Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu218402
Banca
VUNESP
Órgão
A.C.Camargo
Ano
2025
Cargo
Res ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão 

 

Domingas, Catarina e Juliana foram três mulheres negras que viveram em São Paulo entre os séculos 18 e 19 e que tiveram algo em comum: foram mães que viveram as violências da escravidão. Os fragmentos dessas vivências ficaram registrados em documentos judiciais e cartas de alforria, e é a partir desses documentos que a historiadora Enidelce Bertin vem reconstituindo as histórias de vida delas e de outras mulheres negras do período.

 

A partir dos documentos de arquivo, a historiadora descobriu que Juliana trabalhou por décadas para Inácia e sua mãe, tendo ajudado a criar a senhora e seus irmãos. Reconhecendo os bons serviços de Juliana, em 1773, Inácia lhe concedeu a alforria. Mas permaneceram no cativeiro as duas filhas de Juliana.

 

Catarina também obteve o reconhecimento de sua senhora pelos bons serviços prestados. Em 1805, a senhora registrou a carta de alforria que concedia a liberdade a Catarina. Mas seus filhos não tiveram a mesma sorte. Enquanto os mais velhos continuaram a servi-la, o mais novo, ainda um bebê, ficaria com a mãe apenas até desmamar. Para a senhora escravista, o menino era uma promessa de investimento para aumentar seu patrimônio.

 

Muitas décadas depois, Domingas viveu algo diferente. Ela tinha 24 anos quando abriu uma ação judicial contando que foi “posta para fora de casa” na ocasião dos partos de seus dois filhos, Turíbia e Acelino. Era maio de 1881 e o alvo do processo era Urbano Augusto da Silva Macedo, a quem Domingas acusava de abandono senhorial. Na época, com a Lei do Ventre Livre em vigor, os senhores já não davam valor aos filhos das mulheres escravizadas, pois não podiam mais reivindicá-los como propriedade e tomá-los como parte de seu patrimônio.

 

Enidelce argumenta que a maternidade negra no período pode ser encarada como um “campo de disputas entre aqueles que viam a sua razão de ser na ‘produção de crias’” e no cuidado dos filhos dos senhores, e as mulheres que “ansiavam por proteção e liberdade para seus filhos”, conforme escreve.

 

“Nem sempre a resistência é visível na documentação, justamente porque o discurso senhorial está ali mais bem representado. Quando aquelas mulheres estão tentando comprar sua alforria, quando tentam ficar próximas de suas crianças, há indícios de resistência. Mas o que me interessa mais é tirar essas pessoas da invisibilidade”, conta a pesquisadora.

 

(Silvana Salles, Historiadora reconstitui histórias de vida da maternidade negra durante

a escravidão. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=901049. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o acréscimo de vírgula(s) ao trecho original manteve a norma-padrão de emprego desse sinal de pontuação.
  1. AOs fragmentos dessas vivências, ficaram registrados, em documentos judiciais e cartas de alforria…
  2. B... a historiadora descobriu que Juliana trabalhou, por décadas, para Inácia e sua mãe...
  3. CCatarina também obteve, o reconhecimento de sua senhora, pelos bons serviços prestados.
  4. DEla tinha 24 anos, quando abriu uma ação judicial contando, que foi “posta para fora de casa”...
  5. EEnidelce argumenta que, a maternidade negra no período, pode ser encarada como...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ... a historiadora descobriu que Juliana trabalhou, por décadas, para Inácia e sua mãe...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso da vírgula: isolamento de adjunto adverbial intercalado

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que o acréscimo de vírgulas respeita a norma-padrão, pois isola um adjunto adverbial de tempo intercalado ("por décadas") entre o verbo e seu complemento. Como se lê no 2º parágrafo do texto: "a historiadora descobriu que Juliana trabalhou por décadas para Inácia e sua mãe" — a inserção das vírgulas em "trabalhou, por décadas, para Inácia" apenas intercala um termo deslocado de sua posição natural, sem separar o verbo de seu complemento.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique a alternativa em que o acréscimo de vírgula(s) ao trecho original manteve a norma-padrão. Isso significa que a banca quer saber se a pontuação inserida é gramaticalmente correta — não se é estilisticamente bonita ou se mantém o sentido exato. A tarefa é de reescritura com correção gramatical: testar cada inserção de vírgula contra as regras de uso desse sinal.

A regra que decide a questão

A vírgula não pode separar o sujeito do verbo, o verbo de seu complemento (objeto direto/indireto) ou o nome de seu complemento/adjunto adnominal. Por outro lado, a vírgula deve ser usada para isolar termos intercalados ou deslocados, como adjuntos adverbiais que saem de sua posição natural (geralmente o final da oração).

No trecho original, "por décadas" é um adjunto adverbial de tempo que, na ordem direta, viria após o complemento: "Juliana trabalhou para Inácia e sua mãe por décadas". Ao intercalá-lo entre o verbo e o complemento, as vírgulas são obrigatórias para marcar o deslocamento — exatamente o que a alternativa B faz. As demais alternativas cometem erros clássicos: separam sujeito de verbo, verbo de complemento, ou a conjunção integrante do restante da oração.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar uma vírgula, pergunte: "o que ela está separando?" Se separar termos que não podem ser separados (sujeito/verbo, verbo/complemento, nome/complemento), está errada. Se isolar um termo deslocado ou intercalado, está correta.

Vírgula: o que pode separar?
  • 1Isolar termo intercalado/deslocado
    • Adjunto adverbial fora da posição natural
    • Ex.: trabalhou, por décadas, para Inácia
  • 2Separar sujeito do verbo
    • Ex.: Os fragmentos, ficaram registrados
  • 3Separar verbo do complemento
    • Ex.: obteve, o reconhecimento
    • Ex.: contando, que foi posta para fora
  • 4Separar conjunção do restante da oração
    • Ex.: argumenta que, a maternidade
LEVEL · soulevel.com.br

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Os fragmentos dessas vivências, ficaram registrados, em documentos judiciais e cartas de alforria…"

A primeira vírgula separa o sujeito ("Os fragmentos dessas vivências") do verbo ("ficaram registrados") — separação proibida. A segunda vírgula separa o verbo de seu adjunto adverbial de lugar ("em documentos judiciais e cartas de alforria"), que está em posição natural (final da oração) e não pode ser isolado. Erro: separar sujeito de verbo e verbo de adjunto em ordem direta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"... a historiadora descobriu que Juliana trabalhou, por décadas, para Inácia e sua mãe..."

Aqui, "por décadas" é um adjunto adverbial de tempo intercalado entre o verbo "trabalhou" e seu complemento "para Inácia e sua mãe". Como o adjunto foi deslocado de sua posição natural (final da oração), as vírgulas são obrigatórias para isolá-lo. A frase mantém a norma-padrão e o sentido original. Correta: isola adjunto adverbial intercalado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Catarina também obteve, o reconhecimento de sua senhora, pelos bons serviços prestados."

A primeira vírgula separa o verbo ("obteve") de seu objeto direto ("o reconhecimento de sua senhora") — separação proibida. A segunda vírgula isola o adjunto adverbial "pelos bons serviços prestados", que está em posição natural (final) e não pode ser isolado. Erro: separar verbo de complemento e isolar adjunto em ordem direta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Ela tinha 24 anos, quando abriu uma ação judicial contando, que foi “posta para fora de casa”..."

A primeira vírgula separa a oração principal ("Ela tinha 24 anos") da oração subordinada adverbial temporal ("quando abriu...") — quando a subordinada vem depois da principal, a vírgula é facultativa, mas aqui a oração é restritiva e a vírgula não é necessária; mais grave é a segunda vírgula, que separa o verbo "contando" de seu objeto direto oracional ("que foi ‘posta para fora de casa’") — separação proibida. Erro: separar verbo de complemento oracional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Enidelce argumenta que, a maternidade negra no período, pode ser encarada como..."

A primeira vírgula separa a conjunção integrante "que" do restante da oração subordinada substantiva — separação proibida. A segunda vírgula separa o sujeito ("a maternidade negra no período") do verbo ("pode ser encarada") — também proibido. Erro: separar conjunção do restante da oração e sujeito de verbo.

Conclusão

A única alternativa que respeita a norma-padrão é a B, pois isola corretamente um adjunto adverbial intercalado. As demais cometem erros de separação de termos que não podem ser separados. Gabarito: letra B.

Link permanente: /questoes/vu218402