Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2025
Português›Concordância (Verbal e Nominal)
Código
vu218421
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sold ( )
Leia a tira a seguir para responder à questão. (Eduardo Arruda. Disponivel em: https://x.com/ed_arruda/ status/1894695844282093685/photo/1. Acesso em 01/10/2025) Assinale a alternativa redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância.
ADurante a nossa infância era comum brincadeiras em que se respeitava as regras do jogo.
BHaviam muitas crianças que brincavam no parque junto à professora que a acompanhava.
CFoi preciso que as crianças permanecessem no parque depois daquele fatídico intervalo.
DComprou-se para o pátio da escola alguns brinquedos novos que foi alvo de depredação.
EPara aprender a se balançar bem, é necessário muita prudência nas primeiras tentativas.
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GabaritoC — Foi preciso que as crianças permanecessem no parque depois daquele fatídico intervalo.
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Concordância verbal e nominal: a norma-padrão na prática
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que respeita integralmente a norma-padrão de concordância: o verbo "permanecessem" concorda corretamente com o sujeito "as crianças" (3ª pessoa do plural), e o adjetivo "fatídico" concorda em gênero e número com o substantivo "intervalo" (masculino singular). As demais alternativas apresentam desvios de concordância verbal ou nominal, como veremos a seguir.
O comando e o método
A questão pede que se assinale a alternativa "redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância". Isso significa que devemos analisar cada frase verificando se o verbo concorda com o sujeito e se os nomes (adjetivos, artigos, pronomes) concordam com os substantivos a que se referem. O foco é a concordância verbal (verbo × sujeito) e a concordância nominal (adjetivo/artigo/pronome × substantivo).
A técnica é simples: em cada alternativa, identifique o sujeito da oração e confira se o verbo está flexionado na pessoa e número corretos. Depois, verifique se os termos que acompanham os substantivos (artigos, adjetivos, pronomes) estão no mesmo gênero e número.
A regra que decide
O ponto central desta questão é a concordância com a partícula "se". Quando o "se" é partícula apassivadora (ou pronome apassivador), o verbo concorda com o sujeito paciente. Por exemplo: "Vendem-se casas" (as casas são vendidas). Quando o "se" é índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica no singular, como em "Precisa-se de funcionários".
Outro ponto crucial é o verbo "haver" impessoal: quando significa "existir" ou indica tempo decorrido, não tem sujeito e fica sempre no singular. Em locuções verbais, o verbo auxiliar também fica no singular: "Deve haver normas" (e não "Devem haver normas").
Por fim, quando o sujeito é uma oração subordinada (como "que as crianças permanecessem"), o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular: "Foi preciso que...".
Análise das alternativas
Concordância
1Verbal (verbo × sujeito)
Partícula apassivadora "se"
Verbo concorda com o sujeito paciente
Ex.: "Vendem-se casas"
Índice de indeterminação "se"
Verbo fica no singular
Ex.: "Precisa-se de funcionários"
Verbo "haver" impessoal
Sem sujeito, sempre singular
Ex.: "Havia muitas crianças"
Sujeito oracional
Verbo na 3ª pessoa do singular
Ex.: "Foi preciso que..."
2Nominal (adjetivo × substantivo)
Concorda em gênero e número
Ex.: "é necessária muita prudência"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Durante a nossa infância era comum brincadeiras em que se respeitava as regras do jogo."
O erro está em "era comum brincadeiras": o predicativo "comum" deveria concordar com o sujeito "brincadeiras" (plural), portanto o correto seria "eram comuns brincadeiras". Além disso, em "se respeitava as regras", o "se" é partícula apassivadora (as regras eram respeitadas), então o verbo deveria concordar com "as regras": "se respeitavam as regras". A alternativa contradiz a norma ao manter o singular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Haviam muitas crianças que brincavam no parque junto à professora que a acompanhava."
O verbo "haviam" está errado: "haver" no sentido de "existir" é impessoal e deve ficar no singular: "Havia muitas crianças". Além disso, há ambiguidade no pronome "a" (quem acompanhava? a professora ou as crianças?), mas o desvio de concordância já basta para eliminar a alternativa.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Foi preciso que as crianças permanecessem no parque depois daquele fatídico intervalo."
Aqui, o sujeito de "permanecessem" é "as crianças" (3ª pessoa do plural), e o verbo está corretamente flexionado. O adjetivo "fatídico" concorda com "intervalo" (masculino singular). O verbo "foi" (3ª pessoa do singular) concorda com o sujeito oracional "que as crianças permanecessem". Tudo está em conformidade com a norma-padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Comprou-se para o pátio da escola alguns brinquedos novos que foi alvo de depredação."
O "se" é partícula apassivadora: o sujeito é "alguns brinquedos novos", portanto o verbo deveria concordar no plural: "Compraram-se alguns brinquedos". Além disso, o pronome relativo "que" retoma "brinquedos" (plural), então o verbo "foi" deveria ser "foram": "que foram alvo de depredação". Há dois desvios de concordância verbal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Para aprender a se balançar bem, é necessário muita prudência nas primeiras tentativas."
O adjetivo "necessário" deveria concordar com o substantivo "prudência" (feminino singular): o correto seria "é necessária muita prudência". A alternativa apresenta erro de concordância nominal.
Conclusão
A única frase que obedece à norma-padrão é a letra C. As demais apresentam desvios típicos: concordância com partícula apassivadora (A e D), verbo haver impessoal (B) e concordância nominal (E).
NÃO CAIA NESSA!
Ao analisar concordância, identifique primeiro o sujeito e o núcleo; depois, verifique se o verbo está na mesma pessoa e número. Desconfie de verbos como "haver" e de construções com "se" — são os campeões de pegadinha.