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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218409
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sold ( )

Leia o poema para responder à questão.

 

Há estes dias em que pressentimos na casa

a ruína da casa

e no corpo

a morte do corpo

e no amor

o fim do amor

estes dias

em que tomar o ônibus é no entanto perdê-lo

e chegar a tempo é já chegar demasiado tarde

não são coisas que se expliquem

apenas são dias em que de repente sabemos

o que sempre soubemos e todos sabem

que a madeira é apenas o que vem logo antes

da cinza

e por mais vidas que tenha

cada gato

é o cadáver de um gato

 

(Ana Martins Marques. O livro das semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras, 2015)

A partir da leitura do poema, é correto afirmar que o eu lírico expressa

  1. Adesencantamento pelas circunstâncias presentes e tentativa de recuperar o passado.
  2. Bconsciência sobre a impermanência de todos os seres, sejam eles animados ou inanimados.
  3. Cpreocupação pelo descaso com que os humanos tratam suas vidas e as dos demais seres.
  4. Ddificuldade em aceitar os obstáculos encontrados no cotidiano, como a perda de um ônibus.
  5. Enostalgia de coisas que marcaram sua vida, como as casas e os amores do passado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — consciência sobre a impermanência de todos os seres, sejam eles animados ou inanimados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de poema: a consciência da impermanência

Gabarito: letra B. O eu lírico expressa consciência sobre a impermanência de todos os seres, sejam eles animados ou inanimados, como se prova nos versos finais: "que a madeira é apenas o que vem logo antes / da cinza / e por mais vidas que tenha / cada gato / é o cadáver de um gato". A madeira (inanimado) e o gato (animado) são apresentados como seres fadados à transformação e à morte — exatamente o que a alternativa B afirma.

O comando pede uma compreensão global do poema: "a partir da leitura do poema, é correto afirmar que o eu lírico expressa". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel da tese central do texto, sem acrescentar ideias que não estejam nele. Não se trata de inferir algo oculto, mas de reconhecer o tema que atravessa todo o poema.

O poema de Ana Martins Marques constrói uma cadeia de equivalências: a casa que pressente a ruína, o corpo que pressente a morte, o amor que pressente o fim. Essa sequência culmina na síntese filosófica dos versos finais, que generaliza a experiência para todos os seres: a madeira (coisa inanimada) é apenas o que antecede a cinza; o gato (ser animado), por mais vidas que tenha, é o cadáver de um gato. A tese é a universalidade da impermanência — nada escapa à transformação e ao fim.

A técnica decisiva aqui é não extrapolar: cada alternativa errada acrescenta um sentimento ou uma intenção que o texto não autoriza. O eu lírico não tenta recuperar o passado (A), não critica o descaso humano (C), não reclama dos obstáculos cotidianos (D) nem sente nostalgia (E). Ele apenas constata uma verdade universal: tudo o que existe é transitório. Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?".

Tese do poema
  • 1Impermanência universal
    • Seres animados (gato)
      • "é o cadáver de um gato"
    • Seres inanimados (madeira)
      • "apenas o que vem antes da cinza"
  • 2Cadeia de equivalências
    • Casa pressente a ruína
    • Corpo pressente a morte
    • Amor pressente o fim
  • 3Tom: constatação filosófica
    • Sem nostalgia
    • Sem juízo moral
    • Sem queixa cotidiana
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "desencantamento pelas circunstâncias presentes e tentativa de recuperar o passado". O poema não menciona nenhuma tentativa de recuperar o passado — não há desejo de voltar no tempo, nem saudosismo. O eu lírico apenas constata a ruína, a morte e o fim, sem esboçar qualquer reação de recuperação. Isso é extrapolação: acrescenta uma intenção que o texto não contém.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa sintetiza com precisão a tese do poema. Os versos finais são a prova cabal:

"que a madeira é apenas o que vem logo antes / da cinza / e por mais vidas que tenha / cada gato / é o cadáver de um gato"

A madeira (ser inanimado) e o gato (ser animado) representam as duas categorias de seres mencionadas na alternativa. Ambos são apresentados como impermanentes: a madeira vira cinza; o gato, por mais vidas que tenha, é cadáver. A palavra "apenas" reforça a ideia de que a madeira não é nada além do que antecede a cinza — ou seja, sua essência é a transitoriedade. A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "preocupação pelo descaso com que os humanos tratam suas vidas e as dos demais seres". O poema não menciona descaso, nem tratamento dos humanos com vidas alheias. O eu lírico não julga ninguém; ele apenas observa a condição universal de finitude. Isso é extrapolação com um juízo moral que o texto não externa — o autor não diz que os humanos são descuidados, apenas que tudo é passageiro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "dificuldade em aceitar os obstáculos encontrados no cotidiano, como a perda de um ônibus". O verso "tomar o ônibus é no entanto perdê-lo" é usado como metáfora da impermanência, não como reclamação literal de um contratempo. O eu lírico não reclama do ônibus; ele usa a imagem para ilustrar a sensação de que tudo escapa. A alternativa tangencia o texto: pega um elemento isolado e o interpreta fora do contexto poético, reduzindo o poema a uma queixa banal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "nostalgia de coisas que marcaram sua vida, como as casas e os amores do passado". O poema não expressa nostalgia — não há saudade, nem desejo de reviver o passado. As casas e os amores aparecem apenas como exemplos de coisas que pressentem o fim, não como objetos de saudade. A alternativa contradiz o tom do poema, que é de constatação filosófica, não de lamento saudosista.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação de poema, identifique primeiro a tese (a ideia central que atravessa o texto) e depois teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". Palavras como "tentativa", "preocupação", "dificuldade" e "nostalgia" são pistas de que a alternativa está acrescentando um sentimento que o autor não expressou.

Gabarito: letra B — a única alternativa que traduz fielmente a consciência da impermanência universal expressa no poema.

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