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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu218415
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sold ( )

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Assassinato digital

 

Ao contrário de tempos passados, quando sumir com alguém exigia certo grau de dificuldade e até risco criminal, hoje tornou-se facílimo dar fim a uma pessoa. Bastam um dedo e algumas teclas. É possível mudar completamente o círculo de amizades, sumir da turma, buscar novos ares, sem grandes enfrentamentos. Um amigo estava falando de sua ex: “Bloqueei”. Explicou que bloqueou em tudo: no WhatsApp, no Instagram, no Face. Em qualquer outra rede social, uma pessoa existe ou não existe. Se é bloqueada em todos os canais em que pode se comunicar com a outra, tecnicamente não existe mais. Simplesmente deixa de estar presente. Mesmo porque, na atualidade, a presença é mais digital que física em um número imenso de casos.

 

Houve um tempo em que eu me admirava ao dar uma “limpa” no celular. Por que tanta gente, com quem nunca converso, tantos endereços que já não fazem parte do meu dia a dia? Para meu susto, recebi reclamações: “Por que você me deletou?”, “Me bloqueou?”. Na prática, respondia: “Porque a gente não se falava mais”. Descobri que estar na minha rede mesmo sem papo era um modo de afirmar a existência da pessoa em minha vida. Portanto, era ofensivo ser excluído. Parecia sem sentido. Mas entendi. Se a pessoa for deletada ou, pior, bloqueada, simplesmente deixa de existir. A comparação é forte, mas inevitável: morre.

 

Eu ainda acredito nas relações de carne e osso, nos abraços, nos encontros longos e profundos. Mas descubro que os relacionamentos digitais tomaram um espaço impressionante. Deletar equivale a dizer adeus. E dizer adeus é sempre uma forma de luto.

 

(Walcyr Carrasco. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/walcyrcarrasco/ assassinato-digital/. Acesso em 28/09/2025. Adaptado)

A respeito das transformações nas formas de relacionamento interpessoal com as tecnologias digitais, o autor do texto
  1. Areconhece o impacto das redes sociais, mas valoriza, acima delas, as relações presenciais e concretas.
  2. Bafirma que, no passado, as relações humanas eram menos sólidas, pois não havia redes sociais para mantê-las.
  3. Cconsidera que o bloqueio em redes sociais não gera maiores consequências para a percepção da existência do outro.
  4. Dentende que excluir alguém das redes sociais, nos dias de hoje, é um crime mais grave do que matar uma pessoa.
  5. Edefende que as relações digitais substituíram de forma saudável e definitiva os vínculos presenciais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — reconhece o impacto das redes sociais, mas valoriza, acima delas, as relações presenciais e concretas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Assassinato digital: o impacto das redes e o valor das relações presenciais

Gabarito: letra A. O autor reconhece o impacto das redes sociais, mas valoriza, acima delas, as relações presenciais e concretas. Isso se prova no 3º parágrafo, quando ele afirma: "Eu ainda acredito nas relações de carne e osso, nos abraços, nos encontros longos e profundos. Mas descubro que os relacionamentos digitais tomaram um espaço impressionante." A conjunção "mas" marca a oposição: ele reconhece o espaço dos relacionamentos digitais, mas sua crença e valorização estão nas relações presenciais.

O comando pede uma compreensão do texto: "o autor do texto" — ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está explícito, sem deduções ou acréscimos. A tarefa é localizar a tese do autor sobre as transformações nas relações interpessoais com as tecnologias digitais. O texto é um artigo de opinião (dissertativo-argumentativo) em que Walcyr Carrasco reflete sobre como o bloqueio/deleção em redes sociais equivale a um "assassinato digital" — a pessoa "deixa de existir" — mas, ao final, reafirma sua preferência pelas relações presenciais.

A técnica que decide esta questão é ancorar cada alternativa no texto e testar se ela diz exatamente o que o autor disse — nem mais, nem menos. A alternativa correta é a única que sintetiza a posição final do autor: ele reconhece o impacto das redes ("os relacionamentos digitais tomaram um espaço impressionante"), mas valoriza as relações presenciais ("Eu ainda acredito nas relações de carne e osso"). As demais alternativas ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o que está escrito.

Vamos analisar cada alternativa com cuidado, sempre perguntando: o texto autoriza esta afirmação?

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é uma paráfrase fiel da tese do autor. No 3º parágrafo, ele escreve:

"Eu ainda acredito nas relações de carne e osso, nos abraços, nos encontros longos e profundos. Mas descubro que os relacionamentos digitais tomaram um espaço impressionante."

O conectivo "mas" é a chave: ele introduz uma oposição entre o que o autor valoriza (relações presenciais) e o que ele reconhece como fato (o espaço dos relacionamentos digitais). A alternativa diz exatamente isso: "reconhece o impacto das redes sociais, mas valoriza, acima delas, as relações presenciais e concretas". Não há acréscimo nem supressão — é a leitura direta do trecho.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que "no passado, as relações humanas eram menos sólidas, pois não havia redes sociais para mantê-las". Isso contradiz o texto. O autor diz que, no passado, "sumir com alguém exigia certo grau de dificuldade e até risco criminal" — ou seja, as relações eram mais difíceis de romper, o que sugere mais solidez, não menos. Além disso, o texto não afirma que as redes sociais "mantêm" relações; ele diz que a presença digital passou a ser relevante, mas não que isso torne as relações mais sólidas. A alternativa inverte o sentido do que está escrito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C diz que "o bloqueio em redes sociais não gera maiores consequências para a percepção da existência do outro". Isso contradiz frontalmente o texto. O autor afirma, no 1º parágrafo:

"Se é bloqueada em todos os canais em que pode se comunicar com a outra, tecnicamente não existe mais."

E no 2º parágrafo, reforça: "Se a pessoa for deletada ou, pior, bloqueada, simplesmente deixa de existir. A comparação é forte, mas inevitável: morre." O bloqueio, para o autor, tem consequência enorme: equivale a uma morte simbólica. A alternativa nega exatamente o que o texto afirma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que "excluir alguém das redes sociais, nos dias de hoje, é um crime mais grave do que matar uma pessoa". Isso é uma extrapolação. O autor usa a metáfora do "assassinato digital" e diz que "a comparação é forte, mas inevitável: morre", mas em nenhum momento ele compara a gravidade do bloqueio com a de um homicídio real. Ele não diz que é "mais grave" — apenas que é uma forma de morte simbólica. A alternativa acrescenta uma comparação de gravidade que o texto não faz.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que "as relações digitais substituíram de forma saudável e definitiva os vínculos presenciais". Isso contradiz o texto. O autor afirma que "ainda acredita nas relações de carne e osso" e que os relacionamentos digitais "tomaram um espaço impressionante" — mas isso não significa que os substituíram de forma saudável e definitiva. Pelo contrário, o tom do texto é de preocupação com essa substituição, não de aprovação. A palavra "saudável" é uma opinião embutida que o autor não externa; ele apenas constata o fenômeno, sem julgá-lo positivamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — alternativas que parecem plausíveis (como a D, que usa a metáfora do assassinato, ou a E, que fala em substituição) mas acrescentam informações que o texto não sustenta. Fique atento a palavras como "mais grave", "saudável", "definitiva" — elas quase sempre indicam que a alternativa foi além do que o autor disse.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de compreensão, grife a tese do autor (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". Se a alternativa precisar de uma suposição sua para fazer sentido, ela está errada.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra A, que parafraseia a tese do autor: reconhecer o impacto das redes, mas valorizar as relações presenciais. As demais ou contradizem o texto (B, C, E) ou extrapolam (D).

Gabarito: letra A

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