" é uma conjunção aditiva comparativa, mas aqui não há comparação entre elementos; há uma ressalva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Condição não é o sentido. "Contanto" (que) é uma conjunção condicional, mas o trecho não expressa condição; expressa oposição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Explicação não é o sentido. "Porquanto" é uma conjunção explicativa, mas o trecho não explica nada; faz uma ressalva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece conectivos que têm sons parecidos ("contudo" × "contanto") ou que poderiam ser confundidos por falta de atenção ao contexto. A chave é sempre testar a substituição e ver se o sentido permanece.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar um conectivo, pergunte: "que relação ele estabelece entre as ideias?" Se houver quebra de expectativa, é oposição. Se houver conclusão, é conclusiva. O contexto decide.

Gabarito: letra B.

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